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terça-feira, setembro 03, 2013

Misteriosas descobertas arqueológicas nos Açores


São dezenas de estruturas em pedra ou escavadas na rocha encontradas em várias ilhas dos Açores e estão a gerar polémica, porque parecem apontar para a presença humana no arquipélago muito antes da chegada dos portugueses.
A multiplicação de descobertas arqueológicas no Corvo, na Terceira e noutras ilhas dos Açores está a provocar polémica, porque parece indicar a presença de navegadores muitos séculos antes da chegada oficial dos portugueses, em 1427 (Diogo de Silves).
Celtas, fenícios, cartagineses, romanos podem ter passado pelo arquipélago, porque o regresso ao Mediterrâneo ou ao norte da Europa de qualquer barco que viajasse ao longo da costa africana teria de ser feito pela chamada volta do Atlântico, por causa da direção dominante dos ventos de nordeste.
Essa rota passava precisamente pelo grupo central das ilhas dos Açores e pelos seus dois melhores portos naturais: Angra do Heroísmo, na Terceira, e Horta, no Faial.
Faltam sondagens, escavações e datações por radiocarbono para se tirarem conclusões definitivas, mas se fosse provada a origem pré-portuguesa dos achados arqueológicos, a História teria de ser rescrita, tanto no que diz respeito à descoberta das ilhas como ao paradigma da navegação no Atlântico.
Félix Rodrigues, professor catedrático da Universidade dos Açores, que descobriu e estudou em profundidade alguns destes achados, vai mais longe e afirma ao prestigiado jornal Expresso: "Seria a maior descoberta arqueológica da Europa dos últimos 100 anos".

Ler mais: Expresso

segunda-feira, setembro 02, 2013

Pirâmides nos Açores?


"Anzóis, pontas de metal, ossos, conchas, pesos de redes de pesca, utensílios feitos de basalto, carvões e fragmentos de peças de cerâmica, foram descobertos nas primeiras sondagens arqueológicas autorizadas pelo Governo Regional dos Açores (Direcção Regional da Cultura) às misteriosas estruturas piramidais da Ilha do Pico.
As pirâmides estão quase todas concentradas numa área de 6 km2 no concelho da Madalena, junto à costa oeste da ilha dominada pela montanha mais alta de Portugal (2351 metros) e a divulgação pública das descobertas é feita hoje às 21h00 numa conferência na Câmara da Madalena.
As sondagens foram feitas por Nuno Ribeiro e Anabela Joaquinito, que estão entusiasmados com os depósitos de artefactos antigos que encontraram, e que tudo indica serem muito anteriores à data da descoberta dos Açores pelos portugueses (1427).
Mas os dois arqueólogos da Associação Portuguesa de Investigação Arqueológica (APIA), que estão a ser apoiados pela Câmara Municipal da Madalena, têm um vasto trabalho de prospecção pela frente: há dezenas de pirâmides no local, que chegam a atingir 13 metros de altura, o equivalente a um prédio de habitação de quatro andares. Mas para já estudaram 140, algumas destruídas ou parcialmente derrubadas por sismos ou pela acção humana.
A tradição baseada na memória popular e os poucos estudos etnográficos existentes indicam que "estas estruturas, conhecidas por maroiços, datam dos séculos XVII a XIX, justificando-se a sua construção pela necessidade da limpeza dos solos para a agricultura", explica Nuno Ribeiro. De facto, a palavra maroiço significa monte de pedras associado à limpeza de terrenos agrícolas. 
 

Estruturas semelhantes no Mediterrâneo



Mas esta explicação não convence o presidente da APIA, porque "existem várias edificações com mais de dez metros de altura, seguindo a mesma orientação geográfica". E porque no território português "não encontramos esta opção arquitectónica em mais nenhum local". Em contrapartida, "há paralelos arquitectónicos com regiões do Mediterrâneo - na ilha da Sicília junto ao Monte Etna, por exemplo".
Anabela Joaquinito conta que quando foram mostradas à população da Madalena fotos das construções da Sicília, "disseram que eram iguais aos maroiços". A arqueóloga que estudou a indústria lítica (tecnologia de trabalho da pedra) e é directora do Departamento de Pré-história da APIA, sublinha que há outros indícios arquitectónicos da origem pré-portuguesa das pirâmides do Pico, como "a existência de degraus e a decoração com pináculos no topo". No topo de uma das construções estudadas foi também encontrado um piso circular que parece ser a base de uma habitação.
Uma das estruturas é um complexo arquitectónico que inclui edifícios piramidais organizados de forma a criar uma grande praça. "Esta organização do espaço não pode ser explicada apenas através da limpeza dos terrenos, pois terá envolvido um grande planeamento e um trabalho colectivo que demorou alguns anos a construir, seguindo sempre o mesmo projecto arquitectónico", argumenta Nuno Ribeiro.
"Mais espantoso é o facto de estas estruturas obedecerem às mesmas orientações das outras pirâmides, com aparentes motivações astronómicas e sugerindo rituais funerários", acrescenta o arqueólogo. 
 

