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sábado, julho 20, 2013

Detroit na bancarrota

A cidade de Detroit, no estado do Michigan, nos EUA, declarou bancarrota e pediu, na passada quinta-feira, a um tribunal federal protecção contra os credores. É a maior cidade norte-americana a declarar falência, segundo a imprensa norte-americana.
As edições online dos principais jornais norte-americanos avançaram com a notícia quando era quinta-feira à noite na Europa: uns citando despachos de agência, outros com peça própria, dão conta de um desfecho que se adivinhava e que acabou por se concretizar.
A cidade que é considerada o berço da indústria automóvel norte-americana, e que foi fundada há mais de 300 anos, não consegue sair do poço de dívidas em que tem vindo a afundar-se e, por isso, pediu protecção judicial ao abrigo do capítulo 9 do código de falências, que só se aplica às entidades municipais. Este artigo não prevê a liquidação da entidade que declara falência – como no caso de uma empresa –, mas antes uma reorganização do município. Um processo que foi usado 60 vezes nos EUA, desde a década de 1950, mas agora está em causa a maior falência municipal.
Em 2009, a Administração Obama ajudou financeiramente a salvar dois dos grandes nomes da indústria automóvel de Detroit, a General Motors e a Chrysler. Mas desta vez, a Casa Branca não pôs dinheiro à disposição do município para tentar inverter uma situação financeira cuja gravidade fica patente no défice orçamental anual de 100 milhões de dólares.
O principal jornal local, The Detroit News, relatava há uma semana a resposta da Casa Branca a perguntas de jornalistas sobre a situação difícil de Detroit. Durante uma conferência de imprensa em Washington, um porta-voz da Administração Obama, Jay Carney, declarou que o Presidente "estava a par da situação de Detroit", e que responsáveis federais e locais continuavam "em contacto", mas frisou que desconhecia "qualquer plano ou proposta que o Presidente tenha". "Mas estamos cientes da situação", frisou.
O valor da dívida, adianta por seu lado o New York Times, não é consensual, variando as estimativas "entre os 18 biliões e os 20 biliões de dólares". Isto dá entre 13.700 milhões a 15.200 milhões de euros, segundo a actual taxa de câmbio. A Reuters cita estimativas de 18.500 milhões de dólares.
De acordo com o jornal de maior expansão, o USA Today, o pedido de protecção formulado nesta quinta-feira dá início a um período de 30 a 90 dias, durante o qual será avaliado se o caso Detroit pode ou não enquadrar-se no referido capítulo 9. Em caso afirmativo, será feita uma selecção dos credores que poderão vir a reaver as dívidas, face aos recursos limitados que a cidade tem para oferecer, explica o mesmo jornal.
O mayor Dave Bing (do Partido Democrata) tem tentado inverter a situação, ao captar investimento privado para a baixa da cidade. Porém, os resultados e proveitos daí decorrentes são uma gota no oceano das dívidas municipais.
Para a cidade, frisam dois jornalistas do NYT, este desfecho, é uma "recordação dolorosa da ascensão e queda da cidade". Na década de 1950, Detroit registava 1,8 milhões de habitantes. Actualmente está reduzida a 700 mil moradores, dezenas de milhares de edifícios vazios e abandonados (78 mil segundo a Reuters) e ruas sem iluminação. "Foi uma decisão difícil e dolorosa, mas acredito que não outra saída viável", argumentou  o governador do Michigan, Rick Snyder (conservador do Partido Republicano), numa carta remetida ao tribunal.
Segundo a Reuters, nessa carta que acompanha o pedido de protecção judicial, o governador declara que aprovou um pedido do gestor externo nomeado para negociar uma saída, Kevyn Orr, que foi quem solicitou o início do processo judicial de protecção contra credores. "A cidade não dispõe de receitas suficientes para assegurar as suas obrigações, e a situação só irá piorar se não for tomada esta medida", escreveu Snyder.
Mesmo que o processo de falência possa ser, a longo prazo, transformado num novo início para Detroit, espera-se que o impacto a curto prazo seja mais desemprego, e mais dificuldades. Além disso, fica também, o estigma. Ao responsável pelas finanças do Michigan, Snyder escreveu ainda que imagina que muitos dirão que a cidade "bateu no fundo". Porém, acredita que será uma hipótese de um recomeço, sem o peso da dívida que não consegue pagar".
Nas últimas semanas, à medida que se adensava o risco de bancarrota, o município tentava negociar com credores e, ao mesmo tempo, com sindicatos de trabalhadores, na esperança de conseguir dilatar prazos de pagamento aos empresários e cortar nos benefícios aos trabalhadores.
Em Junho, há cerca de um mês, Orr apresentou um plano que deixaria muitos credores com muito menos para receber (dez cêntimos por cada dólar em dívida), avisando que recorreria sem hesitação à declaração de bancarrota caso as negociações se embrulhassem num impasse. Recentemente, dizem diferentes jornais americanos, o município falhou o pagamento de 40 milhões de dólares devidos ao fundo de pensões da cidade.
Segundo o gabinete de estatísticas norte-americano, o US Census Bureau, Detroit tinha, em 2010, 10% de população branca, muito longe dos 78,9% de brancos no Michigan. Nesse ano, a maioria da população era negra (78,9%), contrariando a tendência do estado, onde apenas 14,2% da população era afro-americana.

