quinta-feira, outubro 06, 2011

Steve Jobs e a maçã dentada



"A Apple é o filho de Steve Jobs, é o resultado da sua curiosidade e imaginação sem limites"
“Maçãs, velas, flores e até mensagens do espaço. O mundo emocionou-se com a morte de Steve Jobs e milhares de pessoas quiseram homenagear o homem que mudou a forma de comunicar. Não era nem uma estrela de rock, nem um célebre líder político. Era um empresário, mas considerado tão brilhante e visionário, que a sua morte está a causar uma emoção global.”
Segundo a edição online do New York Times, um amigo da família explicou que Jobs morreu de complicações decorrentes da sua longa batalha contra um cancro do pâncreas.
Jobs, nascido em 1955, fundou a Apple em 1976 com o seu amigo Steve Wozniak. Liderou a empresa até Agosto último e fica associado a alguns dos mais populares e inovadores produtos informáticos da história, como o iPad, o iPhone e um dos primeiros computadores pessoais, o Apple II.
Filho de mãe norte-americana e pai sírio, Jobs foi dado para adopção e acolhido por um casal norte-americano de raízes arménias. Mais tarde, os pais biológicos acabaram por se casar e tiveram mais uma filha: a escritora Mona Simpson. Steve Jobs era casado com Laurene Powell e deixa quatro filhos.
Após um percurso académico irregular, abandonou a universidade e abraçou o seu próprio projecto empresarial, num percurso com altos e baixos em que chegou a ser afastado da Apple, mas que culminaria com a transformação da companhia tecnológica na maior empresa do mundo em termos de capitalização bolsista.
Durante a sua ausência da Apple fundou outra empresa de computadores, a Next, que acabou por ser comprada pela Apple - o que proporcionou, em 1996, o regresso de Jobs à companhia que fundara. Foi ainda durante esse período que adquiriu a Pixar ao realizador George Lucas e a lançou para o sucesso com o filme Toy Story. A empresa acabaria por ser comprada pela Disney, ficando Steve Jobs como accionista do gigante da animação.
Em 2003 descobriu que tinha cancro no pâncreas, tendo ainda recebido um transplante de fígado em 2009. Nos últimos anos já se tinha afastado várias vezes da liderança da Apple - no início a companhia começou por não admitir que fosse por causa do cancro -, mas só há dois meses Steve Jobs 'sugeriu' à administração o nome do seu sucessor, Tim Cook.
«Sempre disse que se chegasse o dia em que não conseguisse cumprir com as minhas funções e expectativas como presidente executivo da Apple, seria o primeiro a informar-vos. Infelizmente, esse dia chegou», escreveu no comunicado em que anunciou que a sua saúde se tinha deteriorado irremediavelmente.

D. Carlos, de Rui Ramos

«D. Carlos foi o primeiro rei de Portugal a morrer de morte violenta depois de D. Sebastião. Foi também um dos mais inteligentes reis do seu tempo, quando a Europa era ainda, com excepção da França e da Suíça, um conjunto de monarquias.»
“O Círculo de Leitores iniciou há meses a publicação das biografias dos monarcas portugueses. Tendo lido algumas das obras já disponíveis, verifiquei a assimetria da qualidade, embora a informação factual denote trabalho de pesquisa e em alguns casos coragem para uma análise interpretativa dos homens e acontecimentos.

Reservei estes últimos dias para a leitura da obra de Rui Ramos "D. Carlos I". É sem qualquer dúvida a melhor da série de biografias. Uma pesquisa exaustiva de factos e personalidades da época, entusiasma o leitor que ante os seus olhos revive a conturbada passagem de século em Portugal, que pouco teve de Belle Époque. Como Rui Ramos afirma, a riquíssima e multifacetada personalidade de D. Carlos torna difícil o cabal conhecimento do homem que em público sempre foi o príncipe e estadista. Ninguém o conheceu verdadeiramente e decorridos cem anos podemos dizer que o enigma permanecerá. Tal como Rocha Martins na sua obra D. Carlos I, as zonas nebulosas e a dúvida são constantes. É tambem inquietante a similitude dos processos que tal como ontem, envenenam o sistema partidário - e também rotativo, há que dizê-lo - português.