"Sinto-me no México"


"Sinto-me no México", garantiu Romeo Hristov, arqueólogo da Universidade do Texas em Austin (EUA), quando visitou os maroiços do Pico em Abril passado. Hristov pertence à corrente académica que defende a existência de contactos regulares entre as antigas civilizações do Mediterrâneo e da América.
"As estruturas do Pico são muito perfeitas, implicam uma enorme quantidade de trabalho que não se justifica apenas pelas necessidades da actividade agrícola", considera o arqueólogo. Por outro lado, "há uma orientação astronómica rigorosa, rampas de acesso e escadas associadas ao conceito de estrutura sagrada".
E no complexo "que liga vários edifícios piramidais encontram-se elementos comuns a pirâmides em todo o mundo, como uma praça ampla para cerimónias". Mas uma conclusão definitiva sobre a origem das estruturas "vai depender das escavações arqueológicas, que são fundamentais".
E também "das datações dos materiais encontrados que forem feitas em laboratório", esclarece Anabela Joaquinito. A arqueóloga explica ainda que algumas destas pirâmides têm câmaras no seu interior e uma delas foi objecto de sondagens arqueológicas. "A câmara é pequena e o corredor de acesso demasiado estreito e longo, não seria prática para quaisquer usos agrícolas".

Regularidade na orientação das pirâmides



"O que mais me impressionou foi a regularidade da orientação das pirâmides do Pico, embora acredite que nem todas foram construídas na mesma época. Esta regularidade é evidente no mapa com a sua localização feito pela Câmara da Madalena", afirma por sua vez Fernando Pimenta.
O director do Departamento de Arqueoastronomia da APIA usou ferramentas de informação geográfica nesta primeira investigação e concluiu que a maioria das pirâmides está orientada no sentido sudeste/noroeste.
Sudeste é a direcção do vulcão da ilha do Pico e noroeste corresponde ao ocaso do sol no solstício de verão, que acontece sobre a ilha do Faial, muito próxima do Pico. Quanto às restantes pirâmides, têm uma orientação perpendicular às primeiras.
Fernando Pimenta admite que "parece ser intencional - e não apenas uma coincidência - a orientação geográfica das construções e a escolha do local para a sua implantação".
Uma concentração tão grande de pirâmides num intervalo tão pequeno de azimutes (o azimute é a medida regular do horizonte contada a partir do norte geográfico) e com esta regularidade, significa que há intencionalidade, "mas claro que esta conclusão não é tão definitiva, do ponto de vista estatístico, como seria se as estruturas estivessem espalhadas por toda a ilha e não apenas concentradas numa pequena área do concelho da Madalena".
O arqueoastrónomo adianta também que as regras de orientação "parecem obedecer a princípios que incorporavam algum ritual relacionado com o solstício de verão".

"Defesa da verdade histórica"



Entretanto, o presidente da Câmara da Madalena salienta que "o envolvimento do município neste processo é norteado pelo forte empenho na defesa da verdade histórica e na necessidade de conhecer e preservar as raízes do nosso povo", o que "é do interesse de todas as instituições, sejam elas científicas, políticas ou outras, incluindo o Governo Regional dos Açores".
Mas a prova definitiva da origem pré-portuguesa das pirâmides "terá de ser obtida através de uma datação clara e inequívoca dos materiais encontrados", insiste José António Soares, reconhecendo que a comprovação de todos estes achados permitirá novas oportunidades de desenvolvimento turístico.
"Não queremos apagar a história açoriana mas sim acrescentar algo à história já conhecida e, se possível, enriquecê-la com os novos dados disponíveis", acrescenta o autarca."


Fonte: Expresso

quarta-feira, agosto 29, 2012

Arte rupestre nos Açores



O presidente da Associação Portuguesa de Investigação Arqueológica (APIA), Nuno Ribeiro, revelou no passado dia 27 de Agosto de 2012, a existência de arte rupestre na ilha Terceira, reafirmando a convicção de que a ocupação humana dos Açores é anterior à chegada dos portugueses.
«Encontramos agora um sítio de arte rupestre com características que nos fazem acreditar que remonta à Idade do Bronze», afirmou Nuno Ribeiro, em declarações à Lusa em Ponta Delgada, onde proferiu uma conferência na Universidade dos Açores sobre o tema «Ocupações humanas pré-portuguesas nos Açores: mito ou realidade?».
Nuno Ribeiro salientou que, nos últimos três anos, foram descobertos em várias ilhas açorianas vestígios de estruturas «que indiciam pela sua arquitectura e construção serem de origem pré-portuguesa».
«Temos um epígrafo da época romana, segundo dois cientistas que convidamos a interpretar a inscrição, um sítio de arte rupestre, estruturas megalíticas, enfim, um conjunto importante de estruturas espalhadas pelas ilhas que precisam de ser interpretadas de outras formas», frisou.

