domingo, maio 27, 2012

A surpresa de Merkel


Como Merkel surpreendeu Sarkozy e meio mundo...
Ah, agora estou a ver porque motivo Passos Coelho e Sócrates foram apanhados pela chancelarina...

Lagarde e os jovens licenciados de Harvard



Uma semana antes da polémica grega, a Directora do FMI alertou os jovens diplomados de Harvard para o nível elevado de desemprego, lamentando que a sua geração não possa oferecer melhores perspectivas.
«A vossa geração está confrontada com a pior insegurança económica desde há décadas, talvez mesmo desde a Grande Depressão» [anos subsequentes ao ‘crash’ bolsista de 1929 nos Estados Unidos], afirmou Lagarde, durante a cerimónia de entrega de diplomas da Escola de Ciência Política Harvard Kennedy School, em Cambridge, no Estado norte-americano do Massachusetts, no Nordeste dos EUA.
«Basta observar alguns sinais: a incapacidade de encontrar um trabalho sério por 75 milhões de jovens no mundo; a subida das desigualdades, que impõe tensões no pacto que liga as nossas sociedades; o receio de que o motor da economia mundial não esteja à altura como esteve no passado», detalhou a dirigente do FMI.
«Gostaria que a nossa geração vos pudesse transmitir imediatamente uma melhor herança. Mas, agora, é a vossa vez de colocar em acção o vosso talento, a vossa determinação e o vosso idealismo para ultrapassar estas dificuldades», acrescentou Lagarde.
A taxa de desemprego entre os diplomados do ensino superior, com 4,3 por cento, é inferior ao do resto da população. Não obstante, os diplomados que procuravam um emprego em 2011 ascendiam a três milhões, o que representou metade dos desempregados nos EUA.

Christine Lagarde e a polémica grega


Para Christine Lagarde, se as crianças gregas estão a ser afectadas pelos cortes na despesa pública, os pais têm de assumir a responsabilidade: “Os pais têm de pagar os seus impostos”, disse.

“Penso mais nas crianças de uma escola numa pequena aldeia no Níger que têm duas horas de aulas por dia e têm de dividir uma cadeira por três”, comparou Lagarde quando questionada sobre como conseguia não pensar nas mães que não têm acesso a parteiras ou em pacientes que não conseguem obter medicamentos de que precisam para sobreviver. “Tenho-as sempre na minha mente, porque acho que precisam mais de ajuda do que as pessoas em Atenas.”
“Sabe que mais?”, questionou a directora-geral do FMI. “Também penso naquelas pessoas que estão sempre a tentar fugir aos impostos, em todas essas pessoas na Grécia que estão a tentar fugir aos impostos”, prosseguiu Lagarde, acrescentando pensar nesses “da mesma forma” que pensa nos que estão a ser privados de serviços públicos.
“Acho que se deviam ajudar uns aos outros”, concluiu. Como? “Pagando impostos.” Para Lagarde, chegou o tempo de a Grécia e outros países europeus pagarem.

Siga a polémica no original Guardian

sábado, maio 26, 2012

Vigília pelo Hospital dos Covões


Defender as Urgências do Hospital dos Covões
Defender o Serviço Nacional de Saúde

26 Maio - Sábado - 15 Horas
VIGÍLIA
Em frente ao Hospital dos Covões

Como sabem, o encerramento mais recente anunciado em Coimbra (já não é uma fábrica ou outra empresa) agora, é o Serviço de Urgências do Hospital do Covões, entre as 20h e as 9 horas a partir do próximo dia 28/06.

·        Trata-se de um Serviço de excelência, com todas as condições técnicas e humanas a quem muitos cidadãos, nomeadamente, os da parte sul da região (sul do Distrito de Coimbra e norte do de Leiria) recorrem;

·        Neste Serviço, foram investidos – e bem – milhões de € na sua remodelação e modernização;

·        O seu pleno funcionamento abrange milhares de Cidadãos  e contribui em muito para o prestígio dos cuidados de saúde em Coimbra e do SNS;

·        O argumento “falso” de proximidade com as urgências dos HUC e que estas só por si serão suficientes, não é sério, tanto mais que – coincidência ou não – foi inaugurada uma unidade privada de saúde com todas as valências 24 h/dia, praticamente às portas dos HUC.

