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terça-feira, fevereiro 13, 2018

Knightfall


Ou melhor, os Templários, traduzido à letra para português.
Mais uma excepcional série de TV produzida pelo Canal História, a passar no TV Séries.
Depois dos Vikings e de tantas outras…
Sempre me apaixonou a saga dos cavaleiros templários, desde as cruzadas, passando pela queda de Jerusalém, a obsessão pelo Santo Graal, até à sua perseguição pelo Rei Filipe IV (O Belo) e pela Santa Igreja Católica Romana…
Sobre Filipe IV de França ainda tenho umas linhas a escrever, este rei desencadeou a Guerra dos Cem Anos, com a Inglaterra, perseguiu os templários e matou a mulher, a rainha Joana II de Navarra.
Está lá tudo…
Desde as estranhas intersecções com a Irmandade da Luz (Os Assassinos)…
O que sabiam os Templários?
Quais os segredos que esconderam?
Se calhar nunca os saberemos…
Consta-se que alguns encontraram acolhimento em Portugal, na Ordem de Cristo.


terça-feira, setembro 03, 2013

Misteriosas descobertas arqueológicas nos Açores


São dezenas de estruturas em pedra ou escavadas na rocha encontradas em várias ilhas dos Açores e estão a gerar polémica, porque parecem apontar para a presença humana no arquipélago muito antes da chegada dos portugueses.
A multiplicação de descobertas arqueológicas no Corvo, na Terceira e noutras ilhas dos Açores está a provocar polémica, porque parece indicar a presença de navegadores muitos séculos antes da chegada oficial dos portugueses, em 1427 (Diogo de Silves).
Celtas, fenícios, cartagineses, romanos podem ter passado pelo arquipélago, porque o regresso ao Mediterrâneo ou ao norte da Europa de qualquer barco que viajasse ao longo da costa africana teria de ser feito pela chamada volta do Atlântico, por causa da direção dominante dos ventos de nordeste.
Essa rota passava precisamente pelo grupo central das ilhas dos Açores e pelos seus dois melhores portos naturais: Angra do Heroísmo, na Terceira, e Horta, no Faial.
Faltam sondagens, escavações e datações por radiocarbono para se tirarem conclusões definitivas, mas se fosse provada a origem pré-portuguesa dos achados arqueológicos, a História teria de ser rescrita, tanto no que diz respeito à descoberta das ilhas como ao paradigma da navegação no Atlântico.
Félix Rodrigues, professor catedrático da Universidade dos Açores, que descobriu e estudou em profundidade alguns destes achados, vai mais longe e afirma ao prestigiado jornal Expresso: "Seria a maior descoberta arqueológica da Europa dos últimos 100 anos".

Ler mais: Expresso

sábado, julho 20, 2013

Lista de Schindler a leilão no eBay

 
Uma cópia original da lista de judeus salvos do Holocausto por Oskar Schindler está à venda no eBay por 2,28 milhões de euros (cerca de três milhões de dólares).
A lista de 14 páginas, escrita à máquina, com os nomes de 801 judeus poupados aos campos de concentração nazi, foi feita pelo braço direto do empresário industrial alemão Itzhak Stern, disse à AFP Gary Zimet, do site de venda de documentos históricos MomentsInTime.com.
"O sobrinho de Stern (em Israel) vendeu-a há três anos ao actual proprietário, que a comprou como um investimento", contou Zimet, sem dar mais detalhes sobre o vendedor.
No eBay, os vendedores reforçam que não se trata de uma “cópia da lista, mas sim a verdadeira lista”, assegurando que o documento, “absolutamente raro”, é o único que está no mercado. Para atestar a sua veracidade, a venda será acompanhada de um certificado de autenticidade do sobrinho de Itzhak Stern.
Trata-se de uma das cinco listas ainda existentes. Eram sete originalmente. Uma está no Museu do Holocausto, nos Estados Unidos, outra nos Arquivos Federais Alemães e as outras duas no Museu Yad Vashem, em Israel.
Gary Zimet e o sócio Eric Gazin escolheram o eBay, o popular site de leilões na Internet, devido ao seu alcance global. O leilão termina a 28 de Julho, às 18h, em Los Angeles.
Oskar Schindler salvou a vida de pelo menos 1200 judeus que trabalhavam nas suas fábricas durante a Segunda Guerra Mundial. Schindler morreria na Alemanha, em 1974, aos 66 anos. A sua história foi celebrizada no cinema pelas mãos de Steven Spielberg em "A lista de Schindler”.


