domingo, junho 05, 2011

Carlos, a vida de um mito


"Carlos" é realizado pelo francês Olivier Assayas, com Édgar Ramirez e Alejandro Arroyo nos principais papéis desta trama.

Figura chave do terrorismo internacional dos anos 70 e 80, Carlos, "o Chacal", foi simultaneamente associado à extrema-esquerda e considerado um mercenário oportunista ao serviço dos serviços secretos de governos asiáticos. Aliando-se ao activismo pró-palestiano, constituiu a sua própria organização, instalando-se do outro lado da cortina de ferro. Manipulador e manipulado, foi um personagem contraditório, que se deixou levar pelo fluxo da história e pelos seus desvios, encarnando, ao mesmo tempo, a violência de sua época.

sábado, junho 04, 2011

Os verdadeiros factos da campanha


Nos últimos dias, a "campanha" eleitoral tem sido constituida por um rol de "factos" que só servem para distrair os(as) portugueses(as) daquilo que realmente é essencial. E o que é essencial são os factos. E os factos são indesmentíveis. Não há argumentos que resistam aos arrasadores factos que este governos nos lega. E para quem não sabe, e como demonstro no meu novo livro, os factos que realmente interessam são os seguintes:

1) Na última década, Portugal teve o pior crescimento económico dos últimos 90 anos

2) Temos a pior dívida pública (em % do PIB) dos últimos 160 anos. A dívida pública este ano vai rondar os 100% do PIB

3) Esta dívida pública histórica não inclui as dívidas das empresas públicas (mais 25% do PIB nacional)

4) Esta dívida pública sem precedentes não inclui os 60 mil milhões de euros das PPPs (35% do PIB adicionais), que foram utilizadas pelos nosso governantes para fazer obra (auto-estradas, hospitais, etc.) enquanto se adiava o seu pagamento para os próximos governos e as gerações futuras. As escolas também foram construídas a crédito.

5) Temos a pior taxa de desemprego dos últimos 90 anos (desde que há registos). Em 2005, a taxa de desemprego era de 6,6%. Em 2011, a taxa de desemprego chegou aos 11,1% e continua a aumentar.

6) Temos 620 mil desempregados, dos quais mais de 300 mil estão desempregados há mais de 12 meses

7) Temos a maior dívida externa dos últimos 120 anos.

8) A nossa dívida externa bruta é quase 8 vezes maior do que as nossas exportações

9) Estamos no top 10 dos países mais endividados do mundo em praticamente todos os indicadores possíveis

10) A nossa dívida externa bruta em 1995 era inferior a 40% do PIB. Hoje é de 230% do PIB

11) A nossa dívida externa líquida em 1995 era de 10% do PIB. Hoje é de quase 110% do PIB

12) As dívidas das famílias são cerca de 100% do PIB e 135% do rendimento disponível

13) As dívidas das empresas são equivalente a 150% do PIB

14) Cerca de 50% de todo endividamento nacional deve-se, directa ou indirectamente, ao nosso Estado

15) Temos a segunda maior vaga de emigração dos últimos 160 anos

16) Temos a segunda maior fuga de cérebros de toda a OCDE

17) Temos a pior taxa de poupança dos últimos 50 anos

18) Nos últimos 10 anos, tivemos défices da balança corrente que rondaram entre os 8% e os 10% do PIB

19) Há 1,6 milhões de casos pendentes nos tribunais civis. Em 1995, havia 630 mil. Portugal é ainda um dos países que mais gasta com os tribunais por habitante na Europa

20) Temos a terceira pior taxa de abandono escolar de toda a OCDE (só melhor do que o México e a Turquia)

21) Temos um Estado desproporcionado para o nosso país, um Estado cujo peso já ultrapassa os 50% do PIB

22) As entidades e organismos públicos contam-se aos milhares. Há 349 Institutos Públicos, 87 Direcções Regionais, 68 Direcções-Gerais, 25 Estruturas de Missões, 100 Estruturas Atípicas, 10 Entidades Administrativas Independentes, 2 Forças de Segurança, 8 entidades e sub-entidades das Forças Armadas, 3 Entidades Empresariais regionais, 6 Gabinetes, 1 Gabinete do Primeiro Ministro, 16 Gabinetes de Ministros, 38 Gabinetes de Secretários de Estado, 15 Gabinetes dos Secretários Regionais, 2 Gabinetes do Presidente Regional, 2 Gabinetes da Vice-Presidência dos Governos Regionais, 18 Governos Civis, 2 Áreas Metropolitanas, 9 Inspecções Regionais, 16 Inspecções-Gerais, 31 Órgãos Consultivos, 350 Órgãos Independentes (tribunais e afins), 17 Secretarias-Gerais, 17 Serviços de Apoio, 2 Gabinetes dos Representantes da República nas regiões autónomas, e ainda 308 Câmaras Municipais, 4260 Juntas de Freguesias. Há ainda as Comissões de Coordenação e Desenvolvimento Regional, e as Comunidades Inter-Municipais.


