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segunda-feira, novembro 01, 2010

Ultramar, sepultados no esquecimento

Dia 1 de Novembro, dia de finados.

Um dia de romagem aos cemitérios e de recordar os entes queridos que já partiram e desencarnaram…

Um dia triste e quase sempre chuvoso.

No entanto, quantos de nós pensamos nos soldados que tombaram em terras do Ultramar?

Ou nos portugueses que jazem há muito nos cemitérios de Angola e Moçambique?

Recordo-me que havia famílias portuguesas em Moçambique há várias gerações. Muitos ainda lá permanecem, não regressaram a Portugal depois da independência, ficaram sepultados no esquecimento e na indiferença dum país que nega o seu passado.

Porquê?

Temos alguma coisa que nos envergonhar?

E em que estado se encontram os cemitérios de Angola e Moçambique?

E as campas onde jazem portugueses?

Muitos encontram-se pejados de mato e de lixo.

Uma absoluta tristeza… face a tanta indiferença.

domingo, outubro 24, 2010

O Anjo Branco

Foto: http://ma-schamba.com/

As fotografias do massacre de Wiriyamu, perpetrado em Moçambique por comandos portugueses em Dezembro de 1972, foram pela primeira vez divulgadas em público este sábado, dia 23 de Outubro, pelas 17h00, na Sociedade de Geografia de Lisboa, concretamente durante a cerimónia de apresentação do novo romance de José Rodrigues dos Santos, «O Anjo Branco», editado pela Gradiva.

O massacre de Wiriyamu foi um dos lados negros da Guerra Colonial e da História portuguesa, sendo referenciada inclusive pelo jornal The Times e na generalidade da imprensa internacional. No entanto, nunca foi publicada qualquer fotografia da tragédia, algo que será reposto na apresentação de «O Anjo Branco».

José Rodrigues dos Santos quis escrever "um romance como nunca tinha sido escrito sobre a guerra colonial e os portugueses em África" e o resultado é "O anjo branco", inspirado na história do pai, livro desde ontem nas livrarias.

O protagonista do oitavo romance de Rodrigues dos Santos chama-se José Branco, um médico que foi viver para Moçambique na década de 1960 e que, perante as enormes carências sanitárias do país, criou o revolucionário Serviço Médico Aéreo, deslocando-se num pequeno avião, o que lhe valeu o epíteto de "anjo branco", por descer do céu vestido de branco. "Inspirei-me no meu pai: o romance conta a história de um médico que é punido pela administração colonial e enviado para Tete, um sítio perdido no coração de África conhecido por "o cemitério dos brancos"", disse o autor, em entrevista à Lusa.

"Sob a responsabilidade do médico fica um território em Moçambique com o tamanho de Portugal continental. E, para dificultar ainda mais as coisas, começa entretanto a guerra. Como lidar com a situação? Este foi o cenário que o meu pai enfrentou em Moçambique e é aquele que se depara diante da personagem principal de "O anjo branco"", revelou.

O escritor e jornalista da RTP, de 46 anos, decidiu contar esta história inspirada em factos reais, que lhe exigiu "muita investigação" - teve de "conversar com imensa gente, ver muita documentação e visitar por duas vezes os locais da acção em Moçambique" -, por considerar que "estava por escrever o grande romance português sobre a Guerra Colonial. Fico com a impressão de que a literatura que se produziu sobre o assunto é complexada e colorida ideologicamente, com "bons" de um lado e "maus" do outro, ou, então, é bacocamente saudosista", defendeu.

"Quis fugir a esses dois registos - sublinhou -, quis escrever um romance descomplexado que mostrasse as grandezas e as misérias e também as contradições da nossa presença em África. Quis, sobretudo, escrever um romance como nunca tinha sido escrito sobre a guerra colonial e os portugueses em África".


quarta-feira, setembro 01, 2010

Suécia reabre investigação contra o fundador do Wikileaks



“A procuradoria-geral sueca reabriu o inquérito por violação contra o criador do website WikiLeaks, Julian Assange, sustentando que afinal existem “razões para acreditar que foi cometido um crime”.


Há semana e meia, com a diferença de poucas horas, as autoridades suecas emitiram e depois cancelaram um mandado de captura contra o australiano, então argumentando que nada levava a suspeitar das acusações de violação e agressão sexual formuladas contra Assange – alegadamente por duas mulheres diferentes, quando esteve na Suécia em meados de Agosto para participar numa série de conferências.