O Michigan, situado na região dos Grandes Lagos, fazendo fronteira com o Canadá, tem dado a vitória aos Democratas nas presidenciais desde 1992. É o nono mais populoso do país e o 11.º em área.


sábado, maio 18, 2013

Terapia do riso/ Desta vez é diferente, de Carmen Reinhart e Kenneth Rogoff


Vítor Gaspar (Ministro das Finanças de Portugal) escreveu o prefácio do livro de Carmen Reinhart e Kenneth Rogoff, "Desta vez é diferente. Oito séculos de loucura financeira".
Agora já não escondem o que visam, senão a destruição dos Estados.
Os dois autores estiveram envolvidos numa polémica porque as fórmulas que publicaram nos estudos que levaram a cabo, usadas como justificação por muitos governos para aplicar a austeridade sem fim nos seus países estariam, afinal, erradas. Nada que os dissuadisse, ambos ex-funcionários do Fundo Monetário Internacional, a continuar a defender a austeridade e a destruição.
Só que o riso, tudo parece desarmar…

Mais sobre o mesmo assunto:
http://economico.sapo.pt/noticias/prefacio-de-vitor-gaspar-apresentacao-a-um-publico-portugues_169262.html



Holanda pode provocar o colapso do Euro



"Que país da zona euro está mais endividado? Os gregos esbanjadores, com as suas generosas pensões estatais? Os cipriotas e os seus bancos repletos de dinheiro sujo russo? Os espanhóis tocados pela recessão ou os irlandeses em falência? Pois curiosamente são os holandeses sóbrios e responsáveis. A dívida dos consumidores nos Países Baixos atingiu 250% do rendimento disponível e é uma das mais altas do mundo. Em comparação, a Espanha nunca superou os 125%.
A Holanda é um dos países mais endividados do mundo. Está mergulhada na recessão e demonstra poucos sinais de estar a sair dela. A crise do euro arrasta-se há três anos e até agora só tinha infectado os países periféricos da moeda única. A Holanda, no entanto, é um membro central tanto da UE quanto do euro. Se não puder sobreviver na zona euro, estará tudo acabado.
O país sempre foi um dos mais prósperos e estáveis de Europa, além de um dos maiores defensores da UE. Foi membro fundador da união e um dos partidários mais entusiastas do lançamento da moeda única. Com uma economia rica, orientada para as exportações e um grande número de multinacionais de sucesso, supunha-se que tinha tudo a ganhar com a criação da economia única que nasceria com a introdução satisfatória do euro. Em vez disso, começou a interpretar um guião tristemente conhecido. Está a estourar do mesmo modo que a Irlanda, a Grécia e Portugal, salvo que o rastilho é um pouco mais longo.