Estes são apenas quatro motivos fortes para o envolvimento de todos.
O fecho nocturno da Urgência do Hospital dos Covões, recentemente integrado no Centro Hospitalar Universitário de Coimbra, é objecto de uma vigília, em S. Martinho do Bispo, convocada para a tarde de sábado (26), pelo Movimento de Utentes dos Serviços Públicos.
A partir de segunda-feira (28), das 20h00 às 09h00, o CHUC terá a funcionar apenas a Urgência dos antigos Hospitais da Universidade de Coimbra.

segunda-feira, maio 21, 2012

Eclise anelar do Sol avistado desde a China aos EUA



Milhões de pessoas assistiram a um espectáculo único entre domingo e segunda-feira, quando um eclipse solar anular, um fenómeno raro, no qual a Lua passa diante do Sol, deixando visível um "anel de fogo", cruzou o Pacífico da Ásia até os Estados Unidos.
O eclipse anular foi visível, primeiro na China, Taiwan e Japão, onde já era madrugada de segunda-feira. Em seguida, atravessou o Pacífico até chegar à região oeste dos Estados Unidos, onde pôde ser visto da Califórnia ao Texas, no entardecer de domingo.
"Foi impressionante", disse o estudante Marcos Doporto em Albuquerque, Nuevo México (sudoeste), uma das maiores cidades dos Estados Unidos situada na rota exacta deste eclipse parcial do Sol, visível durante quatro minutos em seu ponto culminante.
Um eclipse anular ocorre quando a Lua passa diante do Sol, mas está longe demais da Terra para bloqueá-lo completamente, deixando visível um "anel de fogo".
Na Ásia, nuvens em grande parte do sudeste da China impediram uma visão clara, embora os madrugadores de Hong Kong tenham conseguido ver uma pequena parte do eclipse anular.
No entanto, muitos em Tóquio puderam apreciar o belo espectáculo. A capital japonesa, onde moram 30 milhões de pessoas, teve a primeira visão do fenómeno em 173 anos. O fenómeno desencadeou uma grande venda de pacotes turísticos para a ocasião e de óculos especiais para a observação.
Para quem não conseguiu testemunhar pessoalmente, os canais de televisão mais importantes do país exibiam o fenómeno ao vivo.
A Panasonic enviou uma expedição ao topo do monte Fuji, a montanha mais alta do Japão, com 3.776 metros, para filmar o fenómeno usando equipamentos de energia solar.
Em Hong Kong, milhares de madrugadores foram até o passeio marítimo Victoria Harbour com a esperança de ver o espectáculo, mas o céu encoberto só permitiu que apreciassem o fenómeno por um minuto.
Um dos melhores lugares da América do Norte para ver o eclipse completo era a cidadezinha de Kanarraville, em Utah (oeste), onde a população local de 350 pessoas recebeu a visita de milhares de observadores.
Em Los Angeles, milhares de pessoas se reuniram para ver o eclipse mais espectacular da cidade em 20 anos no Observatório Griffith, localizado em uma colina com vista para a cidade, perto do emblemático letreiro de Hollywood.

A força do pensamento de José Saramago

"Nós, os seres humanos, matamos mais que a morte.", José Saramago dixit.