Em comunicado emitido esta manhã, a procuradora-geral Marianne Ny precisou que o inquérito foi reaberto agora após o caso ter sido “submetido a mais extensa análise”.

Assange, de 39 anos, que se popularizou a divulgar informações militares secretas dos Estados Unidos sobre a guerra no Afeganistão, tem negado desde o início as acusações.

Quando estas alegações surgiram, inicialmente avançadas pelo tablóide sueco “Expressen”, Assange avaliou que era “profundamente inquietante” que tal acontecesse quando o website ia revelar um novo pacote, de mais de 15 mil documentos, embaraçosos para as chefias militares norte-americanas.”

Citando o Jornal Público:
http://www.publico.pt/Mundo/suecia-reaberta-investigacao-por-violacao-contra-o-fundador-do-wikileaks_1453849


Os comentários ao artigo estão brutais:
“Mesmo?

Estou como os outros: há mesmo violação (q me perdoem as vitimas se for verdade), ou tem qualquer coisita a ver c o wikileaks?”

“Ui Ui

Se fosse no tempo das vacas gordas, metiam-lhe um kilo ou dois de branca na mala do carro ou em casa e já estava feito. Só que agora, com a corrupção a bradar em todo o lado, essa branca seria logo desviada pelo pessoal do armazém onde deixassem as "provas" arquivadas. E está visto, o prejuízo era imenso para o orçamento da CIA. Agora em crise, sai mais barato recorrer a prostitutas para este tipo de serviço; encalacrar quem fala demais e tem meios de prova do que diz. Cambada de intrujas nojentos. “

“POIS

A CIA nunca brinca em serviço! Então não se viu o caso Português! E já agora, expor documentos não é jornalismo, é informação! Jornalismo hoje em dia será qualquer coisa como impingimento.”

“Pois

A CIA omeçou o seu trabalho: denegrir a imagem do homem que tenta expor os crimes contra a humanidade perpetuados pelos EUA. Hitler actuava da mesma forma, Staline actuava da mesma forma, os EUA sempre o fizeram.”

Sem mais...

Entramos numa lógica de caça às bruxas, blogues suprimidos, autores identificados, alvos de processos judiciais noutros países e presos.

Conspiração, não.
Realidade absurda. Em causa estão o Direito e a Liberdade de expressão e ainda as garantias dos cidadãos!

Na imprensa não há lugar para a realidade nua e crua, pois o mundo está pintado de cor de rosa, tudo lhes corria de feição até descobrirem que houve uns marotos que escreviam umas coisas que ninguém lia e lhes boicotaram a vacinação em massa contra a Swine Flu.

Pode ser que algum doido se lembre de convocar uma manifestação pelo telemóvel, como aquela que teve lugar em Moçambique.

'Olha moçambicanos somos órfãos do Estado, avance a manifestação, Guebuza vai, Guebuza sai... Huma Mozaia Wai Sabotara U Hi Sabotara... passa a mensagem', foi esta a mensagem que correu nos celulares na tarde de ontem (31 de Agosto), a mobilizar a população para a manifestação que pôs Maputo em Estado de Sítio.

Aí talvez as pessoas comecem a despertar para a realidade nua e crua que nos querem há muito ocultar.

Ler mais em:
http://noticias.sapo.mz/info/artigo/1089338.html

segunda-feira, fevereiro 01, 2010

Tempo de Moçambique


Moçambique.

Viveu, nasceu lá, ou conheceu Moçambique?

Lembra-se desta publicação iniciada em 1970?

A Revista Tempo publicada em Lourenço Marques / Maputo, Moçambique, no outro lado do tempo e do mundo.



O Basquetebol, o Sporting e o FCP…


A Tempo começou a ser publicada em 20 de Setembro de 1970 e prosseguiu para lá da independência de Moçambique, no entanto não sei se ainda hoje é publicada ou não?


O pintor Malangatana


Foi uma revista muito à frente no tempo, em que foi lançada…

Como recordar é viver, aqui ficam as capas de alguns números.

As revistas encontram-se no Arquivo Histórico de Moçambique.


O Xiconhoca divulgou-as no seu site:

http://group.xiconhoca.com/revista-tempo/


terça-feira, dezembro 08, 2009

Campo do Ferroviário do Maputo em ruínas!

«É uma pena ver este espaço de prática desportiva (basquetebol) a degradar-se, um campo por onde passaram tantas glórias do basquetebol moçambicano.


Não haverá ninguém que dê uma mãozinha nisto?


