Quinta-feira, Maio 23, 2013

O Fundamentalista Relutante, de Mira Nair



Enquanto violentos protestos estudantis ecoam nas ruas de Lahore, o jovem professor paquistanês Changez Khan é entrevistado pelo jornalista americano Bobby Lincoln.
Licenciado pela Universidade de Princeton, Changez vai falando a Lincoln do seu passado brilhante como analista financeiro de Wall Street, do seu mentor Jim Cross, da sua bonita e sofisticada namorada Erica e do futuro brilhante que ambos tinham pela frente.
Mas com o 11 de Setembro e o ataque às torres gémeas, Changez vê-se confrontado com um ambiente de perseguição e suspeita, motivado pela sua naturalidade, que o levam a regressar ao seu país e à família de quem adora. O seu carisma e inteligência acabam por o projectar como um líder, tanto aos olhos dos seus devotos estudantes paquistaneses como das desconfiadas entidades americanas.
O insuspeito encontro entre Lincoln e Changez rapidamente acaba por revelar o seu verdadeiro objectivo -- um professor estrangeiro residente em Lahore foi raptado por extremistas e o tempo dado até à sua execução está a chegar ao fim.
Lincoln vai escutando atentamente o relato de Changez, enquanto esconde as suas próprias intenções.
Com argumento de Ami Boghani segundo a obra homónima do escritor paquistanês Mohsin Hamid, um filme realizado por Mira Nair ("Casamento Debaixo de Chuva", "A Feira das Vaidades", "O Bom Nome"), que conta com a participação dos actores Riz Ahmed, Kate Hudson, Liev Schreiber e Kiefer Sutherland, entre outros.

Terça-feira, Maio 21, 2013

Ray Manzarek e as portas da eternidade

 
O teclista dos Doors, Ray Manzarek, um dos membros fundadores do mítico grupo de rock liderado por Jim Morrison, morreu esta segunda-feira, na Alemanha, vítima de cancro, segundo comunicado na página no Facebook da banda.
Manzarek tinha 74 anos. Conhecera Jim Morrison em Venice Beach, na Califórnia, e acabou por formar com este o grupo que ficou famoso por temas como "Riders on the Storm", de 1971.
O som do seu órgão era um dos mais reconhecíveis da música rock.

A imagem do seu tronco curvado sobre as teclas, uma das mãos desenhando linhas de baixo, a outra divagando pelo órgão, ficarão para sempre associadas a uma banda, os Doors, e a um tempo, os anos 1960. Ray Manzarek foi um dos instrumentistas que melhor os representou e foi, até ao fim da vida, nesta segunda-feira, totalmente um filho das ambições estéticas e dos sonhos de reinvenção e despertar espiritual desse tempo.
Um romantismo perfeitamente ilustrado no início de tudo. Manzarek encontrou Jim Morrison, colega da mesma faculdade de Los Angeles, na praia de Venice. Morrison mostrou-lhes algumas letras que escrevera. "Moonlight drive": "Let's swim to the moon / Let's climb to the tide". Os Doors nasciam ali, naquela tarde.

Nascido em Chicago, amante do blues e do jazz, fundaria os Doors com Jim Morrison em 1965. Dois anos depois, com a edição do homónimo álbum de estreia, a banda tornar-se-ia um dos fenómenos da década, atingindo o coração do circuito pop com as letras provocadoras e enigmáticas de Morrison e música que reproduzia na perfeição aquilo que Manzarek definia como uma entrega "dionisíaca" à vida, constantemente no fio da navalha.
Se Morrison era todo ele excesso e descontrolo, Manzarek era o músico metódico que, apoiado pelo guitarrista Robbie Krieger e pelo baterista John Densmore, traduzia em som essa tentação pelo abismo, aproximando a música do precipício, mas impedindo-a de entrar em queda livre.
Até 1971, data da morte de Jim Morrison e da edição de LA Woman, o último álbum do vocalista com os Doors, Ray Manzarek firmou com a banda o seu legado na história da música popular urbana. Álbuns como Strange Days ou Morrison Hotel e canções como Light my fire, The end, When the music's over ou Riders on the storm têm a marca do seu talento que, segundo o próprio, residia mais na liberdade da imaginação que na força do virtuosismo. "Sou basicamente uma espécie de pianista de 'cocktail jazz'. Serei o primeiro a admitir que não sou um teclista muito bom", terá afirmado um dia.
 
