quinta-feira, agosto 05, 2010

Armada Russa debaixo de fogo


O comandante-chefe da Armada russa, almirante Vladimir Visotski

“O Presidente da Rússia, Dmitri Medvedev, demitiu ontem, dia 4 de Agosto de 2010, toda uma série de altas patentes da Armada devido a um grande incêndio ocorrido numa base das forças militares navais em Kolomen, arredores da capital russa.

“O comandante-chefe da Armada, almirante (Vladimir) Visotski, é repreendido por incompetência parcial; o chefe do Estado Maior da Armada, primeiro-vice-chefe do comando, (Alexandre) Tatarinov, é repreendido por incompetência parcial; o vice-chefe para a retaguarda da Armada (Serguei) Sergueev é demitido”, ordenou Medvedev numa reunião alargada do Conselho de Segurança da Rússia.

A demissão de altas patentes da Armada continuou. Medvedev demitiu o comandante da Aviação Naval da Armada, almirante Kuklev, o vice-comandante, coronel Rasskazova, o vice-comandante interino da Retaguarda Aviação Naval e comandante da base Nº 2512, onde ocorreu o incêndio.

“Encarrego o ministro da Defesa de demitir toda uma série de oficiais por terem cometido violações disciplinares”, acrescentou nessa reunião, dedicada à protecção de edifícios estratégicos face à onda de chamas que assola o país..

“Se algo acontecesse de semelhante noutros lugares, noutras instituições, faria o mesmo, sem qualquer complacência”, frisou Medvedev.

Ao referir-se ao incêndio na base militar, o dirigente russo declarou: “a investigação prévia já foi feita, mas vai continuar. Ela mostrou o incumprimento simples de funções e descuido criminoso quando não foi possível localizar o fogo num momento em que avançava ainda bastante devagar”.

“Não se sabe por onde andava o comando da base”, concluiu.

Na véspera, o jornal Life.ru noticiou que uma base aérea das Forças Navais da Rússia, situada em Kolomskoe, nos arredores de Moscovo, ardeu completamente devido aos incêndios florestais, tendo sido destruídos 200 aviões e helicópteros.

Segundo este jornal, o prejuízo causado foi de cerca de 500 milhões de euros.

O diário electrónico dizia ter confirmado a informação na Direcção de Investigação Militar da Região Militar de Moscovo, precisando, porém, que essa Direcção não revelou nem o local da instalação da unidade, nem os prejuízos causados.

“Tiveram de vir duas cooperações de bombeiros das unidades vizinhas para combater o fogo”, acrescenta a fonte.

O incêndio ocorreu na madrugada de quinta para sexta-feira e os ventos fortes teriam transportado as chamas para a base aérea.

“O fogo destruiu o território de uma unidade militar secreta de 100 hectares em 10 minutos”, diz a fonte.

O life.ru escreve que este não é o único incêndio em quartéis militares, tendo outro ocorrido numa manutenção militar.

O Ministério da Defesa da Rússia considerou essa notícia uma “invenção”, sublinhando que nessa região não existe nenhuma base das Forças Navais da Rússia.

Porém, a Procuradoria da Região Militar de Moscovo, veio reconhecer depois que o incêndio tinha destruído “os edifícios do comando, da parte financeira, do clube, duas garagens para automóveis, 13 armazéns de meios diversos para a aviação, 17 áreas abertas onde se guardavam equipamentos com os automóveis que aí se encontravam”.

Na mesma reunião, Medvedev prometeu também ajustar contas com os governadores das regiões ardidas e com o Governo, mas só depois de normalizada a situação.” José Milhazes

Fonte:

http://darussia.blogspot.com/

Comentário meu: Há fogos muito oportunos, não há?


Rússia à beira da combustão

“Os russos já deixaram de contar os recordes batidos pela actual onda de calor que se instalou há mais de duas semanas e continuará nos próximos quinze dias nas regiões centrais da parte europeia da Rússia. Em 130 anos de observações meteorológicas que estas regiões não viam o mercúrio a subir nos termómetros até além dos 30 e 40 graus centígrados.

Em algumas regiões, nomeadamente em Moscovo, o calor é acompanhado pelo fumo expelido para a atmosfera pelos muitos incêndios florestais, que faz subir os índices de poluição atmosférica (na capital russo, o índice é duas vezes superior ao permitido) e o número de chamadas para os serviços médicos de emergência da parte de pessoas que sofrem de males respiratórios e cardíacos.
Segundo o último balanço oficial, os incêndios florestais nas regiões centrais da Rússia provocaram 40 mortos e 323 feridos, tendo sido hospitalizadas 62 pessoas. As chamas devoraram 1 875 casas, deixando sem tecto mais de 2200 pessoas.


As autoridades reconhecem que, este ano, já arderam mais de 500 mil hectares, mas os ecologistas da organização Greenpeace da Rússia falam em mais de três milhões. Um quarto das colheitas já foi destruído pela longa seca. Os prejuízos materiais rondam os 4 500 mil euros.

O primeiro-ministro russo, Vladimir Putin, exigiu que os dirigentes locais que não conseguiram travar o avanço das chamas se devem demitir dos cargos, mas apenas um lhe deu ouvidos.


“O Governo Federal mostrou não estar preparado para a luta contra os incêndios. Os poderes locais, com os seus orçamentos miseráveis, também não estão. A vitória da centralização e da “vertical do poder” (criada por Putin) cheira a queimado”, escreve o jornal Novaia Gazeta.
Hoje, Serguei Choigu, ministro para Situações de Emergência da Rússia, reconheceu a falta de meios nos orçamentos regionais e explicou-a assim: “Os incêndios de grandes dimensões conduziram a que tenham acabado os meios e exigem mais dinheiro. Mas nem todas as autoridades preencheram correctamente os documentos, em conformidade com os quais se concedem mais meios. Isto atrasou o apoio ao financiamento das autoridades locais”.

Choigu afirmou que decuplicou o número de bombeiros no terreno, para 130 mil, aos quais se juntaram mais de dois mil militares e um número desconhecido de voluntários.

Os especialistas em provocar chuvas artificiais, em que na Rússia existe grande experiência, reconhecem a sua impotência no combate às chamas.


“Para provocar precipitações artificiais é necessário que a humidade do ar seja superior a 95 por cento. Ou seja, a chuva está quase a começar a cair e nós apenas apressamos esses processo”, declarou Alexei Liakhov, director do Serviço de Meteorologia de Moscovo.
Quando os meios técnicos e humanos são insuficientes, nada mais resta do que olhar para os Céus.


“Peço a todos os filhos e filhas fiéis da Igreja Ortodoxa Russa que se unam numa oração a Deus, que Ele mande chuva à nossa terra queimada”, disse Kirill.

O Patriarca sugeriu que as orações fossem feitas com particular zelo no dia 2 de Agosto, dia do Profeta Elias no calendário litúrgico ortodoxo, a quem já é hábito rezar por chuva.
Mas, por enquanto, a chuva não chega e os meteorologistas prometem ainda mais calor.” José Milhazes



Fonte:
http://darussia.blogspot.com/

Fala assim quem sabe da poda e está no terreno...


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