domingo, março 17, 2013

Uma História com três papas



Era uma vez…
Dantes era assim que começavam todas as histórias.
E, poderia ser assim, se recuássemos 600 a 700 anos, até ao século XIV, vamos encontrar um mundo e uma Europa bem diferente da actual, a sair da Idade Média e onde os estados não tinham as fronteiras bem definidas, onde prevalecia o obscurantismo sobre a ciência e a religião católica sobrepunha-se a tudo o resto.
A Europa era tudo menos cor-de-rosa naquele tempo.
Naquela altura, a peste negra ceifava milhões de vidas e a guerra dos cem anos estava no auge, recorde-se que este conflito foi travado entre a França e a Inglaterra entre 1337 e 1457. Os turcos estavam nos Balcãs e às portas de Viena.
O Renascimento e os Descobrimentos ainda estavam por ocorrer. 

Mas, houve um acontecimento que marcou aquela altura, um grande cisma, na Igreja Católica Romana, uma crise religiosa que abalou a cristandade e que ficaria marcada nos livros de História como o Grande Cisma do Ocidente.
Imagine que em vez de um, existiam não um, nem dois, mas três papas… sim 3 papas.
Passo a explicar melhor…. 

Entre 1309 e 1377, a residência do papado foi alterada de Roma para Avinhão, em França, pois o Papa Clemente V foi levado (sem possibilidade de debate) pelo rei francês para residir em Avinhão. Em 1378, o Papa Gregório XI voltaria para Roma, onde faleceria. A população italiana desejava que o papado fosse restabelecido em Roma. Foi então eleito o Papa Urbano VI, de origem italiana. No entanto, ele demonstrou ser um papa muito autoritário, de modo que uma quantidade considerável do Colégio dos Cardeais, anularia a sua votação e foi realizado um novo conclave, sendo eleito Clemente VII, que passou a residir em Avinhão. Iniciara-se assim o Cisma, em que o Papa residia em Roma e o Antipapa residia em Avinhão, reclamando ambos para si o poder sobre a Igreja Católica. Posteriormente, surgiria outro Antipapa em Pisa. O cisma terminou no Concílio de Constança em 1417, quando o papado foi estabelecido definitivamente em Roma.