Nascido verdadeiramente para a música com os Doors, nunca se libertaria verdadeiramente da sombra da banda (nem, na verdade, parecia desejá-lo). A carreira a solo foi discreta e os Doors, quer nos livros de memórias, quer nas digressões revivalistas, um porto seguro a que regressou sempre. Isso não o impediu, no entanto, de lançar alguns álbuns a solo, com o grupo Nite City, ou de concretizar algumas colaborações com Iggy Pop, Echo & The Bunnymen, X ou Philip Glass.
Robbie Krieger, que o acompanhou nos últimos anos, declarou em comunicado: "Sinto-me feliz por ter podido tocar as canções dos Doors com ele durante a última década. Ray foi uma grande parte da minha vida e irei sentir a sua falta para sempre".
Com Robby Krieger e o cantor Ian Astbury (The Cult), viria a reformar os Doors em 2002, passando por Portugal três vezes: em dois concertos no Pavilhão Atlântico, em Lisboa, no Coliseu dos Recreios e no festival Marés Vivas, em Vila Nova de Gaia.
"Fiquei profundamente triste ao saber da morte do meu amigo e companheiro de banda, hoje. Fico feliz por ter podido tocar canções dos Doors com ele, durante a última década. O Ray foi uma grande parte da minha vida e hei de ter sempre saudades dele", escreveu Robby Krieger.

Recentemente, John Densmore, que se opôs à reunião dos Doors, escreveu um livro sobre a batalha judicial que daí decorreu, admitindo que não se importaria de voltar a tocar com Krieger e Manzarek, desde que o fizesse por solidariedade e não para ganhar dinheiro.

Manzarek deixa a mulher, os dois irmãos, o filho Pablo e três netos.


This is the end
Beautiful friend
This is the end
My only friend, the end
Of our elaborate plans, the end
Of everything that stands, the end
No safety or surprise, the end
I'll never look into your eyes...again
Can you picture what will be
So limitless and free
Desperately in need...of some...stranger's hand
In a...desperate land
Lost in a Roman...wilderness of pain
And all the children are insane
All the children are insane
Waiting for the summer rain, yeah


Mais sobre The Doors:


Bibliografia consultada:
Blitz, DN, Expresso, Público.

Sábado, Maio 18, 2013

Terapia do riso/ Desta vez é diferente, de Carmen Reinhart e Kenneth Rogoff


Vítor Gaspar (Ministro das Finanças de Portugal) escreveu o prefácio do livro de Carmen Reinhart e Kenneth Rogoff, "Desta vez é diferente. Oito séculos de loucura financeira".
Agora já não escondem o que visam, senão a destruição dos Estados.
Os dois autores estiveram envolvidos numa polémica porque as fórmulas que publicaram nos estudos que levaram a cabo, usadas como justificação por muitos governos para aplicar a austeridade sem fim nos seus países estariam, afinal, erradas. Nada que os dissuadisse, ambos ex-funcionários do Fundo Monetário Internacional, a continuar a defender a austeridade e a destruição.
Só que o riso, tudo parece desarmar…

Mais sobre o mesmo assunto:
http://economico.sapo.pt/noticias/prefacio-de-vitor-gaspar-apresentacao-a-um-publico-portugues_169262.html



Holanda pode provocar o colapso do Euro



"Que país da zona euro está mais endividado? Os gregos esbanjadores, com as suas generosas pensões estatais? Os cipriotas e os seus bancos repletos de dinheiro sujo russo? Os espanhóis tocados pela recessão ou os irlandeses em falência? Pois curiosamente são os holandeses sóbrios e responsáveis. A dívida dos consumidores nos Países Baixos atingiu 250% do rendimento disponível e é uma das mais altas do mundo. Em comparação, a Espanha nunca superou os 125%.
A Holanda é um dos países mais endividados do mundo. Está mergulhada na recessão e demonstra poucos sinais de estar a sair dela. A crise do euro arrasta-se há três anos e até agora só tinha infectado os países periféricos da moeda única. A Holanda, no entanto, é um membro central tanto da UE quanto do euro. Se não puder sobreviver na zona euro, estará tudo acabado.
O país sempre foi um dos mais prósperos e estáveis de Europa, além de um dos maiores defensores da UE. Foi membro fundador da união e um dos partidários mais entusiastas do lançamento da moeda única. Com uma economia rica, orientada para as exportações e um grande número de multinacionais de sucesso, supunha-se que tinha tudo a ganhar com a criação da economia única que nasceria com a introdução satisfatória do euro. Em vez disso, começou a interpretar um guião tristemente conhecido. Está a estourar do mesmo modo que a Irlanda, a Grécia e Portugal, salvo que o rastilho é um pouco mais longo.