O Rei foi durante anos encorajado a tomar o caminho das reformas dolorosas e necessárias e quase teve êxito. Este "quase" leva-nos directamente às conclusões de Rui Ramos, onde o professor se interroga acerca do que teria acontecido a Portugal se os assassinos a soldo dos futuros vencedores do 5 de Outubro não tivessem conseguido alvejar o landau naquela fatídica tarde de Fevereiro. É bem certo que o século XX português teria sido bem diferente. Não teríamos hoje esta organização do Estado, esta bandeira e possivelmente estaríamos também muito mais próximos daquela Europa que interessa.”

Sobre D. Carlos I, encontrei ainda esta interessante página da Wikipedia.

Este livro pode ser encomendado ao Circulo de Leitores ou adquirido em qualquer livraria de Norte a Sul de Portugal, o preço varia entre os 20 € (edição de clube) ou os 25 € (de livraria - edição da Temas e Debates).

domingo, outubro 02, 2011

Protestos crescem de tom em Nova Iorque



“Mais de 700 pessoas do movimento de protesto “Occupy Wall Street” foram detidas na ponte de Brooklyn, em Nova Iorque, durante uma manifestação contra a crise, avançou a polícia.
A mesma fonte, citada pela edição online da BBC, concretizou que as 700 pessoas faziam parte de um grupo maior que estava a atravessar a ponte a partir de Manhattan, depois de terem estado acampados à porta da bolsa de Wall Street durante duas semanas, como forma de protesto contra a crise económica e financeira e a especulação dos mercados.
A polícia assegurou, contudo, que só deteve elementos que estavam a provocar um clima desordeiro. Os manifestantes desfilaram desde o Zucotti Park à ponte de Brooklyn e a polícia deteve centenas de pessoas quando obstruíram o trânsito num dos canais de acesso à ponte.
“Estávamos apenas aqui parados, dizendo o que achamos, a tentar caminhar pela ponte e os polícias apareceram de uma forma tumultuosa, empenhando os seus bastões sem motivo nenhum”, contou uma testemunha no local, citada pela BBC. “Começaram a escolher pessoas na linha da frente. Qualquer um nessa posição, preto, castanho, era atirado imediatamente para o chão. Quem tivesse a cara coberta com uma fita ou mesmo quem mostrasse sinais de paz era arrastado”, acrescentou.
Além de classificarem os banqueiros como “nazis”, e de defenderem que as pessoas estão antes do dinheiro, os manifestantes estão também contra a polícia que dizem protege os bilionários e Wall Street.
A detenção ocorre numa altura em que várias pessoas continuam acampadas em Wall Street e quando os protestos já se estendem a outras zonas do país. Um grupo de activistas concentrou-se em Washington, a capital federal dos Estados Unidos, adiantou a AFP e há também pessoas em Los Angeles.
Na sexta-feira a polícia já tinha detido 20 pessoas durante uma manifestação em Massachusetts, onde participaram 3000 pessoas, que decidiram ocupar alguns escritórios em Boston pertencentes ao Bank of America. Em São Francisco os protestos decorreram frente às instalações do Chase Bank, mas só houve seis detenções.
Nesse mesmo dia cerca de duas mil pessoas protestaram em Nova Iorque contra os efeitos da crise económica, desfilando desde a zona de Wall Street até ao quartel-general da polícia da cidade.”

Foi assim que o Público se referiu hoje à manifestação efectuada pelo Movimento Ocupa a Wall Street.
Basta!
É tempo dos governos deixarem de utilizarem o dinheiro das pessoas para pagarem as dívidas dos bancos.
Mais: Euronews e ainda The Atlantic

sábado, outubro 01, 2011

Anestesiados!



“Obedeçam!”
“Consumam!”
“Sejam felizes!”
“Está tudo bem!”
“O mundo é cor-de-rosa!”
“Submetam-se!”

- É extraordinário já dormem, parece que andam anestesiados, está tudo a resultar tão bem.
- São milhares, senão milhões de pessoas, que caem redondos a dormir, depois de ver alguns minutos de televisão.

“Eles já estão a dormir!”

O último aviso de Alessio Rastani



“Os Mercados são, agora, governados pelo Medo. Os investidores e o dinheiro a sério, o dinheiro informado, os grandes fundos, fundos de cobertura, instituições. Eles não acreditam neste plano de salvamento. Eles sabem que o Mercado está acabado.”
Alessio Rastani (corretor ou não corretor, eis a questão)

Alessio Rastani, um suposto corretor independente, tornou-se mundialmente famoso ao dizer, em entrevista à BBC, que sonhava com outra recessão para fazer mais dinheiro, assegurando que o mundo é controlado pela Goldman Sachs (principal banco de investimento dos EUA). Agora, e depois de outra entrevista, desta vez à ‘Forbes’, Alessio Rastani admitiu ao ‘Daily Telegraph’ ser um “aficionado” e um “charlatão”, desmentindo a BBC, que defendeu a sua credibilidade mesmo quando esta foi posta em causa pelos mais cépticos. Ainda assim, Rastani assegura: “Quis dizer tudo aquilo que disse.”