Mais pormenorizadamente:
O Papa Gregório XI deixou Avinhão e restabeleceu a Santa Sé em Roma, onde morreu em 27 de Março de 1378. A eleição de seu sucessor definiria a residência do futuro papa em Avinhão ou Roma. O nome do Bartolommeo Prignano, Arcebispo de Bari considerado com uma rígida moral e inimigo da corrupção, foi proposto. Os dezasseis cardeais italianos presentes em Roma reuniram-se em conclave em 7 de Abril. No dia seguinte escolheram Prignano. Durante a eleição houve grande perturbação na cidade, pois o povo de Roma e dos arredores esforçou-se para influenciar a decisão dos cardeais, que tomaram meios para evitar possíveis dúvidas. No dia 13 eles realizaram uma nova eleição e, novamente, escolheram o Arcebispo Prignano para se tornar papa. Durante os dias seguintes todos os membros do Colégio dos Cardeais aprovaram o novo papa, que tomou o nome de Urbano VI e tomou posse. Um dia depois, os cardeais italianos notificaram oficialmente a eleição de Urbano aos seis cardeais franceses em Avinhão, que o reconheceram como papa e, em seguida, escreveram ao Imperador e aos demais soberanos. Tanto o cardeal Roberto de Genebra, o futuro Antipapa Clemente VII de Avinhão, e Pedro de Luna de Aragão, o futuro Antipapa Bento XIII, também aprovaram sua eleição.
O Papa Urbano não atendeu às necessidades de sua eleição, criticou os membros do Colégio dos Cardeais e se recusou a restaurar a sede pontifical em Avinhão. Os cardeais italianos, então, em maio de 1378, se retiraram para Anagni, e em Julho para Fonti, sob a protecção da Rainha Joana de Nápoles, iniciaram uma campanha contra a sua escolha, preparando-se para uma segundo eleição. Em 20 de Setembro, treze membros do Colégio do Cardeais fizeram um novo conclave em Fondi e escolheram Roberto de Genebra como papa, que tomou o nome de Clemente VII. Alguns meses depois, esse antipapa, apoiado pelo Reino de Nápoles, assumiu sua residência em Avinhão. O cisma começava.
Clemente VII mantinha relações com as principais famílias reais da Europa. Os estudiosos e os santos da época normalmente apoiavam o papa adoptado pelo seu país. A maior parte de estados italianos e alemães, a Inglaterra e a Flandres apoiaram o papa de Roma. Por outro lado, França, Espanha, Escócia e todas as nações aliadas da França apoiaram o antipapa de Avinhão. O conflito rapidamente deixou de ser um assunto da Igreja para se tornar um incidente diplomático disseminado pelo continente europeu:
França, Aragão, Castela, Leão, Chipre, Borgonha, Condado de Sabóia, Nápoles e Escócia reconheceram o reclamante de Avinhão;
Dinamarca, Inglaterra, Flandres, o Sacro Império, Hungria, Norte da Itália, Irlanda, Noruega, Polónia e Suécia reconheceram o reclamante de Roma.
Os papas excomungaram-se mutuamente, nomeando outros cardeais para compensar as deserções, enviando mensageiros para a cristandade defendendo sua causa e estabelecendo sua própria administração. Posteriormente Bonifácio IX sucedeu a Urbano VI em Roma e Bento XIII sucedeu a Clemente em Avinhão. Vários clérigos reuniram-se em concílios regionais na França e em outros lugares, sem resultado definitivo. O rei da França e seus aliados em 1398 deixaram de apoiar Bento, e Geoffrey Boucicaut sitiou Avinhão, privando o antipapa de comunicação com todos aqueles que permaneceram fiéis a ele. Bento retomou a liberdade somente em 1403. Inocêncio VII já tinha sucedido Bonifácio de Roma, e após um pontificado de dois anos, foi sucedido por Gregório XII.
Na época do cisma ocorriam na Península Ibérica as guerras fernandinas e a crise de 1383-1385, ambas opondo os reinos de Castela e Portugal por questões dinásticas. Assim, no tempo de Fernando I de Portugal a sua desastrosa política externa levou-o a apoiar o Papa de Avinhão, que também tinha o apoio de Castela; depois da crise sucessória, como Castela continuasse a defender o papa de Avinhão, não será de estranhar que João I de Portugal, para mostrar bem a sua independência, fosse pelo Papa romano.
Em 1409, um concílio que se reuniu em Pisa acrescentou um outro antipapa e declarou os outros dois depostos. Depois de muitas conferências, discussões, intervenções do poder civil e várias catástrofes, o Concilio de Constança  (1414) depôs o Antipapa João XXIII, recebeu a abdicação do Papa Gregório XII, e finalmente, conseguiu depor o Antipapa Bento XIII. Em 11 de Novembro de 1417, o concílio elegeu Odo Colonna, que tomou o nome de Martinho V, com o que terminou o grande cisma do Ocidente e foi restabelecida a unidade. O prestígio do papado foi profundamente afectado com esta crise, o que causou a criação da doutrina conciliar, que sustenta que a autoridade suprema da Igreja encontra-se com um concílio ecuménico e não com o papa, sendo efectivamente extinta no século XV.
Confusos?


É que para já temos dois papas. E ambos estão vivos!