O Colapso Grego



“O ministro alemão das Finanças, Wolfgang Schäuble, sublinhou hoje que a Grécia precisa de implementar os planos de austeridade acordados com a União Europeia e Fundo Monetário Internacional e que a solidariedade europeia «não é uma rua de sentido único».
«Dizer aos gregos que eles não precisam de aplicar os programas é mentir à população», afirmou o ministro ao semanário Bild am Sonntag.
O governante salientou que as medidas terão de ser aplicadas e que não há retorno no plano porque as reformas são necessárias em qualquer caso.
Wolfgang Schäuble garantiu também não ir interferir nas eleições legislativas de 17 de Junho depois da impossibilidade dos partidos gregos formarem um governo de coligação, mas disse que o caminho escolhido pela Grécia e pelos parceiros europeus tem de ser seguido pelo povo.”
Fonte: Lusa

Está bom de ver até onde tem levado a austeridade proposta aos países periféricos do Sul da Europa, pelo FMI, pela União Europeia e pelo Banco Central Europeu. À verdadeira asfixia de pessoas singulares e empresas. Os pobres estão cada vez mais pobres e os ricos cada vez mais ricos.
A Europa das Nações é um projecto cada vez mais comprometido pelo Centralismo Alemão. A pouco e pouco, o IV Reich vai tomando forma e ganhando vida, enquanto os velhos estados nação como Portugal, a Irlanda, a Itália, a Grécia e a Espanha definharão. Esperem e verão…
A ideia do Ocidente tal como o como o conhecemos hoje poderá estar por um fio. Pois, tudo se parece sobrepor aos interesses da Banca, do Mercado e do Dinheiro. Comprometidas estarão em nome do Mercado, a independência, a soberania dos povos e a Democracia, que nada parecem dizer ao Eixo Paris-Bruxelas-Berlim.
Por estes dias, a Grécia trava uma dura batalha decisiva (mais uma!), contra as trevas, a ignorância e a apatia que tomaram conta de nós. Recordemos que foi na Grécia que nasceu a Democracia, provavelmente será na Grécia que ela poderá ser sepultada.

quinta-feira, maio 17, 2012

O Mar, de Pablo Neruda


Um ser único, nem sangue.
Uma só caricia, morte ou rosa.
Vem o mar e junta as nossas vidas
e sozinho investe e reparte-se e canta
na noite no dia no homem na criatura.
A essência; fogo e frio; movimento.

Pablo Neruda

terça-feira, maio 15, 2012

Novo planeta encontrado no nosso sistema solar?


Muito, me tem espantado ultimamente, a insuspeita revista da National Geographic Society (versão inglesa), então parece que o nosso Sistema Solar não será aquilo que aparenta ser?… Poderá ser muito maior ou estarão para nos apresentar brevemente um sistema binário?
Para lá dos plutoídes ou planetas secundários, muito para lá de Neptuno ou Plutão, suponha-se que existiam um planeta joviano com quatro vezes a massa de Júpiter (Thetys?) e cinco plutoídes (todos estes planetas foram  descobertos há muito pouco tempo).

Esperem lá, há aqui uma coisa que não entendo…

Como é possível detectar planetas e outros corpos celestes a centenas de anos-luz?
No entanto não conseguimos enxergar direito o que se passa nas fronteiras do nosso Sistema Solar. Como é possível?
Desculpem lá mas algo não bate certo. Ah, concordam comigo!?

No entanto eis que nos anunciam a bomba…
Um planeta ainda não descoberto pode estar orbitando nas franjas escuras do sistema solar, de acordo com uma nova pesquisa.

Muito longe para ser facilmente localizado por telescópios, o planeta potencial invisível parece estar a fazer sentir a sua presença por perturbar as órbitas dos chamados objectos do cinturão de Kuiper, disse Rodney Gomes, um astrónomo do Observatório Nacional do Brasil no Rio de Janeiro.

Objectos do cinturão de Kuiper são pequenos corpos de gelo, incluindo alguns planetas anões, que se encontram além da órbita de Neptuno.


Uma vez considerado o nono planeta do nosso sistema, o planeta anão Plutão, por exemplo, é um dos maiores objectos da Cintura de Kuiper, com cerca 2.300 quilómetros de largura. Dezenas de outros objectos tem centenas de quilómetros de diâmetro, e mais estão sendo descobertos a cada ano.

O que é intrigante, Rodmey Gomes disse, é que, de acordo com seus novos cálculos, cerca de meia dúzia de objectos de cinturão de Kuiper, incluindo o corpo remoto conhecido como Sedna estão em órbitas estranhas em relação a onde deveriam estar, com base nos actuais modelos de sistemas solares.

