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domingo, maio 26, 2013

Carne artificial - Vamos substituir o matadouro pelo laboratório?



Em breve Mark Post vai apresentar os primeiros resultados do projecto que desenvolve carne em laboratório

A carne artificial pode ser uma opção viável para reduzir 278 milhões de toneladas de carne animal, produzidas por ano. Apesar das possíveis diferenças nos valores nutricionais, os especialistas não condenam a alternativa.
Em 2012, cada europeu consumiu cerca de 76 quilos de carne. No resto do mundo, a média foi de 42 quilos. Estas estatísticas estão a gerar preocupações ambientais, já que por cada mil gramas de carne de vaca produzida para consumo humano, são libertados cerca de 13 quilos de gases com efeitos de estufa — muito mais nocivos que o dióxido de carbono. 
A Organização para a Comida e Agricultura das Nações Unidas sublinha que este valor é equivalente aos gases que, em média, são emitidos a cada 160 quilómetros percorridos por um automóvel. 

O problema dos valores nutricionais
Anna Olsson, investigadora do Instituto de Biologia Molecular e Celular (IBMC) da Universidade do Porto, diz mesmo que, actualmente, o "nível de consumo de carne não é sustentável". Assim, a produção de carne em laboratório pode ser a solução para um ambiente mais equilibrado.
Tal como a convencional, a carne artificial "pode ser enriquecida com nutrientes e há maiores possibilidades de controlar a sua composição do que quando a carne deriva de um animal". Segundo a investigadora, os valores nutricionais "não precisam de ser diferentes, mas se houver diferenças em termos de valores nutricionais, parece provável que sejam em favor da carne artificial".
Já Célia Lopes, dietista, refere que ainda é cedo para ter acesso a relatórios acerca da "composição nutricional da carne artificial". Deste modo, ao não existir "provas dadas ao nível da comunidade científica, não é possível afirmar que a carne artificial apresenta os mesmos valores nutricionais que a de animal".
No entanto, Anna refere que comer "carne em si não é problemático", uma vez que o problema está mesmo nas grandes quantidades consumidas "no mundo ocidental". Célia Lopes partilha da mesma opinião pois "como qualquer alimento", o problema é quando é consumido em excesso". Deve-se variar o tipo de carne consumida, "limitando o consumo de carnes vermelhas e ter em atenção a certificação dos produtores e distribuidores.
Apesar de defender que a carne artificial pode ser mais facilmente controlada para "conter características benéficas para a saúde", Cristina Rodrigues, do Centro Vegetariano, diz que, ao tratar-se de um alimento produzido em laboratório, "não se sabe se terá consequências para a saúde ou não". Mesmo assim, "a substituição da carne animal por carne artificial certamente diminuirá problemas de colesterol e outros associados ao consumo excessivo de proteínas animais", sublinha.

Projecto da Universidade de Maastricht
Na Holanda já há previsões para o primeiro hambúrguer de origem não-animal. Nos próximos meses, a equipa de cientistas e investigadores da Universidade de Maastricht — liderada por Mark Post — vai apresentar os primeiros resultados do projecto que desenvolve carne em laboratório.
O processo é complicado mas garante a salvaguarda e respeito pelos animais. As células estaminais são extraídas de tecido muscular animal, através de uma autópsia, para depois serem cultivadas in vitro. Ao longo do processo, acrescentam-se vitaminas, açúcar e gordura de forma a estimular a origem de três mil pedaços de tecido: o suficiente para produzir um hambúrguer. 
A carne de laboratório vai ter um preço elevado, tratando-se de um produto para um pequeno "nicho". Assim, inicialmente, não vai ser um produto para o grande público. Cristina Rodrigues lembra, no entanto, que é necessário que o produto seja "saboroso" e que tenha "um preço mais acessível do que a carne" convencional, para granjear mais apoiantes. E mesmo assim há muitas pessoas que nunca vão ter "interesse em experimentar um produto de laboratório", diz. Pode até levar "muitos anos até se mudar mentalidades e hábitos".
Fonte: Público