Na Centúria III, Quadra 5, Nostradamus escreveu:
Próximo à “loing” a falta de dois grandes luminares
Que sobrevirá entre Abril e Março
O que penúria! Mas dois grandes “de bons ares”
Por terra e mar socorrerão todas as partes.
Segundo estudiosos das profecias de Nostradamus, “loing” se refere a Bento XVI, como visto em outras quadras. Os dois grandes luminares são João Paulo I e II. Bento XVI de fato sobreviveu entre Abril e Março, já que foi eleito em um mês de Abril e renunciou no último dia de Fevereiro. Os dois grandes de bons ares, segundo as interpretações que mais parecem fazer sentido, seriam Brasil e Rússia, que socorrerão todas as partes por terem o maior número de católicos no mundo (ou, talvez, pela igreja evangélica brasileira e a ortodoxa russa, quem sabe?)
Centúria III, Quadra 19
Em Luques sangue e leite virão com força
Um pouco antes mudança do pretor
Grande mal e guerra, a fome e a sede serão vistas
Loing, onde morrerá o seu príncipe retificador
Se Bento XVI (Loing) é o rei, seu sucessor é o príncipe. Luques pode referir-se a Lucca, província italiana da Toscana. Sangue e leite poderiam ser uma metáfora à lava e à chuva ácida decorrentes de uma possível erupção do vulcão Lacial, na Toscana. Esta poderia ser a causa da destruição de Roma presente em outras profecias, que causaria ainda o mal, a guerra, a fome e a sede de que fala Nostradamus, na época do próximo papa, o príncipe.
Centúria II, Quadra 28
O penúltimo com sobrenome de profeta
Terá Diana no crepúsculo e repouso de sua vida
Loin irá vagar por pensamentos frenéticos
Ao livrar uma grande população de impostos
O penúltimo seria Bento XVI, chamado Joseph, nome de profeta. Diana é o Vaticano. Lion também é Bento XVI (os números romanos de Lion equivalem a XVI). A profecia se cumpre ao afirmar que Bento XVI irá livrar uma grande população de impostos, posto que renunciou ao cargo em amor à Igreja e para proteção dos católicos.
Centúria V, Quadra 56
Depois da morte do velho papa
Será eleito um romano de boa idade:
Este será acusado de enfraquecer a Santa Sé e viverá por um longo período,
Tomando atitudes polemicas
O romano de boa idade será o último papa e corresponde à profecia de Pedro Romano, que será mais jovem que Bento XVI.
Sobre o papa negro:
Através de Marte adverso será a monarquia
Do grande pescador em apuros ruinosa
Um tinto jovem negro vai aproveitar a hierarquia
Os predadores que agem em um dia nublado
Quando fala de Marte diverso, Nostradamus fala de um período de guerra. Pescador se refere a papa. Entretanto, o jovem negro pode se referir tanto a um papa mais jovem (de aproximadamente 60 anos) de cor negra quanto a um papa que vem de uma ordem negra.
Centúria I, Quadra 43
Antes que advenha a mudança de império
Virá um caso bastante maravilhoso
A fortaleza mudada, o pilar da rocha
Mas transmutado sobre o rochedo negro
A mudança de império pode se referir ao fim da Igreja Católica ou à sua mudança para Jerusalém. O caso maravilhoso seria a renúncia de Bento XVI. A rocha seria o papa, que seria transmutada no rochedo negro, ou papa negro, que pode ter os significados mencionados acima.


A ver veremos…

domingo, março 03, 2013

Piri Reis, o turco desconhecido

 
Na passada semana vi um documentário no Canal História, sobre Piri Reis, almirante turco, cartografo sem igual, militar ousado e corsário. 
E Académico e Homem ainda impar para os turcos do século XXI.
Mas deixe-mo-nos de coisas, Piri Reis foi real, de carne e osso e não nenhuma figura mística ou nenhum ET.
A sua estátua está conjuntamente com a do Sultão Soleimão à porta da Grande Mesquita Azul, em Istambul, na Turquia.
Já tinha lido algumas coisas sobre Piri Reis enquanto deambulava pela internet.
Mas havia muita especulação...

Especialmente sobre o mapa de Piri Reis, que está muito à frente do seu tempo, uma vez que destaca sem igual e com uma precisão notável, as costas do Leste da América do Sul, o Noroeste de África, as Antilhas, a Europa e pasme-se ainda, a Antárctida, muitos anos antes de ser descoberta(!) Glup, verdade.

Ficheiro:Piri reis world map 01.jpg 
 
A Turquia de Quinhentos era a verdadeira Potência Um da Terra e não a esparrela que nos contaram nas aulas de História.
Piri Reis desde muito novo, que percorreu todos os postos da Armada Turca. 
Várias questões se levantam:
E se os turcos tivessem dado a volta a África?
Eles tinham postos avançados em Zanzibar e tinham descido a costa de Moçambique e há ainda a milenar presença árabe, no Senegal e em Moçambique.  
Eles estiveram na Índia, estabeleceram contactos com os chineses e se tivessem chegado às Américas? 
E à Antárctida? 
Muitos anos antes doutros europeus? 