Temos esperança de voltar a publicar neste espaço de notícias, as fotos deste campo em reconstrução, para servir as novas gerações de "locomotivas" amantes do basquetebol!»



http://www.mundoslam.com/index2.php?noticia=1549&titulo=Campo%20de%20treinos%20do%20Ferrovi%C3%A1rio%20de%20Maputo%20em%20ru%C3%ADnas...%20-%20Fotos%20de%20Alexandre%20Galv%C3%A3o

Enviada por IV



Obs: Fiquei triste, muito triste mesmo, porque quando era pequeno, passei pelo campo do Ferroviário do Maputo, o meu pai era funcionário do CFM (operador de manobras), no cais de minério da Matola, passou ainda pela Estação de Caminhos de Ferro de Lourenço Marques, pelo Cais do Maputo e por Ressano Garcia e é uma tristeza ver as coisas chegarem a este ponto…

O Ferroviário era um clube ecléctico no passado, desde o futebol, passando pelo ciclismo, basquetebol, natação e tantas outras modalidades praticadas por funcionários, filhos de funcionários e muitas outras pessoas, que envergaram a camisola do ferroviário. É decepcionante, ver a degradação do património que foi legado por uns tantos a um povo e ver que ninguém faz nada para o recuperar.



Ferroviário de Lourenço Marques (Maputo) – 1º Campeão Nacional da República Popular de Moçambique

“A história dessa geração!”
Contada por Carlos Sousa “Sousita”

1975... já lá vão 30 anos!

Despontava nessa altura, a última geração do basquetebol do Ferroviário de Lourenço Marques (Maputo).

Considerado o mais ecléctico dos clubes de Moçambique para alem da “bola ao cesto” praticava-se o futebol, hóquei em patins, natação, ciclismo, ginástica, halterofilia, ballet, xadrez e etc.

Eles treinavam e jogavam num velhinho campo de cimento ao ar livre, com capacidade para 800 pessoas, nas horas de maior calor até fazia bolhas nos pés…, quando chovia, o campo era limpo com a ajuda dos atletas. Deixar de treinar, era que não!!! As tabelas eram de madeira (que ressaltos lindos que elas davam!), mais tarde chegaram as de fibra, tão ou mais rijas que as anteriores…
Os candidatos a “craques” eram bastantes. Tinham muita vontade. Eram valentes.

Até que uma “Força” catalizadora entretanto apareceu; Mário Machado, um jovem oriundo da então Metrópole, onde jogou pelo F. C. Porto, Benfica, um internacional “A”, verdadeiro senhor do basquetebol, rigoroso, trabalhador, tecnicista de invulgar capacidade. Completo! Ele foi o grande impulsionador do basquetebol no Clube, tendo provocado uma autêntica revolução nos conceitos técnico/tácticos da época.
Mário Machado cedo se apercebeu que estava no sítio certo, no tempo certo, com a Família certa.
Estava formado o … “Código Da Vinci”.
Mário Machado soube observar, interiorizar a nossa FORÇA. Mário MachadoEscolheu os certos. Treinou-os até à exaustão, embora sempre condicionado à vida dos que eram estudantes, trabalhadores ou na vida militar.
O seu trabalho viria a dar os seus frutos, logo a curto prazo com a conquista de diversos títulos distritais e provinciais nos escalões de formação. A médio prazo no escalão sénior, quando se conseguiram reunir na mesma época todos os atletas oriundos dessa formação (até então a vida militar não tinha permitido).


Mário Machado, Samuel Carvalho, António Almeida, George Sing, Alberto Jorge, José Sepodes, “Casquinha” (*), Armindo Costa, Leonel Velasco, Kakoo, Valdemar Freitas, Roque Afonso (que me desculpem os de que não me recordo) foram nomes que ficaram registados na história do clube e no basquete moçambicano…

Havia um verdadeiro espírito de “FAMÍLIA”; solidária, unida e coesa. Tudo se tornava mais fácil e não havia obstáculos que não transpuséssemos.
Exemplo do que digo? Lembro-me que em determinada altura , surgiu um convite do ACP (Associação Cultural de Portugal) de Johanesburg, uma agremiação de portugueses, para lá fazermos dois jogos. Era o tempo do rigoroso “apartheid” na África do Sul. Tínhamos na equipa alguns jogadores de cor… Armindo Costa, Kakoo, George Sing etc. Como responsável pela equipa aceitei o convite com uma “pequenina”… condição; não abdicava que viajássemos juntos e que juntos ficássemos hospedados no mesmo hotel. Isto era impensável naquele tempo! Um atentado ao “apartheid”! Claro que era! Mas não abdiquei. Ou todos juntos ou… não haveria Ferroviário para ninguém! Depois de várias reuniões com o Cônsul sul africano em L. Marques (1º andar do prédio Hilman), acabaram por ceder. Viajámos juntos, juntos ficámos no mesmo hotel e fizemos dois jogos. Era esta a nossa FORÇA! Era o nosso Pacto Sagrado “Amizade, Solidariedade, Respeito e Verticalidade”.