Bolha imobiliária
Os juros baixos, que antes do mais respondem aos interesses da economia alemã, e a existência de muito capital barato criaram uma bolha imobiliária e a explosão da dívida. Desde o lançamento da moeda única até o pico do mercado, o preço da habitação na Holanda duplicou, convertendo-se num dos mercados mais sobreaquecidos do mundo. Agora explodiu estrondosamente. Os preços da habitação caem com a mesma velocidade que os da Flórida quando murchou o auge imobiliário americano.
Actualmente, os preços estão 16,6% mais baixos do que estavam no ponto mais alto da bolha de 2008, e a associação nacional de agentes imobiliários prevê outra queda de 7% este ano. A não ser que tenha comprado a sua casa no século passado, agora valerá menos do que pagou e inclusive menos ainda do que pediu emprestado por ela.
Por tudo isso, os holandeses afundam-se num mar de dívidas. A dívida dos lares está acima dos 250%, é maior ainda que a da Irlanda, e 2,5 vezes o nível da da Grécia. O governo já teve de resgatar um banco e, com preços da moradia em queda contínua, o mais provável é que o sigam muitos mais. Os bancos holandeses têm 650 mil milhões de euros pendentes num sector imobiliário que perde valor a toda a velocidade. Se há um facto demonstrado sobre os mercados financeiros é que quando os mercados imobiliários se afundam, o sistema financeiro não se faz esperar.

Profunda recessão
As agências de rating (que não costumam ser as primeiras a estar a par dos últimos acontecimentos) já se começam a dar conta. Em Fevereiro, a Fitch rebaixou a qualificação estável da dívida holandesa, que continua com o seu triplo A, ainda que só por um fio. A agência culpou a queda dos preços da moradia, o aumento da dívida estatal e a estabilidade do sistema bancário (a mesma mistura tóxica de outros países da eurozona afectados pela crise).
A economia afundou-se na recessão. O desemprego aumenta e atinge máximos de há duas décadas. O total de desempregados duplicou em apenas dois anos, e em Março a taxa de desemprego passou de 7,7% para 8,1% (uma taxa de aumento ainda mais rápida que a do Chipre). O FMI prevê que a economia vai encolher 0,5% em 2013, mas os prognósticos têm o mau costume de ser optimistas. O governo não cumpre os seus défices orçamentais, apesar de ter imposto medidas severas de austeridade em Outubro. Como outros países da eurozona, a Holanda parece encerrada num círculo vicioso de desemprego em aumento e rendimentos fiscais em queda, o que conduz a ainda mais austeridade e a mais cortes e perda de emprego. Quando um país entra nesse comboio, custa muito a sair dele (sobretudo dentro das fronteiras do euro).
Até agora, a Holanda tinha sido o grande aliado da Alemanha na imposição da austeridade por todo o continente, como resposta aos problemas da moeda. Agora que a recessão se agrava, o apoio holandês a uma receita sem fim de cortes e recessão (e inclusive ao euro) começará a esfumar-se.
Os colapsos da zona euro ocorreram sempre na periferia da divisa. Eram países marginais e os seus problemas eram apresentados como acidentes, não como prova das falhas sistémicas da forma como  a moeda foi estruturada. Os gregos gastavam demasiado. Os irlandeses deixaram que o seu mercado imobiliário se descontrolasse. Os italianos sempre tiveram demasiada dívida. Para os holandeses não há nenhuma desculpa: eles obedeceram a todas as regras.
Desde o início ficou claro que a crise do euro chegaria à sua fase terminal quando atingisse o centro. Muitos analistas supunham que seria a França e, ainda que França não esteja exatamente isenta de problemas (o desemprego cresce e o governo faz o que pode, retirando competitividade à economia), não deixa de continuar a ser um país rico. As suas dívidas serão altas mas não estão fora de controlo nem começaram a ameaçar a estabilidade do sistema bancário. A Holanda está a chegar a esse ponto.
Talvez se tenha de esperar um ano mais, talvez dois, mas a queda ganha ritmo e o sistema financeiro perde estabilidade a cada dia. A Holanda será o primeiro país central a estourar e isso significará demasiada crise para o euro."

