terça-feira, outubro 16, 2007

«Trova do Vento que Passa»

Pergunto ao vento que passa
notícias do meu país
e o vento cala a desgraça
o vento nada me diz.
o vento nada me diz.

La-ra-lai-lai-lai-la, la-ra-lai-lai-lai-la, [Refrão]
La-ra-lai-lai-lai-la, la-ra-lai-lai-lai-la. [Bis]

Pergunto aos rios que levam
tanto sonho à flor das águas
e os rios não me sossegam
levam sonhos deixam mágoas.

Levam sonhos deixam mágoas
ai rios do meu país
minha pátria à flor das águas
para onde vais? Ninguém diz.

[Se o verde trevo desfolhas
pede notícias e diz
ao trevo de quatro folhas
que morro por meu país.

Pergunto à gente que passa
por que vai de olhos no chão.
Silêncio -- é tudo o que tem
quem vive na servidão.

Vi florir os verdes ramos
direitos e ao céu voltados.
E a quem gosta de ter amos
vi sempre os ombros curvados.

E o vento não me diz nada
ninguém diz nada de novo.
Vi minha pátria pregada
nos braços em cruz do povo.

Vi minha pátria na margem
dos rios que vão pró mar
como quem ama a viagem
mas tem sempre de ficar.

Vi navios a partir
(minha pátria à flor das águas)
vi minha pátria florir
(verdes folhas verdes mágoas).

Há quem te queira ignorada
e fale pátria em teu nome.
Eu vi-te crucificada
nos braços negros da fome.

E o vento não me diz nada
só o silêncio persiste.
Vi minha pátria parada
à beira de um rio triste.

Ninguém diz nada de novo
se notícias vou pedindo
nas mãos vazias do povo
vi minha pátria florindo.

E a noite cresce por dentro
dos homens do meu país.
Peço notícias ao vento
e o vento nada me diz.

Quatro folhas tem o trevo
liberdade quatro sílabas.
Não sabem ler é verdade
aqueles pra quem eu escrevo.

Mas há sempre uma candeia
dentro da própria desgraça
há sempre alguém que semeia
canções no vento que passa.

Mesmo na noite mais triste
em tempo de servidão
há sempre alguém que resiste
há sempre alguém que diz não.

Um poema de Manuel Alegre, cantado por Adriano Correia de Oliveira

domingo, outubro 14, 2007

Blade Runner - Perigo Eminente, de Ridley Scott

Blade Runner – Perigo Eminente, filme de ficção científica realizado por Ridley Scott em 1982, uma visão negra e futurista de Los Angeles, em Novembro de 2019.

O argumento, escrito por Hampton Fancher e David Peoples, baseia-se na novela «Do Androids Dream of Electric Sheep?» de Philip K. Dick.

O protagonista é Harrison Ford, no papel de Deckard, um detective da polícia de Los Angeles. "Blade Runner – Perigo Eminente", conta ainda com a participação de Rutger Hauer, Sean Young, Edward James Olmos, M. Emmet Walsh e Daryl Hannah. Os cenários foram concebidos por Syd Mead e a banda sonora é de Vangelis.

«A Guerra Mundial deixara a Terra devastada.

Através das suas ruínas o caçador de prémios Rick Deckard caminhava sorrateiro à procura da sua presa – um andróide renegado.

Quando não os estava a «retirar» com o seu laser, Deckard sonhava em possuir um animal vivo – o último símbolo de status num mundo completamente privado de vida não humana.

Num dia gélido de Janeiro Rick viu a sua oportunidade.

Estava destacado para matar seis andróides Nexus-6.

Mas, no seu mundo, as coisas nunca eram assim tão simples.

A sua nomeação depressa se transformou num caleidoscópio de pesadelo, subterfúgio e fraude – e na ameaça de morte que pairava mais sobre o caçador do que sobre os caçados.», Philip K. Dick

O filme descreve um futuro, em que a Humanidade inicia a colonização espacial, criando seres geneticamente alterados – andróides - utilizados em tarefas pesadas, perigosas ou degradantes nas novas colónias. Fabricados pela Tyrell Corporation, como sendo "Mais Humanos que os Humanos", os modelos Nexus-6 são fisicamente idênticos aos humanos, mas são mais fortes e ágeis. Devido a problemas de instabilidade emocional e reduzida empatia, os Andróides são sujeitos a um desenvolvimento agressivo, pelo que o seu período de vida é limitado a 4 anos.

Após um motim, a presença dos Andróides na Terra é proibida, sendo criada uma força policial especial - Blade Runners — para os caçar e "aposentar" (matar).



No filme conta-se como um ex-Blade Runner - Deckard (Harrison Ford) - é levado a voltar ao activo para caçar um grupo de Andróides, que se revoltou e veio para a Terra à procura do seu Criador, para tentar aumentar o seu período de vida e escapar da morte que se aproxima.