22) Nos últimos anos, nada foi feito para cortar neste Estado omnipresente e despesista, embora já se cortaram salários, já se subiram impostos, já se reduziram pensões e já se impuseram vários pacotes de austeridade aos portugueses. O Estado tem ficado imune à austeridade


Isto não é política. São factos. Factos que andámos a negar durante anos até chegarmos a esta lamentável situação. Ora, se tomarmos em linha de conta estes factos, interessa perguntar: como é que foi possível chegar a esta situação? O que é que aconteceu entre 1995 e 2011 para termos passado termos de "bom aluno" da UE a um exemplo que toda a gente quer evitar? O que é que ocorreu entre 1995 e 2011 para termos transformado tanto o nosso país? Quem conduziu o país quase à insolvência? Quem nada fez para contrariar o excessivo endividamento do país? Quem contribuiu de sobremaneira para o mesmo endividamento com obras públicas de rentabilidade muito duvidosa? Quem fomentou o endividamento com um despesismo atroz? Quem tentou (e tenta) encobrir a triste realidade económica do país com manobras de propaganda e com manipulações de factos? As respostas a questas questões são fáceis de dar, ou, pelo menos, deviam ser. Só não vê quem não quer mesmo ver.

A verdade é que estes factos são obviamente arrasadores e indesmentíveis. Factos irrefutáveis. Factos que, por isso, deviam ser repetidos até à exaustão até que todos nós nos consciencializássemos da gravidade da situação actual. Estes é que deviam ser os verdadeiros factos da campanha eleitoral. As distracções dos últimos dias só servem para desviar as atenções daquilo que é realmente importante.

Álvaro Santos Pereira

Fonte: Desmitos


sexta-feira, junho 03, 2011

Intervenção externa sem precedentes na Grécia


Decisões sobre impostos gregos serão tomadas no estrangeiro e privatizações serão controladas por uma agência internacional. Segundo o 'Financial Times', estas são as condições para um novo empréstimo.

A edição desta segunda-feira do Financial Times revela que os líderes europeus estão a negociar um novo empréstimo à Grécia, que se encontra de novo à beira de ter de suspender o pagamento da sua dívida soberana. Um ano depois do empréstimo de 110 mil milhões de euros e da imposição de uma selvática política de austeridade, a crise grega está hoje pior. A contrapartida para o novo empréstimo, diz o jornal britânico, seria uma “intervenção externa sem precedentes”: as privatizações seriam controladas por uma agência internacional, e a colecta de impostos seria também feita por entidades estrangeiras.

Argumento é que Estado grego “não está a funcionar”

A proposta de criar uma agência internacional para pôr em prática o plano de privatizações da Grécia, que pode envolver algo em torno de 50 mil milhões de euros, tem vindo a ser defendida pela Holanda, sob o argumento, diz o Financial Times, de que o Estado grego “não está a funcionar” e por isso não teria capacidade para gerir as privatizações.

Segundo o jornal britânico, Atenas tem necessidade de um novo financiamento de 60 a 70 mil milhões de euros, dos quais 30 a 35 mil milhões teriam de ser dinheiro fresco, sendo a outra parte conseguida por privatizações e pelo reescalonamento voluntário de dívidas, feito por iniciativa voluntária dos credores.

Recorde-se que passado um ano do primeiro plano de resgate, a chamada pressão dos mercados sobre a dívida soberana grega não baixou, como fora previsto então. Os juros dos títulos da dívida nos mercados secundários são de 25%, tendo mesmo tocado no máximo de 26% na última sexta-feira.

O Financial Times diz ainda que o Banco Central europeu continua firmemente contrário à reestruturação da dívida grega – defendida por muitos economistas, como o Prémio Nobel Paul Krugman ou o economista-chefe do Deutsche Bank, Thomas Mayer.

Irlanda também precisa de novo empréstimo?

Segundo o Financial Times Deutschland, políticos irlandeses começaram a discutir uma ajuda adicional, considerando “muito improvável” que o país consiga voltar a financiar-se nos mercados em 2012, como está previsto no plano de resgate. Seria assim necessário um prolongamento do actual plano de resgate ou a elaboração de um outro, semelhante ao que está em curso na Grécia.

BCE parece querer provocar crise, diz Krugman

Declaração da Conferência de Atenas sobre dívida e austeridade

Fonte: Esquerda

quarta-feira, junho 01, 2011

Pepinos assassinos 2


Os pepinos espanhóis não são afinal a origem do surto da variante da bactéria E.coli, revelou uma responsável da Saúde Pública de Hamburgo. A epidemia dos pepinos já matou 15 pessoas na Alemanha e uma na Suécia e provocou focos de infeção na Dinamarca, Grã-Bretanha e Holanda. Todos são cidadãos alemães ou turistas que estiveram na Alemanha. O caso gerou uma discussão entre espanhóis e alemães na reunião de ministros europeus da Agricultura da UE.

A senadora do Governo regional de Hamburgo especificou que a variante da E.coli isolada nos pacientes não coincide com a variante identificada nos pepinos espanhóis do mercado de Hamburgo.