sábado, maio 18, 2013

Holanda pode provocar o colapso do Euro



"Que país da zona euro está mais endividado? Os gregos esbanjadores, com as suas generosas pensões estatais? Os cipriotas e os seus bancos repletos de dinheiro sujo russo? Os espanhóis tocados pela recessão ou os irlandeses em falência? Pois curiosamente são os holandeses sóbrios e responsáveis. A dívida dos consumidores nos Países Baixos atingiu 250% do rendimento disponível e é uma das mais altas do mundo. Em comparação, a Espanha nunca superou os 125%.
A Holanda é um dos países mais endividados do mundo. Está mergulhada na recessão e demonstra poucos sinais de estar a sair dela. A crise do euro arrasta-se há três anos e até agora só tinha infectado os países periféricos da moeda única. A Holanda, no entanto, é um membro central tanto da UE quanto do euro. Se não puder sobreviver na zona euro, estará tudo acabado.
O país sempre foi um dos mais prósperos e estáveis de Europa, além de um dos maiores defensores da UE. Foi membro fundador da união e um dos partidários mais entusiastas do lançamento da moeda única. Com uma economia rica, orientada para as exportações e um grande número de multinacionais de sucesso, supunha-se que tinha tudo a ganhar com a criação da economia única que nasceria com a introdução satisfatória do euro. Em vez disso, começou a interpretar um guião tristemente conhecido. Está a estourar do mesmo modo que a Irlanda, a Grécia e Portugal, salvo que o rastilho é um pouco mais longo.

Bolha imobiliária
Os juros baixos, que antes do mais respondem aos interesses da economia alemã, e a existência de muito capital barato criaram uma bolha imobiliária e a explosão da dívida. Desde o lançamento da moeda única até o pico do mercado, o preço da habitação na Holanda duplicou, convertendo-se num dos mercados mais sobreaquecidos do mundo. Agora explodiu estrondosamente. Os preços da habitação caem com a mesma velocidade que os da Flórida quando murchou o auge imobiliário americano.
Actualmente, os preços estão 16,6% mais baixos do que estavam no ponto mais alto da bolha de 2008, e a associação nacional de agentes imobiliários prevê outra queda de 7% este ano. A não ser que tenha comprado a sua casa no século passado, agora valerá menos do que pagou e inclusive menos ainda do que pediu emprestado por ela.
Por tudo isso, os holandeses afundam-se num mar de dívidas. A dívida dos lares está acima dos 250%, é maior ainda que a da Irlanda, e 2,5 vezes o nível da da Grécia. O governo já teve de resgatar um banco e, com preços da moradia em queda contínua, o mais provável é que o sigam muitos mais. Os bancos holandeses têm 650 mil milhões de euros pendentes num sector imobiliário que perde valor a toda a velocidade. Se há um facto demonstrado sobre os mercados financeiros é que quando os mercados imobiliários se afundam, o sistema financeiro não se faz esperar.

Profunda recessão
As agências de rating (que não costumam ser as primeiras a estar a par dos últimos acontecimentos) já se começam a dar conta. Em Fevereiro, a Fitch rebaixou a qualificação estável da dívida holandesa, que continua com o seu triplo A, ainda que só por um fio. A agência culpou a queda dos preços da moradia, o aumento da dívida estatal e a estabilidade do sistema bancário (a mesma mistura tóxica de outros países da eurozona afectados pela crise).
A economia afundou-se na recessão. O desemprego aumenta e atinge máximos de há duas décadas. O total de desempregados duplicou em apenas dois anos, e em Março a taxa de desemprego passou de 7,7% para 8,1% (uma taxa de aumento ainda mais rápida que a do Chipre). O FMI prevê que a economia vai encolher 0,5% em 2013, mas os prognósticos têm o mau costume de ser optimistas. O governo não cumpre os seus défices orçamentais, apesar de ter imposto medidas severas de austeridade em Outubro. Como outros países da eurozona, a Holanda parece encerrada num círculo vicioso de desemprego em aumento e rendimentos fiscais em queda, o que conduz a ainda mais austeridade e a mais cortes e perda de emprego. Quando um país entra nesse comboio, custa muito a sair dele (sobretudo dentro das fronteiras do euro).
Até agora, a Holanda tinha sido o grande aliado da Alemanha na imposição da austeridade por todo o continente, como resposta aos problemas da moeda. Agora que a recessão se agrava, o apoio holandês a uma receita sem fim de cortes e recessão (e inclusive ao euro) começará a esfumar-se.
Os colapsos da zona euro ocorreram sempre na periferia da divisa. Eram países marginais e os seus problemas eram apresentados como acidentes, não como prova das falhas sistémicas da forma como  a moeda foi estruturada. Os gregos gastavam demasiado. Os irlandeses deixaram que o seu mercado imobiliário se descontrolasse. Os italianos sempre tiveram demasiada dívida. Para os holandeses não há nenhuma desculpa: eles obedeceram a todas as regras.
Desde o início ficou claro que a crise do euro chegaria à sua fase terminal quando atingisse o centro. Muitos analistas supunham que seria a França e, ainda que França não esteja exatamente isenta de problemas (o desemprego cresce e o governo faz o que pode, retirando competitividade à economia), não deixa de continuar a ser um país rico. As suas dívidas serão altas mas não estão fora de controlo nem começaram a ameaçar a estabilidade do sistema bancário. A Holanda está a chegar a esse ponto.
Talvez se tenha de esperar um ano mais, talvez dois, mas a queda ganha ritmo e o sistema financeiro perde estabilidade a cada dia. A Holanda será o primeiro país central a estourar e isso significará demasiada crise para o euro."