Sendo inicialmente mal recebido nas salas de cinema, cedo se tornou claro que a partir do filme é possível obter múltiplas leituras filosóficas ou religiosas sobre temas recorrentes: Quem somos? De onde viemos? Para onde vamos? O que nos torna humanos? Esta atracção, bem como o impacto visual de uma atmosfera cyberpunk, tipo filme negro, associada à música de Vangelis, cedo fizeram de Blade Runner, um filme de culto, tendo sido um dos primeiros a serem editados em DVD.

Em Julho de 2000, Ridley Scott declarou, em entrevista à TV britânica, que o personagem Deckard também era um Andróide.



O filme teve problemas com os produtores, que teriam alterado a edição final e obrigado Harrison Ford, a fazer uma narração de última hora, para melhor explicar o enredo, considerado muito complicado para o público. Anos depois, o realizador Riddley Scott relançaria por duas vezes, em momentos diferentes, o filme com a sua versão, a chamada "versão do realizador".


Mário Nunes (Portugal), em parceria com Paulo W. (Brasil), autor do Blogue Marginália


sábado, outubro 13, 2007

quinta-feira, outubro 11, 2007

Robert Silverberg, 3 Obras e Perspectivas Diferentes

Labirinto, de Robert Silverberg, nº 5, na livros de bolso, da colecção de ficção científica, da Europa América, preço 6,99 €

Muller fora enviado a espiar a primeira raça alienígena encontrada pela humanidade. Mas os alienígenas descobriram-no e lançaram sobre ele uma terrível maldição que o envolvia e tornava intolerável a presença de Muller para os seus companheiros e destes para Muller.


Regresso à Vida, de Robert Silverberg, nº 29, na livros de bolso, da colecção de ficção científica, da Europa América, preço 6,99 €

Regresso à Vida é umas das suas narrativas mais provocantes.

Examina as colossais implicações morais e legais dos primeiros passos dados pelo homem em direcção à imortalidade – a descoberta de um processo que pode trazer os mortos novamente para a vida.


As Crónicas de Majipoor, de Robert Silverberg,, nºs 59 e 60, na livros de bolso, da colecção de ficção científica, da Europa América, preço 6,99 €

No Palácio dos Registos, em Majipoor, existe a Sala das Almas. Aí estão guardados segmentos telepáticos contendo Histórias vividas ao longo dos séculos por milhões de Homens e Mulheres. O jovem Hissune vai viajar de memórias em memória revivendo, como se as suas fossem, a multiplicidade dessas experiências: as crónicas de um planeta.



Os Livros de Bolo, colecção de ficção científica, da Europa América, praticamente desapareceram dos escaparates, das tabacarias, não se encontram nas prateleiras dos hipermercados e eventualmente só numa livraria bem apetrechada poderemos encontrar alguns títulos desta colecção, já editados há alguns anos.

As capas eram belíssimas e o seu conteúdo lia-se de um fôlego…

Porque, as novidades da Ficção Científica, só em inglês, em edições importadas vindas dos EUA ou do Reino Unido.

E depois digam que não se lê em Portugal!

Mas, pode ser que as coisas se invertam, porque a escritora inglesa Doris Lessing, que ganhou o prémio Nobel de Literatura 2007, publicou algumas obras em que fazia uma incursão pela ficção científica (Canopus em Argos: Arquivos).

Texto – Mário Nunes

http://www.europa-america.pt

quarta-feira, outubro 10, 2007

Elvis Presley, It's Now or Never




It's Now Or Never ("É agora ou nunca" em português) é uma canção que tornou-se em um dos maiores êxitos da carreira de Elvis Presley; é uma versão do clássico italiano chamado O Sole Mio, composta no fim do século XIX no ano de 1898, sendo que em 1901 foi reconhecida oficialmente; A versão de Elvis é datada de 1960 sendo lançada em single com "A Mess Of Blues" no "lado b". Atingiu a primeira posição da Billboard em Agosto de 1960.



It’s Now or Never

Its now or never,
Come hold me tight
Kiss me my darling,
Be mine tonight
Tomorrow will be too late,
Its now or never
My love wont wait.

When I first saw you
With your smile so tender
My heart was captured,
My soul surrendered
Id spend a lifetime
Waiting for the right time
Now that your near
The time is here at last.

Its now or never,
Come hold me tight
Kiss me my darling,
Be mine tonight
Tomorrow will be too late,
Its now or never
My love wont wait.