"Como antes, a fonte (do surto infeccioso) ainda não foi identificada", adiantou a senadora Prufer-Storks. O Instituto de Higiene de Hamburgo está a fazer testes a pepinos, tomates e alfaces recolhidos em mercados, lojas e restaurantes da cidade alemã. O objectivo é encontrar a fonte da infecção e, também, apurar o motivo para a contaminação dos pepinos.

Estão por efectuar duas análises num total de quatro, mas a senadora entendeu que "era importante publicar estes resultados, porque a infecção pode ter sido provocada por sujidade".

As declarações de Prufer-Storks sustentam as alegações dos produtores espanhóis, de Almeria e Málaga. Estes insistem que os pepinos não saíram contaminados da exploração, mas admitem que a contaminação poderá ter acontecido durante o transporte ou o armazenamento.

Em Portugal, o presidente da Federação Nacional das Organizações de Produtores de Frutas e Hortícolas (FNOP) considera que dificilmente os casos mortais de contaminação com a bactéria Escherichia coli têm relação com a produção de pepino.

"Estes agentes patogénicos não atacam os vegetais. Não é um produto transformado, é uma verdura que é colhida. Se houvesse algum problema seria por contaminações cruzadas. Por exemplo, através de um armazém, havendo uma contaminação superficial", declarou à Lusa Domingos dos Santos.

O responsável só vê oportunidade para contaminação durante o armazenamento. “Dificilmente terá sido o transporte, que é normalmente refrigerado. (Os legumes) podem não ter estado nas condições de armazenamento adequadas", acrescenta.

Número de casos de contaminação está a aumentar

A epidemia dos pepinos já matou 15 pessoas na Alemanha e uma na Suécia. A vítima sueca é uma mulher de 50 anos, que esteve na Alemanha, e faleceu hoje no hospital Sodra Alvsborgs de Boraas, perto de Goteborg, no Sudoeste da Suécia, onde tinha sido admitida domingo.

Depois da Alemanha, onde foram contaminadas 1400 pessoas, incluindo 570 em Hamburgo, a Suécia é o país com maior número de contaminações (39).

Um homem de nacionalidade espanhola, de 41 anos, está internado em estado grave, supostamente infectado.

Dinamarca, Grã-Bretanha, Holanda e Suécia registam também focos de infecção, mas todos os contaminados são cidadãos alemães ou turistas provenientes recentemente da Alemanha.

Deco lembra importância de lavagem dos legumes

Em Portugal não há registo de casos de contaminação por causa dos pepinos. Menos de 5 por cento dos casos de contaminação pela E.coli exigem hospitalização e, entre estes, entre 3 a 5 por cento são vítimas mortais.

"Muitas vezes as pessoas têm infecção alimentar por esta bactéria (Escherichia coli) e não são hospitalizadas. E a grande maioria dos casos relatados tem a ver com carne contaminada, porque é uma bactéria de origem fecal", declarou Nuno Dias, responsável da associação de defesa do consumidor Deco. A contaminação não é feita de pessoa a pessoa mas antes por contacto oral/fecal, nota o especialista.

No entanto, há cuidados de higiene diários que podem ajudar a prevenir infecções, como uma boa lavagem dos legumes ou frutos para consumo cru. "É também preciso evitar contaminações cruzadas na cozinha. Evitar que alguns alimentos contaminem outros que são consumidos crus. Manter uma boa higiene na cozinha", apela Nuno Dias.

O especialista em saúde pública Mário Durval nota que a estirpe da bactéria pode causar o rebentamento dos glóbulos vermelhos, uma ineficaz coagulação do sangue e saída pelos rins, bloqueando-os. O período de incubação da doença pode ir dos três aos oito dias.

Proibição de importação de pepinos gera altercações entre Espanha e Alemanha

Num conselho informal dos Ministros da Agricultura, na Hungria, a Espanha pediu a aprovação de uma declaração para afastar as suspeitas que recaem sobre o país.

A Alemanha recusou, alegando que não existem evidências sobre as causas do problema que já causou a morte a 16 pessoas, incluindo uma mulher sueca que esteve recentemente na Alemanha. "Primeiro é necessário perceber como surgiu esta situação" já que "ainda não existem evidências científicas sobre as causas do problema", relatou à Lusa uma fonte da delegação portuguesa.

Também Portugal "aguarda que o sistema europeu produza alguns resultados científicos", acrescentou esta fonte.

Quando as infecções começaram a causar vítimas, a Alemanha atribuiu a origem aos pepinos espanhóis. Na sequência deste anúncio, Áustria, a Bélgica e a Rússia decidiram fechar a porta a vários produtos espanhóis. As exportações dos horto fruticultores espanhóis para a Alemanha, que são destino de dois terços da produção, praticamente paralisaram.

A Espanha alega "danos irreparáveis" para a sua agricultura e considera que a medida é ilegal, tendo ameaçado processar a Alemanha e pedir uma indemnização pelos danos causados aos seus produtores de legumes e frutas.

Os responsáveis pela Agricultura da União Europeia acabaram por não fazer qualquer declaração sobre a contaminação e marcaram um conselho de ministros extraordinário para debater o assunto dentro de duas semanas.

Fonte: RTP

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