Matthew Lynn é director executivo da consultora londrina Strategy Economics.
Publicado originalmente em El Economista, republicado em Jaque al Neoliberalismo

sexta-feira, maio 17, 2013

Goldman Sachs - O Banco que dirige o mundo



"O Banco de investimento criado em Nova Iorque em 1868 conseguiu o seu sucesso e a sua reputação à base do silêncio a toda a prova. Goldman Sachs foi a instituição bancária que correu mundo a trabalhar em segredo. Mas hoje Goldman Sachs é acusada de ter ajudado os países como a Grécia a encobrir o seu deficit.

Um documentário que nos leva de Nova Iorque a Atenas, com paragens em Londres, Paris e Bruxelas."

quarta-feira, abril 10, 2013

Isto é um assalto


A banca e a troika. A escalada dos impostos, os cortes salariais e o aumento do desemprego. Quem paga a factura? As respostas chegam em banda desenhada, no livro Isto é um assalto, da autoria dos dirigentes do BE e economistas, Francisco Louçã e Mariana Mortágua, lançado nesta quarta-feira em Lisboa.
”Este livro descreve o assalto que Portugal está a sofrer. Eles estão a cobrar impostos acima das nossas possibilidades, a retirar subsídios de férias e de Natal que eram as nossas possibilidades, a destruir o Serviço Nacional de Saúde, a escola pública e a Segurança Social, que deveriam ser a devolução dos nossos tributos. Eles querem tudo”, resume-se na contra capa do livro escrito a duas mãos e com ilustrações de Nuno Saraiva.
A “história deste assalto moderno” é contada ao longo de quase 170 páginas. Fazem-se contas e cobra-se a factura à banca e à austeridade, à "chantagem da dívida" e ao flagelo do desemprego. No final, os dois economistas deixam um desafio: “Isto é um assalto! Vamos fazer-lhes frente?”
O lançamento da banda desenhada está marcado para esta quarta-feira, às 148h30, na livraria Bertrand (Picoas), em Lisboa.

quinta-feira, junho 14, 2012

Os estranhos negócios do Vaticano



O economista Ettore Tedeschi temia que alguém com poder no Vaticano mandasse matá-lo, avança o jornal "El País", e por isso preparou um enorme dossier com provas sobre o branqueamento de capitais no banco daquele Estado religioso. Caso apareça morto, todo esse trabalho será entregue a um conjunto-chave de pessoas.
O diário espanhol nomeia a lista de pessoas que deverão receber o meticuloso conjunto das alegadas provas dos crimes do Vaticano: a dois amigos pessoais, um advogado, um jornalista e, por fim, ao Papa.
São e-mails, fotocópias de agendas, anotações que, segundo Ettore Tedeschi, servirão para provar por que motivo falhou a sua missão no Instituo de Obras Religiosas. Na sua investigação, descobriu a circulação de dinheiro sujo de empresários, políticos e chefes da Máfia.
O Vaticano teme agora que o relatório de Ettore Tedeschi venha a público e já ameaçou as autoridades italianas de que, caso tais documentos não sejam retirados da posse do economista, que todos terão que responder perante os seus tribunais.
Além dos casos de fraude, lavagem de dinheiro e corrupção, do actual escândalo que envolve o Vaticano também fazia parte um suposto plano para eliminar Bento XVI.
Recorde-se que, no passado dia 25 de Maio, o mordomo do Papa, Paolo Gabriele, foi detido sob suspeita de roubo de documentos e correspondência papal.
Entretanto, os inimigos de Ettore Tedeschi já questionaram a saúde mental do economista e pediram a realização de uma avaliação psicológica.

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