Época 74/75, Seniores, Campeão Distrital de Lourenço Marques, Campeão Provincial de Moçambique


Entretanto passaram-se dois anos e na época de 72/73 ameaçamos o primeiro lugar… vice-campeões distrital e provincial, melhor resultado dos últimos anos! Até que chega a época de 74/75 o Ferroviário consegue reunir pela primeira vez todo o plantel (a tropa tinha terminado) e então a conquista dos tão famigerados títulos: Campeão Provincial do Maputo e Campeão de Moçambique.

(Lembram-se de uns calções aos “gomos” verdes e brancos?) A ideia foi do Mário Machado. Inovadora, só tinha que aceitá-la.

Nessa época a fase final do Campeonato de Moçambique realizou-se na cidade da Beira contra o Sporting local, tendo nós vencidos os dois jogos por margem confortável, alcançando assim o título de Campeões de Moçambique.

O Armindo Costa sofreu traumatismo craniano involuntariamente provocado pelo cotovelo do George Sing (meteu-lhe a testa para dentro, nunca se tinha visto nada assim…). Por pena nossa, não foi considerada titulo Nacional em virtude de ter sido conquistado umas semanas antes da independência de Moçambique.


Época 1975 - Séniores
• Campeão Provincial Maputo • Campeão Nacional R. P. Moçambique

Na época seguinte decorria o ano de 1975 e, para que não restassem duvidas o Ferroviário volta a ser Campeão Provincial do Maputo e é um dos apurados para a Fase Final do Nacional, que se disputaria em Maputo no grandioso pavilhão do Sporting (Machaquene), a duas voltas com a participação para alem do Ferroviário o Sporting, Desportivo e Sporting da Beira.

As três equipas do Maputo estavam em igualdade pontual no final da primeira volta. Na primeira jornada da segunda volta o Ferroviário leva de vencida o Sporting (90-82), na jornada seguinte o mesmo clube vence o Desportivo por (88-70) ficando assim a um passo do titulo máximo… na derradeira jornada e como era esperado o Ferroviário derrota o Sporting da Beira por margem dilatada, conquistando assim o 1º CAMPEONATO NACIONAL DA REPUBLICA POPULAR DE MOÇAMBIQUE!!! (**)
Foram momentos inesquecíveis que ficarão eternamente guardados nas nossas memórias e na história do Basquetebol Moçambicano!


Para a história fica a constituição da equipa:

Em pé: Carlos Sousa (D), Jorge Gassin, Samuel Carvalho, Armindo Costa, George Sing, Adam Ribeiro (T)..
Em baixo: Higino Santos, Jorge Cunha, Mário Machado, António Almeida, José Costa “Casca”.
(*) - Não presentes na foto: Correia Mendes, Jorge Taborda, António Azevedo (T), José António (S).


(*) Há alcunhas que ficam para toda a vida.
Todos o conhecem por...”CASQUINHA”. Ele não é nem mais, nem menos, que o Sr. Eng.º José Domingues da Costa. Há mais de 30 anos, tive o privilégio de ser seu treinador. Reparei numa particularidade especial que ele tinha: Quando “suspendia” para efectuar o lançamento, demorava mais tempo a “aterrar” do que o seu directo opositor, o que lhe permitia desferir com êxito, sem mancha, o golpe certeiro e mortífero. Parecia uma autêntica “CASQUINHA” a flutuar no espaço. Comecei a chamar-lhe...”CASQUINHA” e assim ficou para sempre. Portanto os direitos de autor....são meus!

(**) Época de 1975 - Apesar de alguns atletas terem saído de Moçambique, recorda-se que no Desportivo alinhavam: (Manuel Lima, Paulo Carvalho, Nuno Narcy, Armando Lôbo, José Jóia, “Pinduca”…) e no Sporting para além dos habituais: (Nelson Serra, Luis Almeida, Luis Dionisio, Belmiro Simango, Tam Ling, Hélder Silva… jogou reforçado com João Donato e Eustácio Dias)!

Fonte:

http://www.mundoslam.com


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