segunda-feira, março 25, 2013

Mergulhador versus anaconda



Fotografar a vida selvagem é um trabalho de risco, mas não haverá muitas situações onde estes profissionais arrisquem tanto a vida como o mergulhador suíço Franco Banfi, que ficou a centímetros de uma gigante anaconda de oito metros. Tudo para captar, com todos os detalhes, a enormidade do animal.




O mergulho teve lugar num rio de Mato Grosso, no Brasil, e as fotos – pelo menos para nós, que não arriscámos a vida – valem bem a pena.




Normalmente, as anacondas ficam perto da superfície da água, onde procuram presas como ratos, peixes ou pássaros. Esta anaconda, com oito metros, tinha acabado de comer uma capivara, tendo-se mostrado pouco interessada num segundo prato.




“A cobra já tinha comido, por isso não demonstrou muito interesse em nós. Tudo é possível, mas duvido que ela nos comesse. Eu estava muito perto e podia inclusive ter tocado nela, se quisesse”, explicou Banfi à imprensa internacional.


Durante a sua viagem pelo Mato Grosso do Sul, o fotógrafo viu e fotografou seis tipos diferentes de anacondas. “No início tive medo, porque não conhecia o animal e todos diziam que era perigoso. Mas depois comecei a perceber que nada acontece se respeitarmos a cobra. Nunca tinha estado tão perto de uma cobra destas, mas acho que uma cobra pequena e venenosa mete mais medo que estas”, explicou.
 



As fotos são de Franco Banfi para a Solent News...



sábado, março 23, 2013

Onde está a Voyager 1?



Nunca um engenho humano chegou tão longe. A Voyager 1 é como um braço humano tão gigante que se estende desde a Terra até mais de 18.255 milhões de quilómetros de distância – ou seja, 121,7 vezes a distância da Terra ao Sol. Continua viagem a caminho das estrelas, mas se já saiu do sistema solar é motivo de polémica: uma equipa de cientistas disse que sim, horas depois a equipa da NASA que é guardiã da Voyager desmentiu tudo.
Primeiro, William Webber, da Universidade do Novo México, em Las Cruces, e o falecido Francis McDonald, da Universidade de Maryland em College Park, ambas nos EUA, anunciaram que a sonda da NASA, lançada a 5 de Setembro de 1977, já estava fora do sistema solar. O seu estudo foi publicado online nesta quarta-feira, pela revista Geophysical Research Letters, da União Geofísica Americana.
O que significaria isto? Significaria que a Voyager 1 estaria a viajar para lá da heliosfera, a região do espaço dominada pelo Sol e pelas partículas electricamente carregadas do vento solar. Essa região é uma enorme bolha em redor da nossa estrela e, para lá dela, o espaço interestelar é dominado pelos ventos de outras estrelas, pelos gases e poeiras que impregnam a Via Láctea.
Embora não haja consenso sobre onde fica a fronteira do sistema solar – onde termina o império do Sol e começa o império de outras estrelas –, a influência do Sol estende-se muito para além dos planetas. Mas o fim dessa bolha, a heliosfera, não é abrupto. Primeiro, é preciso ultrapassar uma zona chamada “fronteira de choque”, onde a velocidade supersónica dos ventos solares desce abruptamente e começam a sentir-se os efeitos dos ventos de outras estrelas próximas. Só depois de atravessar essa região, que é a camada exterior da heliosfera, é que se chega à heliopausa e se entra no espaço interestelar.
A heliopausa é uma fronteira menos ambígua do sistema solar, porque aí as sondas passarão a estar imersas em matéria resultante das explosões de outras estrelas.
Mas há quem considere que a derradeira fronteira é onde a gravidade do Sol deixa de dominar, o que ainda fica muito para lá da heliopausa. Depois da heliopausa, a gravidade do Sol ainda mantém uma horda de milhões de cometas, a nuvem de Oort. Só daqui a 20 mil anos as duas sondas terminarão a sua passagem pela nuvem de Oort, para continuarem a vaguear pelo cosmos, sem voltarem a entrar noutro sistema solar.
A Voyager 1 foi o primeiro aparelho de fabrico humano a “sentir” a fronteira de choque, em Dezembro de 2004, quando se encontrava a cerca de 14.000 milhões de quilómetros do Sol.
Agora, a equipa de William Webber relatou a chegada da Voyager, a 25 de Agosto de 2012, a uma zona diferente. Nela, a sonda teria registado mudanças drásticas na radiação: segundo um comunicado da União Geofísica Americana, os raios cósmicos aprisionados na helioesfera teriam caído a pique, para menos de 1% dos níveis anteriores; e os raios cósmicos galácticos, oriundos do exterior do sistema solar, teriam aumentado para valores nunca antes medidos pela Voyager, chegando ao dobro.
“Em poucos dias, a intensidade da radiação aprisionada na heliosfera desceu e a dos raios cósmicos subiu, tal como é de esperar se estivesse a sair da heliosfera”, disse William Webber, no comunicado. “Parece que a Voyager 1 saiu da principal região modulada pelo sistema solar, revelando que os espectros do hidrogénio e do hélio são característicos do que se esperava para o meio interestelar”, refere por sua vez o artigo científico.
William Webber chamou a essa fronteira de transição “helioprecipício”: se não é a heliopausa, pelo menos já não andaria longe. Antecipava a continuação do debate sobre se a sonda teria entrado no espaço interestelar ou se teria, antes, chegado a uma zona separada e indefinida para lá do sistema solar. “Diria que está fora da heliosfera normal. Estamos numa nova região. Tudo o que estamos a medir é diferente e entusiasmante”, acrescentou o investigador.
Mais artigos científicos na calha
Não podia ter sido mais certeiro. Horas depois, a NASA emitia um comunicado sobre a localização da sonda: “A equipa da Voyager está a par dos relatos de hoje [quarta-feira] de que a Voyager 1 deixou o sistema solar. É consenso entre a equipa científica da Voyager que a Voyager 1 não deixou ainda o sistema solar ou atingiu o espaço interestelar”, diz o cientista Edward Stone, envolvido no projecto desta sonda e que trabalha no Instituto de Tecnologia da Califórnia, em Pasadena.
“Em Dezembro de 2012, a equipa científica da Voyager reportou que a Voyager 1 está dentro de uma nova região chamada ‘auto-estrada magnética’, onde as partículas energéticas sofreram mudanças drásticas. Uma mudança na direcção do campo magnético é o último indicador crucial de ter atingido o espaço interstelar, ora não foi ainda observada essa mudança de direcção”, acrescentou Edward Stone.
Outro cientista da equipa da Voyager, Stamatios Krimigis, do Laboratório de Física Aplicada Johns Hopkins, em Laurel, Maryland, considerou que o comunicado da NASA explicava tudo: "Não há mais nada a dizer", referiu, segundo a revista Nature. "Pouco podemos dizer sobre o campo magnético" até à publicação de um conjunto de artigos científficos num dos próximos números da revista Science. "É aí que estão os dados sobre o campo magnético e não no artigo de Webber."
Afinal, onde pára a Voyager 1? Mesmo sem consenso, uma coisa é certa: depois de ter explorado o sistema solar – com a sua irmã gémea, a Voyager 2, lançada a 20 de Agosto de 1977 –, encontra-se em território nunca antes explorado pelos humanos, a 121,7 unidades astronómicas (uma unidade astronómica são 150 milhões de quilómetros, a distância média da Terra ao Sol).
Espera-se que ela (e a Voyager 2) funcione até 2020, altura em que deverá esgotar-se a energia dos seus reactores nucleares. Então, já terá cruzado a fronteira do sistema solar e ser apenas uma mensageira longínqua da Terra. Ou não transportasse, tanto ela como a Voyager 2, um disco dourado destinado a saudar alguma forma de vida extraterrestre, com o conteúdo escolhido por uma comissão presidida por Carl Sagan: saudações em 55 línguas, 115 imagens da Terra (da Grande Muralha da China à ponte Golden Gate), sons (de baleias, do vento, de aves, de trovões, do choro de um bebé ou o registo do electrocardiograma de uma jovem apaixonada) e uma selecção musical (de Beethoven, de Louis Armostrong até à canção Johnny B. Goode, de Chuck Berry).