 
Os Turcos dominavam o Mar Mediterrâneo, o Mar Vermelho e o Golfo Pérsico, e todas as rotas comerciais. E estavam às portas de Viena!


Mas nós ocidentais andamos muitas vezes com os olhos vendados e não vemos o que deveríamos ver.

 
A obra notável de Piri Reis foi oferecida a Solimão, o Magnifico e esteve resguardada até 1929, na Grande Mesquita Azul, em Istambul, altura em que o pai da Moderna Turquia Mustafa Kemal Atatürk revelou aos atónitos ocidentais, parte do mapa de Piri Reis.
Os turcos passaram então um atestado de estupidez aos avançados europeus de então. 
Mas, onde anda o resto do mapa?

 
Sim, porque nós só conhecemos uma parte do mapa. O mapa era mais que um mapa, era um magnífico livro que foi oferecido pelo Almirante Piri Reis, ao seu Sultão, Solimão, o Magnífico. 
Do qual só se conhecem dois exemplares, o original e um outro.
Esse livro era composto por portulanos (cartas marítimas) e era maravilhosamente decorado. O livro foi escrito por Piri Reis e as cartas desenhadas por este militar e cartografo turco de grande visão.
Piri Reis navegou pelos oceanos terrestres para ridigir a sua obra, ao contrário de muitos disparates que li. A obra de Piri Reis foi ocultada do mundo, pois as cartas marítimas eram objecto de cobiça e de grande segredo e tratadas como se de segredo de estado fossem
E está visto que antes dos portugueses e dos espanhóis, os turcos conheciam melhor o mundo e os sete mares.

  
Pelos vistos não foram só os portugueses e os espanhóis de Quinhentos que conheciam os segredos do mundo que estava por desvendar.
Agora há uma coisa que me faz espécie. 
Se, os turcos conheciam a existência doutros continentes, tinham meios humanos e não só, porque motivo não avançaram para os Descobrimentos?
E parece que muito antes dos turcos, já os chineses e os antigos egípcios conheciam melhor o planeta, do que os seus descendentes...

É que a História poderia ter sido outra...

Para outras leituras:


quarta-feira, agosto 29, 2012

Arte rupestre nos Açores



O presidente da Associação Portuguesa de Investigação Arqueológica (APIA), Nuno Ribeiro, revelou no passado dia 27 de Agosto de 2012, a existência de arte rupestre na ilha Terceira, reafirmando a convicção de que a ocupação humana dos Açores é anterior à chegada dos portugueses.
«Encontramos agora um sítio de arte rupestre com características que nos fazem acreditar que remonta à Idade do Bronze», afirmou Nuno Ribeiro, em declarações à Lusa em Ponta Delgada, onde proferiu uma conferência na Universidade dos Açores sobre o tema «Ocupações humanas pré-portuguesas nos Açores: mito ou realidade?».
Nuno Ribeiro salientou que, nos últimos três anos, foram descobertos em várias ilhas açorianas vestígios de estruturas «que indiciam pela sua arquitectura e construção serem de origem pré-portuguesa».
«Temos um epígrafo da época romana, segundo dois cientistas que convidamos a interpretar a inscrição, um sítio de arte rupestre, estruturas megalíticas, enfim, um conjunto importante de estruturas espalhadas pelas ilhas que precisam de ser interpretadas de outras formas», frisou.