Órbitas dos objectos inesperados tem algumas explicações possíveis, disse Gomes, que apresentou suas conclusões terça-feira em uma reunião da Sociedade Astronómica Americana, em Timberline Lodge, Oregon.

"Mas acho que o mais fácil é um companheiro planetário-massa solar", um planeta que orbita muito longe do sol, mas que é enorme o suficiente para ser ter efeitos gravitacionais sobre objectos do cinturão de Kuiper.



Para o novo trabalho, Gomes analisou as órbitas de 92 objectos do cinturão de Kuiper, e depois comparou os  seus resultados com os modelos computacionais de como os corpos devem ser distribuídos, com e sem um planeta adicional.

Se não há mundo distante, conclui Gomes, os modelos não produzem as órbitas altamente alongadas que vemos em seis dos objectos.

Como exactamente o grande corpo planetário pode não ser é claro, mas há um monte de possibilidades, Gomes acrescentou.

Baseado em seus cálculos, Gomes acredita que um mundo do tamanho de Neptuno, cerca de quatro vezes maior que a Terra, orbitando a225 bilhões de quilómetros de distância do sol, mais cerca de 1.500 vezes que a Terra - faria o truque.

Mas isso seria uma órbita altamente alongada que ocasionalmente traria o seu séquito para dentro de 5 bilhões de quilómetros a 8 bilhões de quilómetros do sol.


Gomes especula que o objecto misterioso pode ser um planeta desonesto que foi expulso do seu sistema com a própria estrela (anã vermelha? ou anã castanha?) e, posteriormente, capturado pela gravidade do sol.

Ou o planeta  poderia ter-se formado mais próximo ao nosso Sol, só que foi lançado fora por encontros gravitacionais com outros planetas.

No entanto, na verdade, encontrar um mundo assim seria um desafio.

Além disso, as simulações de Gomes não apontam aos astrónomos qualquer indício a respeito de para onde apontar seus telescópios "que pode estar em qualquer lugar", disse ele.

Outros astrónomos estão intrigados, mas dizem que vão querer uma prova muito mais consistente antes de concordarem que o sistema solar tem de novo nove planetas.

"Obviamente, encontrar um outro planeta no sistema solar é uma grande descoberta", disse Rory Barnes, astrónomo da Universidade de Washington. Mas, acrescentou, "Eu não acho que ele realmente tem alguma evidência que sugere que ele está lá fora."

Em vez disso, ele acrescentou, Gomes "traçou um caminho para determinar como um planeta capaz de esculpir peças de nosso sistema solar. Assim, enquanto, sim, a prova ainda não existe, eu pensei que o maior ponto foi que ele nos mostrou que existem maneiras de encontrar essas evidências. "

Douglas Hamilton, um astrónomo da Universidade de Maryland, concorda que as novas descobertas estão longe de serem definitivas.

"O que ele mostrou em seus argumentos de probabilidade é que ele é ligeiramente mais provável. Ele não tem uma arma fumegante ainda."

E Hal Levison, um astrônomo do Southwest Research Institute em Boulder, Colorado, diz que não é certo o que fazer com conclusão de Gomes.

"Parece surpreendente para mim que um companheiro tão pequeno como Neptuno poderia ter o efeito que ele vê", disse Levison.

Mas "Eu sei que Rodney sabe, e tenho certeza que ele fez os cálculos direito."