Fonte: Público

segunda-feira, março 18, 2013

O Dia em que a União Europeia morreu



"Quando li a notícia não acreditei. Por breves instantes pensei que era uma brincadeira do dia 1 de Abril: “Resgate no Chipre, aprovado no Eurogrupo, apresenta uma medida inédita, um imposto extraordinário sobre depósitos bancários. Para as contas de valor inferior a 100 mil euros, serão retirados 6,7%; para valor superior a 100 mil euros, serão retirados 6,7%; nas contas das empresas, 12,5%”.

Estamos perante um crime, como ontem lembrava, num programa de televisão, um comentador. Sim, um verdadeiro crime punido pela lei criminal de qualquer país civilizado. Um crime de roubo. Agravado, digo eu, pela forma como foi decidido. Além de um crime de roubo, estamos perante algo ainda mais grave, o fim da confiança dos europeus no seu sistema bancário. Quando qualquer um de nós vai a um banco e nele deposita o seu dinheiro, as suas poupanças, não o faz apenas por desejar uma determinada remuneração dos seus depósitos. Nos tempos que correm, o nosso dinheiro vai para o banco por uma questão de confiança e segurança – o receio é tal que já nem se discute muito a remuneração dos mesmos.

Obviamente, alguns vão lembrar que o a banca cipriota se tinha tornado numa espécie de “lavandaria”. É verdade. Contudo, curiosamente, esta medida não visa atacar esse outro crime, o da lavagem de dinheiro. Não. Uma vez mais, a UE aplica a velha máxima de ser forte com os fracos e fraca com os fortes. É que esta medida não ataca as contas “russas” ou de outras paragens do género.

Ataca, sobretudo, a população cipriota e as suas empresas. Pagando o justo pelo pecador. Tornando esta medida do Eurogrupo, para além de um crime, uma vergonha.

O que está a acontecer no Chipre é um desastre. O sinal que o Eurogrupo acabou de nos dar (a todos, sem excepção) é de uma clareza assustadora: os nossos depósitos bancários não estão a salvo de nada nem de ninguém. Mais, qualquer pessoa, minimamente consciente, percebe que não pode confiar nos bancos europeus, que o sistema bancário europeu está morto. E com ele, a União Europeia.

Hoje foi no Chipre. Amanhã pode ser em Espanha ou em Portugal ou noutro qualquer país europeu, basta ver a forma como a crise se está a alastrar pelo continente. Não vale a pena acreditar nas palavras de Olli Renh, já todos percebemos que estamos entregues à bicharada… E já agora, reparem na medida tomada pelo governo inglês: salvaguardou os seus.

A Europa está perigosa. Por muito menos, no passado, entrou em guerra. Em suma, estamos tramados…"

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