No ano passado, o arqueólogo anunciou a descoberta de «um conjunto significativo de mais de cinco monumentos do tipo hipogeu (túmulos escavados nas rochas) e de, pelo menos, três "santuários" proto-históricos escavados na rocha».
«Em alguns casos, acreditamos que existem templos e hipogeus. Não temos dúvidas que existem santuários» Nuno Ribeiro salientou que as descobertas feitas nos Açores têm sido publicadas em artigos científicos e apresentadas em congressos internacionais de arqueologia, obtendo «grande aceitação junto da comunidade científica internacional».
«Em alguns casos, acreditamos que existem templos e hipogeus. Não temos dúvidas que existem santuários», afirmou, recordando, no entanto, que «todos este dados precisam de ser datados».
Para continuar a desenvolver o projecto, a equipa formada por investigadores dos Açores, Reino Unido, EUA, Espanha e Alemanha necessita de autorização do Governo Regional para efectuar escavações e datar com maior rigor os elementos já identificados nas ilhas.
«O nosso grande problema nesta fase é que o Governo dos Açores não nos autorizou os trabalhos arqueológicos, no ano passado por falta de financiamento e este ano por não se enquadrar num decreto lei», lamentou Nuno Ribeiro.
O arqueólogo, que manifestou confiança que os elementos já identificados comprovam que a ocupação humana dos Açores é anterior à chegada dos portugueses, alertou que todos esses vestígios estão ao abandono.

«Na ilha do Corvo, enquanto lá estive a passar uns dias de férias, vi obras a ser feitas no aeroporto sem qualquer acompanhamento arqueológico», denunciou, acrescentando que «a 300 metros tinha sido encontrada uma estrutura com uma planta que, no Alentejo, foi enquadrada com sepulturas».

Fonte: Jornal de Arqueologia, Lusa, via TVI24

quarta-feira, agosto 22, 2012

Novas pirâmides descobertas no Egipto


Os dois locais em causa estão a cerca de 145 quilómetros um do outro. Pelas imagens captadas pelos satélites, que estão agora a ser cuidadosamente examinadas por vários arqueólogos, parecem ter vários montes em forma de pirâmide. 
Mas, a confirmar-se, a descoberta poderá ser ainda mais relevante: é que uma das formações, triangular, tem uma base de cerca de 250 metros - quase três vezes o tamanho da Grande Pirâmide. No outro local, distinguem-se, aparentemente, formações de base quadrada e que, vistas de cima, parecem piramidais.
Segundo a Sky News, os especialistas estão a observar as imagens antes de se deslocarem ao local.
Em maio do ano passado, 17 pirâmides foram identificadas também via satélite.