segunda-feira, maio 14, 2012

Chemtrails, uma guerra silenciosa


Sequência de imagens dos satélites modis terra e modis aqua em orbita sincronizada com o Sol a 835 Km de altura com imagens do satélite geo-estacionário meteo9 do Eumetsat a 36000 Km de altitude, de 15 de Abril a 2 de Maio.
Podemos observar que o que aparece a cinzento na imagem do meteo9 é na realidade branco, e representa as partículas metálicas dispersadas pela operação cloverleaf.
A miséria é fruto de desenho, assim como a confusão é o propósito da propaganda, a forma como é continuada uma realidade falsa todos os dias faz com que não tenhamos reacção ao que vemos com os nossos próprios olhos.
Mais de 5000 aviões descolam e aterram em bases militares e dispersam de forma contínua partículas metálicas que secam o ar, destroem vegetação, culturas, extinguem diversas espécies sensíveis como as abelhas.
As últimas imagens são de radar virtual e mostram os aviões com nomes falsos dados de forma a parecer que são aviões de passageiros. Um deles partiu de Paris com destino a Roma e passou por Lisboa !
Platão escreveu a Republica e é nessa armadilha que hoje vivemos.
É suposto o socialismo ser um movimento dos povos contra o poder capitalista, mas como explica um documentário já um bocado antigo chamado "the capitalist conspiracy" quando vamos tentar perceber quem são os capitalistas, descobrimos que são socialistas ricos, e que enriqueceram sempre com a mentira ideológica com que atraiçoam o povo. De facto controlam totalmente a retórica nos seus meios de indoctrinação, pela repetição conseguiram convencer a maioria da população que estão em oposição uns aos outros, mas na realidade a retórica é a própria guerra contra a população.


Como explica Antony Sutton numa entrevista em Julho de 1999:
" KM - What do you see for the future?

Antony Sutton - Chaos, confusion and ultimately a battle between the individual and the State. The individual is the stronger; and will win. The state is a fiction sanctified by Hegel and his followers to CONTROL the individual. Sooner or later people will wake up. First we have to dump the trap of right and left, this is a Hegelian trap to divide and control. The battle is not between right and left; it is between us and them."

Acordem, estamos todos a ser vítimas de uma armadilha filosófica.
Vivemos sobre a guerra, começa no próprio entretenimento que foi desenhado para nos apagar.

Portugal visto por António Lobo Antunes



"Agora sol na rua a fim de me melhorar a disposição, me reconciliar com a vida. Passa uma senhora de saco de compras: não estamos assim tão mal, ainda compramos coisas, que injusto tanta queixa, tanto lamento. Isto é internacional, meu caro, internacional e nós, estúpidos, culpamos logo os governos. Quem nos dá este solzinho, quem é? E de graça. Eles a trabalharem para nós, a trabalharem, a trabalharem e a gente, mal agradecidos, protestamos.
Deixam de ser ministros e a sua vida um horror, suportado em estóico silêncio. Veja-se, por exemplo, o senhor Mexia, o senhor Dias Loureiro, o senhor Jorge Coelho, coitados. Não há um único que não esteja na franja da miséria. Um único. Mais aqueles rapazes generosos, que, não sendo ministros, deram o litro pelo País e só por orgulho não estendem a mão à caridade. O senhor Rui Pedro Soares, os senhores Penedos pai e filho, que isto da bondade as vezes é hereditário, dúzias deles. Tenham o sentido da realidade, portugueses, sejam gratos, sejam honestos, reconheçam o que eles sofreram, o que sofrem. Uns sacrificados, uns Cristos, que pecado feio, a ingratidão. O senhor Vale e Azevedo, outro santo, bem o exprimiu em Londres. O senhor Carlos Cruz, outro santo, bem o explicou em livros. E nós, por pura maldade, teimamos em não entender. Claro que há povos ainda piores do que o nosso: os islandeses, por exemplo, que se atrevem a meter os beneméritos em tribunal. Pelo menos nesse ponto, vá lá, sobra-nos um resto de humanidade, de respeito. Um pozinho de consideração por almas eleitas, que Deus acolherá decerto, com especial ternura, na amplidão imensa do Seu seio. Já o estou a ver

- Senta-te aqui ao meu lado ó Loureiro
- Senta-te aqui ao meu lado ó Duarte Lima
- Senta-te aqui ao meu lado ó Azevedo que é o mínimo que se pode fazer por esses Padres Américos, pela nossa interminável lista de bem-aventurados, banqueiros, coitadinhos, gestores que o céu lhes dê saúde e boa sorte e demais penitentes de coração puro, espíritos de eleição, seguidores escrupulosos do Evangelho. E com a bandeirinha nacional na lapela, os patriotas, e com a arraia miúda no coração. E melhoram-nos obrigando-nos a sacrifícios purificadores, aproximando-nos dos banquetes de bem-aventuranças da Eternidade.