Bolha imobiliária
Os juros baixos, que antes do mais respondem aos interesses da economia alemã, e a existência de muito capital barato criaram uma bolha imobiliária e a explosão da dívida. Desde o lançamento da moeda única até o pico do mercado, o preço da habitação na Holanda duplicou, convertendo-se num dos mercados mais sobreaquecidos do mundo. Agora explodiu estrondosamente. Os preços da habitação caem com a mesma velocidade que os da Flórida quando murchou o auge imobiliário americano.
Actualmente, os preços estão 16,6% mais baixos do que estavam no ponto mais alto da bolha de 2008, e a associação nacional de agentes imobiliários prevê outra queda de 7% este ano. A não ser que tenha comprado a sua casa no século passado, agora valerá menos do que pagou e inclusive menos ainda do que pediu emprestado por ela.
Por tudo isso, os holandeses afundam-se num mar de dívidas. A dívida dos lares está acima dos 250%, é maior ainda que a da Irlanda, e 2,5 vezes o nível da da Grécia. O governo já teve de resgatar um banco e, com preços da moradia em queda contínua, o mais provável é que o sigam muitos mais. Os bancos holandeses têm 650 mil milhões de euros pendentes num sector imobiliário que perde valor a toda a velocidade. Se há um facto demonstrado sobre os mercados financeiros é que quando os mercados imobiliários se afundam, o sistema financeiro não se faz esperar.

Profunda recessão
As agências de rating (que não costumam ser as primeiras a estar a par dos últimos acontecimentos) já se começam a dar conta. Em Fevereiro, a Fitch rebaixou a qualificação estável da dívida holandesa, que continua com o seu triplo A, ainda que só por um fio. A agência culpou a queda dos preços da moradia, o aumento da dívida estatal e a estabilidade do sistema bancário (a mesma mistura tóxica de outros países da eurozona afectados pela crise).
A economia afundou-se na recessão. O desemprego aumenta e atinge máximos de há duas décadas. O total de desempregados duplicou em apenas dois anos, e em Março a taxa de desemprego passou de 7,7% para 8,1% (uma taxa de aumento ainda mais rápida que a do Chipre). O FMI prevê que a economia vai encolher 0,5% em 2013, mas os prognósticos têm o mau costume de ser optimistas. O governo não cumpre os seus défices orçamentais, apesar de ter imposto medidas severas de austeridade em Outubro. Como outros países da eurozona, a Holanda parece encerrada num círculo vicioso de desemprego em aumento e rendimentos fiscais em queda, o que conduz a ainda mais austeridade e a mais cortes e perda de emprego. Quando um país entra nesse comboio, custa muito a sair dele (sobretudo dentro das fronteiras do euro).
Até agora, a Holanda tinha sido o grande aliado da Alemanha na imposição da austeridade por todo o continente, como resposta aos problemas da moeda. Agora que a recessão se agrava, o apoio holandês a uma receita sem fim de cortes e recessão (e inclusive ao euro) começará a esfumar-se.
Os colapsos da zona euro ocorreram sempre na periferia da divisa. Eram países marginais e os seus problemas eram apresentados como acidentes, não como prova das falhas sistémicas da forma como  a moeda foi estruturada. Os gregos gastavam demasiado. Os irlandeses deixaram que o seu mercado imobiliário se descontrolasse. Os italianos sempre tiveram demasiada dívida. Para os holandeses não há nenhuma desculpa: eles obedeceram a todas as regras.
Desde o início ficou claro que a crise do euro chegaria à sua fase terminal quando atingisse o centro. Muitos analistas supunham que seria a França e, ainda que França não esteja exatamente isenta de problemas (o desemprego cresce e o governo faz o que pode, retirando competitividade à economia), não deixa de continuar a ser um país rico. As suas dívidas serão altas mas não estão fora de controlo nem começaram a ameaçar a estabilidade do sistema bancário. A Holanda está a chegar a esse ponto.
Talvez se tenha de esperar um ano mais, talvez dois, mas a queda ganha ritmo e o sistema financeiro perde estabilidade a cada dia. A Holanda será o primeiro país central a estourar e isso significará demasiada crise para o euro."

Matthew Lynn é director executivo da consultora londrina Strategy Economics.
Publicado originalmente em El Economista, republicado em Jaque al Neoliberalismo

Sexta-feira, Maio 17, 2013

Goldman Sachs - O Banco que dirige o mundo



"O Banco de investimento criado em Nova Iorque em 1868 conseguiu o seu sucesso e a sua reputação à base do silêncio a toda a prova. Goldman Sachs foi a instituição bancária que correu mundo a trabalhar em segredo. Mas hoje Goldman Sachs é acusada de ter ajudado os países como a Grécia a encobrir o seu deficit.

Um documentário que nos leva de Nova Iorque a Atenas, com paragens em Londres, Paris e Bruxelas."
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