Just like a willow,
We would cry an ocean
If we lost true love
And sweet devotion
Your lips excite me,
Let your arms invite me
For who knows when
Well meet again this way

Its now or never,
Come hold me tight
Kiss me my darling,
Be mine tonight
Tomorrow will be too late,
Its now or never
My love wont wait.


terça-feira, outubro 09, 2007

Postais Ilustrados do Rio de Janeiro (2)


Mais palavras, para quê!?
É a Cidade Maravilhosa, que dá pelo nome de Rio de Janeiro e que tem 442 anos de História e que surge aqui mais uma vez, através da colecção de postais ilustrados enviados pelo Alexandre.

domingo, outubro 07, 2007

Postais Ilustrados do Rio de Janeiro (1)

O Rio de Janeiro é a segunda maior metrópole do Brasil, quarta maior da América Latina e a capital do estado homónimo, situada no sudeste do país. É a cidade brasileira mais conhecida no mundo e funciona como um "espelho", um "retrato" do Brasil, seja positiva ou negativamente.



Foi capital do Império Português na época das invasões de Napoleão, capital do Império do Brasil, e capital da República até a inauguração da cidade de Brasília, na década de 60.

A cidade é conhecida também como Cidade Maravilhosa e aquele que nela nasce é chamado de carioca.


Postais enviados pelo amigo Alexandre, após visita à cidade maravilhosa...

sábado, outubro 06, 2007

Ernesto “Che” Guevara, Hasta la Victoria, Siempre!

Ernesto “Che” Guevara – (1928-1967) - Nasceu em Rosario, Argentina, licenciou-se em Medicina. Sofria de asma. Com o derrube do Presidente da Guatemala, Jacobo Arbenz, pela CIA, convenceu-se de que a via violenta era a única maneira de realizar mudanças.

No México comprometeu-se com os irmãos Castro a participar na revolução cubana. Foi ministro da indústria, presidente do Banco Nacional de Cuba e interveio na Reforma Agrária. Desapareceu da vida cubana em 1965, esteve em África e morreu a combater na Bolívia.


Quarenta anos depois da sua morte na Bolívia, a 9 de Outubro de 1967, Che Guevara é adorado como um ícone em Cuba e na América Latina.


Hugo Chavez (Venezuela), Rafael Correa (Equador) e Evo Morales(Bolívia) prestam actualmente homenagem ao guerrilheiro barbudo e de ideais românticos.

Mas, das suas palavras encontramos sempre a referência à nacionalização e controlo musculado, por parte do estado, do petróleo e do gás natural e aos direitos humanos dos indígenas e não a questões dialécticas do materialismo dialéctico e do Marxismo.


A América Latina mudou muito depois da morte de Guevara. As guerras civis e as ditaduras militares conduziram a região a um beco sem saída.


Após, a passagem pelo governo cubano, “El Che” parte para o Congo, onde se encontra com Kabila. Após o fracasso dos combates no Congo, parte para a Bolívia onde tenta estabelecer uma base guerrilheira para lutar pela unificação dos países da América Latina. Enfrenta dificuldades com o terreno desconhecido e em conquistar a confiança dos camponeses. É finalmente cercado e capturado no dia 8 de Outubro de 1967 e executado no dia seguinte pelo soldado boliviano Mário Terán, a mando do Coronel Zenteno Anaya, na aldeia de La Higuera. Os boatos que cercaram a execução de Che Guevara levantaram dúvidas sobre a identidade real do guerrilheiro, que utilizava documentos uruguaios falsos. A confusão estabelecida em torno do caso culminou no desaparecimento do seu corpo, que só foi encontrado trinta anos depois.


Em 1997, os seus restos mortais foram encontrados por investigadores forenses, numa vala comum, junto a outras ossadas, na cidade de Vallegrande, a 50 Km do local, onde ocorreu a sua execução. As suas ossadas foram transferidas para Cuba, onde, a 17 de Outubro serão enterradas com honras de Estado, na presença de membros da sua família e do líder cubano e antigo companheiro de revolução Fidel Castro.


Esboço de bibliografia organizada por ordem cronológica das primeiras edições em Portugal e/ou no Brasil.

  • Diário - Ernesto Che Guevara - Lisboa, Editora Ática, 1975
  • Poemas a Guevara - Egito Gonçalves (org.) - Porto, Editora Limiar, 1975
  • Cuba - Guerra Revolucionária - Ernesto Che Guevara - Lisboa, Edições 70, 1975
  • Viagem Pela América - Ernesto Che Guevara - Lisboa, Edições Dinossauro, 1996
  • Os Meus Anos com o Che - Hilda Gadea - Lisboa, Edições Dinossauro, 1996
  • O Ano em que Estivémos em Parte Nenhum - Félix Guerra, Froilán Escobar e Paco Ignacio Taibo II - Porto, Editora Campo das Letras, 1996
  • Che Guevara: A Vida em Vermelho - Jorge G. Castaneda - São Paulo, Companhia das Letras, 1997
  • Ernesto Che Guevara - Homem do Século XIX ou do Século XXI? - José Fernandes Fafe - Porto, Edições Dividendo, 1997
  • Presença de Che Guevara - Wilson Barbosa - Rio de Janeiro, Editora Quartet, 2000
  • Quem Matou Che Guevara - Saulo Gomes - São Paulo, Editora Elevação, 2002
  • Outra Vez - Ernesto Che Guevara - Rio de Janeiro, Editora Ediouro, 2003; Porto, Editora Ausência, 2003
  • A Utopia segundo Che Guevara - Viriato Teles - Porto, Editora Campo das Letras, 2005
  • Como o Che Enganou a CIA - José Gómez Abad - Editora Avante!, SA, Lisboa - 2006