quinta-feira, agosto 09, 2012

Um passado desconhecido no Alentejo

 
São de marfim, cabem na palma da mão e têm pormenores delicados, que surpreendem. António Valera, o arqueólogo que dirige as escavações na Herdade dos Perdigões, em Reguengos de Monsaraz, fala com entusiasmo das estatuetas de marfim que ontem apresentou aos jornalistas como "descoberta única" em Portugal.
"Difunde-se muito a ideia de que o homem pré-histórico era rude, um brutamontes, graças ao cinema", diz Valera. "Mas o que povoados como o dos Perdigões mostram, com toda a sua simbiose com o mundo natural, é algo que estas esculturas vêm reforçar - nesta Pré-História havia um grande grau de sofisticação que está muito longe do preconceito."
Com 4500 anos, as 20 esculturas em miniatura (com tamanho entre os 12 e os 15 centímetros), "pelo menos nove das quais muito realistas", começaram a ser encontradas no ano passado, quando os arqueólogos escavavam um fosso onde, depois de cremados, foram depositados vários corpos. Para os investigadores da Era, a empresa que há 15 anos trabalha nos Perdigões, a herdade que a Finagra (actual Esporão S.A.) comprou para plantar vinha, mas que acabou por transformar num campo arqueológico com 16 hectares, encontrar representações humanas de marfim, "com grande qualidade estética e de execução", foi "emocionante", embora não tenha sido uma surpresa completa.
Estatuetas semelhantes são relativamente frequentes na Andaluzia, região com a qual o Sul do país forma uma unidade territorial na Pré-História. Como escavaram apenas uma área muito reduzida deste complexo arqueológico em que descobriram já mais de 500 peças e fragmentos de marfim, entre elas algumas representações de animais muito pormenorizadas, Valera e a sua equipa acreditavam que, mais cedo ou mais tarde, poderiam vir a dar com esculturas antropomórficas. "O que surpreendeu foi o rigor realista de algumas das figuras, que terá exigido grande capacidade técnica", explica.
Para Vítor Gonçalves, catedrático da Faculdade de Letras de Lisboa, especialista em Pré-História, a grande singularidade das estatuetas humanas dos Perdigões é simplesmente o facto de terem sobrevivido milhares de anos às agressões do solo alentejano. "Temos poucas figurações antropomórficas de marfim na Pré-História portuguesa, mas ainda menos no Alentejo, porque lá a terra é tão ácida que destrói tudo", explicou ao PÚBLICO pelo telefone, não tendo visto ainda ao vivo as peças da herdade. A descoberta, que considera "impressionante", é para este arqueólogo mais uma das originalidades dos Perdigões, a juntar ao facto de ser um "complexo mágico-religioso alentejano em que os sepulcros não são antas".
Conhecido desde 1983, o sítio dos Perdigões só começou a ser escavado em 1997, depois de um estudo geofísico, que fez uma espécie de radiografia à paisagem, ter identificado uma série de fossos concêntricos, mais ou menos circulares, e outras estruturas: possíveis cabanas, silos e sepulturas.
O que os trabalhos têm revelado nos últimos anos, explica Valera, é que o povoado, que começou por ser construído por comunidades neolíticas (com 5500 anos), teria grande importância na região, tendo sido, possivelmente, lugar de festas cerimoniais e de rituais associados ao culto dos mortos. O cromeleque perto da necrópole, já fora dos limites do povoado, reforça esta teoria.
"Estas povoações, das antigas sociedades camponesas, eram já capazes de construir obras públicas de envergadura, como estes fossos. Identificámos 12 e fizemos sondagens em quatro. Para fazer estes quatro estimamos que terão sido retiradas 60 mil toneladas de rocha, impressionante para as ferramentas rudimentares da época", diz Valera.
Em seguida, os arqueólogos vão aprofundar os estudos dos materiais nas valas e nas sepulturas com a ajuda de antropólogos da Universidade de Coimbra e fazer sondagens nos fossos para determinar a idade de cada um e a dinâmica de ocupação do povoado. Pelo meio, há que continuar a analisar as "mini-esculturas". Para já as perguntas são muitas e as certezas quase nulas. Porque são tão realistas numa altura em que a representação da figura humana é essencialmente estilizada, como prova a maioria das 20 estatuetas? Serão deuses? Porque têm algumas o género tão bem definido e outras são assexuadas?
Têm o corpo esguio, com as nádegas e o tronco bem delineados, nariz e orelhas definidas, tatuagens faciais, cabelos a cobrirem as costas, olhos grandes que poderiam ter incrustações e as mãos sobre a barriga, segurando o que parece ser um bastão. "Nesta fase só podemos lançar hipóteses, especular", reconhece Valera. "São todas muito parecidas e o facto de serem realistas faz-nos pensar que podem querer comunicar uma ideia muito específica. A própria postura do corpo pode ter um significado, como quando nos ajoelhamos na igreja. Podem representar um estatuto social, um grupo dentro da comunidade ou até mesmo uma família." Mas também podem ser divindades, teoria que parece mais provável a Vítor Gonçalves, que conhece as estatuetas da Andaluzia. "Muitas das representações humanas neste período, como as das placas de xisto portuguesas, estão ligadas à deusa-mãe. Depois, progressivamente, chegamos a outras de um deus jovem."
Os arqueólogos dos Perdigões vão também estudar o marfim de que são feitas. Dos 500 fragmentos encontrados nos Perdigões analisaram apenas 15 e concluíram que se trata de marfim de elefante africano, o que prova que o povoado mantinha contactos com regiões distantes. Mas entre os restantes pode haver elefante asiático, marfim fóssil (de quando havia elefantes na Península) e até osso de outros animais, explica Valera. Na península de Lisboa, acrescenta Gonçalves, já foram encontrados fragmentos de cachalote.
Muitos dos enigmas das esculturas dos Perdigões vão ficar por decifrar, diz o director das escavações, mas os problemas que elas colocam, associados às práticas funerárias, sobre a concepção do corpo são só por si fascinantes. E se para o homem que viveu no Alentejo pré-histórico o corpo não fosse uma unidade? "É difícil saber o que vai na cabeça das pessoas de há 5000 anos." Mas vale a pena pensar nisso.

Fonte: Público

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