sábado, Março 03, 2012

Portugueses recém chegados ao Luxemburgo sem tecto e dinheiro para comer



Há cada vez mais mulheres que chegam e ficam a dormir na rua ou nos carros. Há ainda quem chegue só com 20 euros no bolso à espera de arranjar logo trabalho, quando um quarto por cima de um café custa no mínimo 500 euros.
Há cada vez mais portugueses a chegar ao Luxemburgo à procura de trabalho. Neste pequeno país europeu em que um quarto da população é lusa, a crise também já se faz sentir e arranjar emprego é uma tarefa quase impossível, sobretudo não dominando o francês e o alemão e quando não há qualificações.
O presidente da Confederação das Comunidades Portuguesas no Luxemburgo, José Coimbra de Matos, diz que estes emigrantes recém-chegados não passam fome, porque a protecção social existe, mas acabam por dormir dentro dos carros.
“O número é bastante grande e as dificuldades são maiores”, constata josé Coimbra de Matos, explicando que “há pessoas a dormir em carros”. “Agora fome propriamente dita não, porque, além de haver um esquema de segurança social no Luxemburgo bastante evoluído, a solidariedade social também existe”, acrescenta.
“Uma pessoa que se dirija a uma instituição, mesmo não estando declarada no país, terá sempre algo para comer”, refere José Coimbra de Matos.

Despesas elevadas
O Luxemburgo é visto como um país de sucesso e onde se pode ganhar bem. Esta é uma face da moeda, porque o nível de vida é muito elevado. Quem chega não está preparado para as despesas, nomeadamente com o alojamento.
É por isso que muitas pessoas procuram os albergues da Cáritas, nomeadamente aquele em que trabalha a assistente social Stefanie Silva. “A maior parte dos portugueses que vem cá não têm possibilidades para alugar um quarto e pagar. Aqui, para alugar um quarto acima de um café, custa 500 ou 600 euros e é muito dinheiro. A maior parte das pessoas que chega aqui só têm 20 euros, 100 euros com eles, e não chega”, conta Stefanie Silva.

Mas só de Dezembro a Março é que os centros podem fornecer abrigo durante a noite. Depois, as pessoas têm que ficar na rua, porque um tecto é um produto de luxo e os emigrantes não estão preparados.
É com tristeza que Stefanie Silva vê que entre os que pedem ajuda estão cada vez mais mulheres - uma novidade este ano, confessou.
 “O que é triste é que este ano é a primeira vez que vejo situações em que são mulheres que vêm de Portugal à procura de trabalho, que deixaram os filhos em Portugal. Já faz oito anos que trabalho com os sem-abrigo e é a primeira vez que vejo que esta situação acontece.”
As associações ajudam os portugueses como podem, mas José Coimbra de Matos alerta os que querem emigrar: não vão à aventura, informem-se bem sobre as condições de trabalho e de vida no país. De contrário, "ainda podem agravar mais" a sua situação.
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