No ano passado, o arqueólogo anunciou a descoberta de «um conjunto significativo de mais de cinco monumentos do tipo hipogeu (túmulos escavados nas rochas) e de, pelo menos, três "santuários" proto-históricos escavados na rocha».
«Em alguns casos, acreditamos que existem templos e hipogeus. Não temos dúvidas que existem santuários» Nuno Ribeiro salientou que as descobertas feitas nos Açores têm sido publicadas em artigos científicos e apresentadas em congressos internacionais de arqueologia, obtendo «grande aceitação junto da comunidade científica internacional».
«Em alguns casos, acreditamos que existem templos e hipogeus. Não temos dúvidas que existem santuários», afirmou, recordando, no entanto, que «todos este dados precisam de ser datados».
Para continuar a desenvolver o projecto, a equipa formada por investigadores dos Açores, Reino Unido, EUA, Espanha e Alemanha necessita de autorização do Governo Regional para efectuar escavações e datar com maior rigor os elementos já identificados nas ilhas.
«O nosso grande problema nesta fase é que o Governo dos Açores não nos autorizou os trabalhos arqueológicos, no ano passado por falta de financiamento e este ano por não se enquadrar num decreto lei», lamentou Nuno Ribeiro.
O arqueólogo, que manifestou confiança que os elementos já identificados comprovam que a ocupação humana dos Açores é anterior à chegada dos portugueses, alertou que todos esses vestígios estão ao abandono.

«Na ilha do Corvo, enquanto lá estive a passar uns dias de férias, vi obras a ser feitas no aeroporto sem qualquer acompanhamento arqueológico», denunciou, acrescentando que «a 300 metros tinha sido encontrada uma estrutura com uma planta que, no Alentejo, foi enquadrada com sepulturas».

Fonte: Jornal de Arqueologia, Lusa, via TVI24

terça-feira, julho 24, 2012

Descoberta arqueológica na Grécia pode por em causa a História da Escrita


Em 1993, o Professor George Hourmouziadis e a sua equipa exumaram a designada “Tablet Dispilio” (também conhecida como Disco Dispilio)  num assentamento do Neolítico existente perto da Dispilio, vila moderna junto do  lago Kastoria. 

A  “Tablet Dispilio” trata-se de uma tábua de madeira, com marcas de escrita que foram datadas por carbono 14 em 5260 a.C. Em Fevereiro de 2004, aquando do anúncio da descoberta do artefacto, Hourmouziadis afirmou que as marcas de texto não podiam ser divulgadas porque, em última análise, seria alterar o contexto histórico actual que explica as origens da escrita.
As impressões da “Tablet Dispilio”, não se confundem com figuras humanas, com o sol ou com a lua, ou com outras figuras e ideogramas usualmente representados nas antigas manifestações de escrita conhecidas no Médio Oriente.  Segundo o professor de Arqueologia  Pré-Histórica da Universidade Aristóteles de Salónica, as marcas sugerem que a actual teoria que propõe que os antigos gregos receberam o seu alfabeto das civilizações do Médio Oriente (babilónios, sumérios e fenícios, etc.) não explica uma lacuna com cerca de 4.000 anos de história. Esta lacuna leva aos seguintes fatos: enquanto que, as antigas civilizações orientais usavam ideogramas para se expressarem por via da escrita, os antigos gregos já utilizavam sílabas de uma maneira similar às que usamos actualmente.
A teoria histórica actualmente aceite em todo o mundo ensina-nos que os antigos gregos aprenderam a escrever por influência dos fenícios, por volta do ano de 800 a.C. No entanto, entre os estudiosos que investigam a questão algumas perguntas pertinentes têm vindo a surgir, tais como, por exemplo, como é possível que a língua grega, que tem cerca de 800.000 palavras, ocupe o primeiro lugar entre todas as línguas conhecidas do mundo, enquanto que o segundo idioma tem apenas 250.000 entradas de palavras? E, sobretudo, como é possível que os poemas homéricos tenham sido escritos por volta de 800 a.C., que é precisamente quando se estabelece a data em que os antigos gregos aprenderam a escrever?
Seria impossível para os antigos gregos escreverem estas obras poéticas sem terem tido uma história da escrita de pelo menos 10.000 anos, defende uma nova pesquisa linguística. Ora, acontece também que a “Tablet Dispilio”, descoberta por George Hourmouziadis, é 2.000 anos mais velha do que os achados escritos da época suméria e 4.000 anos mais velha do que os tipos lineares de escrita descobertos em Creta e em Micenas.

De acordo com declarações feitas por Hourmouziadis em 1994, as impressões da “Tablet Dispilio”, não se confundem com figuras humanas, com o sol ou com a lua, ou com  outras figuras e ideogramas usualmente representados nas antigas manifestações de escrita conhecidas no Médio Oriente.

Na realidade ela apresenta sinais avançados, indicando que são o resultado de uma experiência longa  e complexa de processos cognitivos.

A tábua foi parcialmente danificada quando exposta sem protecção ao ambiente rico em oxigénio, depois de extraída do ambiente húmido (lama e água) em que esteve submersa durante um longo período de tempo, mas promete ser o motivo de acalorada discussão nos próximos tempos, já que se trata de um artefacto arqueológico que poderá pôr em questão a história da escrita que até agora foi ensinada à humanidade. 
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