Links

sexta-feira, outubro 05, 2007

5 de Outubro de 1910 - Uma Data para Todos Recordarmos


05 de Outubro de 1910 - A Proclamação da República


O movimento revolucionário de 5 de Outubro de 1910 deu-se em natural sequência da acção doutrinária e política que, desde a criação do Partido Republicano, em 1876, vinha sendo desenvolvida. Aumentando a contraposição entre a República e a Monarquia, a propaganda republicana fora sabendo tirar partido de alguns factos históricos de repercussão popular: as comemorações do centenário da morte de Camões, em 1880 e o Ultimatum inglês, em 1890, foram aproveitados pelos defensores das doutrinas republicanas que se identificaram com os sentimentos nacionais e aspirações populares.
Durante muitos anos pensava-se que só depois de uns dois anos de fome, quando o povo começasse a queimar repartições da Fazenda, houvesse revolução em Portugal.
Em 1910, o País passava fome, os operários faziam greves, nas cidades vivia-se mal e os agricultores e o interior de Portugal estavam na miséria.

El Rei D. Carlos I

A classe média indignava-se com o escândalo do Crédito Predial, com as mordomias do Rei, da Nobreza, da Burguesia endinheirada e com as políticas seguidas pelo governo de então - monarquia constitucional - que tinha sacrificado as políticas de expansão e desenvolvimento do país, a favor da Inglaterra, França e Alemanha.

5 de Outubro de 1910, resistência popular no Rossio

Um século depois encontramos estranhos paralelismos e a história repete-se mais uma vez, a agricultura está de rastos, a indústria agoniza, o comércio encontra-se nas mãos dos espanhois e das grandes superfícies, o Estado ameaça encerrar serviços públicos. Hoje, o governo de Lisboa sacrifica o País, satisfazendo os caprichos de Bruxelas e as ordens do Banco Central Europeu.

Regicídio de 1 de Fevereiro de 1908

Mas, voltemos ao ano de 1910, nessa altura o País vivia da agricultura, a Indústria praticamente não existia e dalguns proveitos, que vinham de Angola, Moçambique e das restantes possessões ultramarinas. Estava em curso, uma revolução não só de massas, mas também importantes transformações na área dos transportes. O Caminho de Ferro dava os primeiros passos chegando a alguns locais do país. As cidades começaram a ser pecorridas por eléctricos, que vieram substituir os veículos puxados por tracção animal e em Coimbra surgiram as primeiras carreiras de camionetas.
D. Carlos I foi assassinado a 1 de Fevereiro de 1908, D Manuel II deposto a 5 de Outubro de 1910 e exilado com a família real.

Cartaz monarquico

Cronologia Breve da Revolução em Lisboa
2 de Outubro - Os republicanos marcam a revolução para a 1 hora do dia 4.
3 de Outubro - Assassinato de Miguel Bombarda.
20 horas - Última reunião dos conspiradores na Rua da Esperança.
4 de Outubro
01:15 - 04:15 - Revoltas no Quartel de Infantaria 16 (Campo de Ourique), Artilharia 1 (Campolide) e Quartel da Marinha.
05:00 - Acampamento da Rotunda.
07:00 - Cândido dos Reis é encontrado morto.
08:00 - 09:00 - Os oficias do Exército abandonam a rotunda.
10:00 - Grupo de 50 manifestantes é recebido a tiro nos Restauradores.
12:30 - 16:00 - Paiva Couceiro ataca a rotunda.
14:00 - Os navios S. Rafael e Adamastor bombardeiam o Palácio das Necessidades.
16:00 - A Marinha bombardeia o Terreiro do Paço.
21:00 - O navio D. Carlos cai nas mãos dos republicanos.
05 de Outubro
Subvelação popular
06:00 - 07:00 Duelos de artilharia na Avenida.
08:00 - 09:00 Insubordinação das tropas no Rossio. A República é proclamada na Câmara Municipal de Lisboa.
Em 05 de Outubro de 1910, a Monarquia deu o lugar à República e à Esperança.


Resistência popular contra a Monarquia, o povo saiu à rua e a população pegou em armas contra a monarquia e os previlégios duma minoria.
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