Sucedem-se os avisos (e as profecias), agora parece que não há volta a dar.

“Rastani: [...] Ele [o mercado] vai quebrar, e vai cair acentuadamente, porque os mercados são regidos actualmente pelo medo. Investidores e o “grande dinheiro”, o “dinheiro esperto” – eu estou falando sobre os grandes fundos, os fundos de cobertura [hedge funds], as instituições – eles não acreditam nesse plano de resgate, eles basicamente sabem que o mercado já era. Eles sabem que o mercado de acções está liquidado, eles nem se importam com o Euro. Eles estão movendo o dinheiro para activos mais seguros, como títulos do tesouro, títulos de 30 anos, e o Dólar americano, então, não vai funcionar.
BBC: Nós ouvimos a todo momento que o que quer que os políticos estejam sugerindo, muito nebuloso até agora, não está certo. Você poderia apontar o que faria os investidores felizes e mais confiantes?
Rastani: Essa é difícil… Pessoalmente, não importa, quer dizer, eu sou um negociador [trader], eu não me importo realmente com esse tipo de coisa. Eu vou com o que… Se eu vejo uma oportunidade de fazer dinheiro, eu vou atrás dela. Então, para a maioria dos negociadores, não é sobre… nós não nos importamos realmente em como eles vão consertar a economia, como consertarão a situação toda. Nosso trabalho é ganhar dinheiro com isso e, pessoalmente, eu tenho sonhado com este momento há três anos. Eu tenho uma confissão, que é: eu vou para a cama toda noite e eu sonho com outra recessão, eu sonho com outro momento como este. Porquê? Porque as pessoas talvez não pareçam se lembrar, mas a depressão dos anos 30 não foi somente a quebra do mercado. Havia pessoas que estavam preparadas para ganhar dinheiro com essa quebra e eu acho que qualquer um pode fazer isso. Não é apenas para algumas pessoas na elite, qualquer um pode ganhar dinheiro, é uma oportunidade. Quando o mercado quebrar, quando o Euro e as bolsas caírem, se você sabe o que fazer, se você tem o plano certo preparado, você pode ganhar muito dinheiro com isso. Por exemplo, estratégias de cobertura, ou investir em títulos, títulos do tesouro, esse tipo de coisa.
BBC: Se você pudesse ver as pessoas a meu redor, todas boquiabertas com o que você acabou de dizer… Digo, nós apreciamos sua honestidade, no entanto isso não ajuda o resto de nós, não é, ou o resto da zona do Euro.
Rastani: Escute, eu direi isso a todos que estão nos assistindo. Esta crise económica é como um cancro. Se você apenas esperar e esperar pensando que isso vai embora, assim como um cancro, isso vai crescer e vai ser tarde demais. O que eu diria para todo mundo é: preparem-se. Este não é o momento de ficar desejando que o governo dê um jeito. Os governos não mandam no mundo, a Goldman Sachs manda no mundo. A Goldman Sachs não liga para esse pacote de resgate, nem os grandes fundos. Então, na realidade… Eu quero ajudar as pessoas, as pessoas podem ganhar dinheiro com isso, não apenas os negociadores. O que eles devem fazer é aprender sobre como ganhar dinheiro em um mercado em queda. A primeira coisa que as pessoas deveriam fazer é proteger seus activos, proteger o que elas têm, pois em menos de doze meses, a minha previsão é que as economias de milhões de pessoas irão desaparecer. E é só o começo. Então, eu diria, estejam preparados e ajam agora. O maior risco que as pessoas podem tomar agora é o de não agir.” 

Como foi possível chegarmos a uma situação destas?
Penso que há muito que tudo isto estava pensado, premeditado, com anos e anos de antecedência.
Todos nós gostaríamos que tudo voltasse ao que era dantes…
Só encontro paralelo para uma situação como esta. Depois dos anos loucos da década de 20 e do American Way of Life, sobreveio o crash bolsista de 1929, daí à grande depressão, foi um pequeno passo até ao fascismo, ao nazismo e ao comunismo e à loucura que levou à II Guerra Mundial…
Deja vú, meus caros.
Mais em: Público e em RTP
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