Matthew Lynn é director executivo da consultora londrina Strategy Economics.
Publicado originalmente em El Economista, republicado em Jaque al Neoliberalismo

terça-feira, abril 23, 2013

Estão abertas as inscrições para viagem a Marte



A organização não-governamental holandesa Mars One quer colocar seres humanos em Marte em 2023, tendo lançado na segunda-feira um programa de recrutamento de voluntários. Ainda não há portugueses inscritos. 


Até às 15h30 de hoje havia apenas cerca de 50 pessoas inscritas como voluntárias para ir a Marte no site oficial do projeto, que foi apresentado na segunda-feira, numa conferência de imprensa em Nova Iorque. Na ocasião, Bas Landsdorp, fundador da Mars One, explicou que a organização já recebeu "dez mil 'emails' de pessoas de mais de cem países que estão interessadas em juntar-se à missão", mas no site em que cada um dos interessados se deverá inscrever o número ainda é reduzido e sem nenhum português inscrito.

Veja o vídeo de apresentação do projecto:




Os candidatos a astronautas terão que ter mais de 18 anos, com capacidade de criar e manter relacionamentos, que sejam capazes de auto-análise e confiança, que sejam curiosos, criativos, flexíveis e desembaraçados, que tenham noções básicas de inglês e que tenham a plena noção de que esta poderá ser uma viagem sem regresso à Terra.

As candidaturas estão abertas até 31 de agosto. No total, a organização procura 24 astronautas, que serão enviados para Marte em grupos de quatro (dois homens e duas mulheres, para que possam reproduzir-se), para estadias de sete meses. O primeiro grupo parte para Marte em setembro de 2022. De dois em dois anos será enviado um novo grupo, que no Planeta vermelho viverá em casas de 50 metros quadrados e cultivará os seus próprios alimentos.

Os astronautas seleccionados serão treinados entre 2016 e 2021 em compartimentos que simularão as condições físicas e atmosféricas marcianas.

Os finalistas serão escolhidos pela Mars One e através de um programa televisivo.

Há a possibilidade de a estada em Marte também ser filmada, pelo que este projecto se poderá transformar numa espécie de "Big Brother" feito no espaço.

Com um orçamento de 4,6 mil milhões de euros, o programa da Mars One é apadrinhado pelo holandês Gerard't Hooft, Nobel da Física em 1999.

"Isto parece muito dinheiro, e na verdade é muito dinheiro, mas imaginem o que será quando a primeira pessoa pisar Marte. Toda a gente do globo, literalmente, vai querer ver", sublinhou Landsdorp.

O programa tem sido visto com reservas e algum cepticismo, porque a própria agência norte-americana NASA até agora apenas conseguiu enviar um veículo robotizado para o planeta vermelho. Há ainda muitas questões por responder no que toca a um programa espacial com humanos em Marte, relacionados com as condições de sobrevivência no planeta.

Fonte: DN



sábado, dezembro 12, 2009

Depois da Gripe A, eis a Febre Q


As autoridades holandesas ordenaram o abate de milhares de cabras e ovelhas, para evitar a propagação de uma epidemia de «Febre Q», uma infecção bacteriana que pode ser transmitida aos humanos.

A decisão afecta entre 10.000 a 15.000 animais, sobretudo fêmeas grávidas que apresentam um perigo maior de transmissão.

O Ministro Holandês da Saúde, quis, no entanto, "deixar claro às populações das regiões afectadas, que as hipóteses de propagação (humana) são reduzidas. Não estamos no período tradicional de nascimentos (de cabras e ovelhas), por isso , de um ponto de vista de saúde pública, há tempo suficiente para tomar as medidas adequadas."

A epidemia, concentrada sobretudo no sul do país, afecta 55 das 400 explorações de gado da Holanda.

Desde a aparição da «febre Q», no país, mais de 3.500 pessoas foram contaminadas. Apesar da maioria não apresentar sintomas, a infecção já fez dez mortos.
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