As empresas fecham, os desempregados aumentam, os impostos crescem, penhoram casas, automóveis, o ar que respiramos e a maltosa incapaz de enxergar a capacidade purificadora destas medidas. Reformas ridículas, ordenados mínimos irrisórios, subsídios de cacaracá? Talvez. Mas passaremos sem dificuldade o buraco da agulha enquanto os Loureiros todos abdicam, por amor ao próximo, de uma Eternidade feliz. A transcendência deste acto dá-me vontade de ajoelhar à sua frente. Dá-me vontade? Ajoelho à sua frente indigno de lhes desapertar as correias dos sapatos.

Vale e Azevedo para os Jerónimos, já!
Loureiro para o Panteão já!
Jorge Coelho para o Mosteiro de Alcobaça, já!

Sócrates para a Torre de Belém, já! A Torre de Belém não, que é tão feia. Para a Batalha.

Fora com o Soldado Desconhecido, o Gama, o Herculano, as criaturas de pacotilha com que os livros de História nos enganaram.

Que o Dia de Camões passe a chamar-se Dia de Armando Vara. Haja sentido das proporções, haja espírito de medida, haja respeito. Estátuas equestres para todos, veneração nacional. Esta mania tacanha de perseguir o senhor Oliveira e Costa: libertem-no. Esta pouca vergonha contra os poucos que estão presos, os quase nenhuns que estão presos como provou o senhor Vale e Azevedo, como provou o senhor Carlos Cruz, hedionda perseguição pessoal com fins inconfessáveis. Admitam-no. E voltem a pôr o senhor Dias Loureiro no Conselho de Estado, de onde o obrigaram, por maldade e inveja, a sair. Quero o senhor Mexia no Terreiro do Paço, no lugar D. José que, aliás, era um pateta. Quero outro mártir qualquer, tanto faz, no lugar do Marquês de Pombal, esse tirano. Acabem com a pouca vergonha dos Sindicatos. Acabem com as manifestações, as greves, os protestos, por favor deixem de pecar. Como pedia o doutor João das Regras, olhai, olhai bem, mas vêde. E tereis mais fominha e, em consequência, mais Paraíso. Agradeçam este solzinho. Agradeçam a Linha Branca. Agradeçam a sopa e a peçazita de fruta do jantar. Abaixo o Bem-Estar.

Vocês falam em crise mas as actrizes das telenovelas continuam a aumentar o peito: onde é que está a crise, então? Não gostam de olhar aquelas generosas abundâncias que uns violadores de sepulturas, com a alcunha de cirurgiões plásticos, vos oferecem ao olhinho guloso? Não comem carne mas podem comer lábios da grossura de bifes do lombo e transformar as caras das mulheres em tenebrosas máscaras de Carnaval.

Para isso já há dinheiro, não é? E vocês a queixarem-se sem vergonha, e vocês cartazes, cortejos, berros. Proíbam-se os lamentos injustos. Não se vendem livros? Mentira. O senhor Rodrigo dos Santos vende e, enquanto vender, o nível da nossa cultura ultrapassa, sem dificuldade, a Academia Francesa. Que queremos? Temos peitos, lábios, literatura e os ministros e os ex-ministros a tomarem conta disto.

Sinceramente, sejamos justos, a que mais se pode aspirar? O resto são coisas insignificantes: desemprego, preços a dispararem, não haver com que pagar ao médico e à farmácia, ninharias. Como é que ainda sobram criaturas com a desfaçatez de protestarem? Da mesma forma que os processos importantes em tribunal a indignação há-de, fatalmente, de prescrever. E, magrinhos, magrinhos mas com peitos de litro e beijando-nos uns aos outros com os bifes das bocas seremos, como é nossa obrigação, felizes."

(crónica satírica de António Lobo Antunes, in Visão de Abril 2012)
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