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segunda-feira, agosto 22, 2011

Quando David Cameron partia montras

“Numa cidade inglesa, um bando de jovens parte uma vitrina, foge na noite e dirige-se a correr para o jardim botânico. A polícia segue-os, apanha alguns com seus telemóveis e põe-nos no calabouço.

O problema é que não se trata de um episódio ocorrido nestes dias. E que os jovens detidos não são desordeiros sub-proletários. Não, o episódio verificou-se há 24 anos em Oxford e os 10 jovens eram todos membros do Bullington Club, uma associação estudantil oxfordiana com 150 anos de idade, famosa pelas suas travessuras estudantis, suas bebedeiras e por considerar a vandalização de lojas e restaurantes como a melhor das distracções. Os problemas com donos de restaurantes, comerciantes e de denúncias à polícia são resolvidos com algumas indemnizações generosas vindas das gordas carteiras paternais. Algumas horas antes, os dez bravos jovens fizeram-se retratar nos degraus de uma grande escada, todos em uniforme do clube, roupa de recepção a 1000 libras esterlinas (1150 euros) cada uma. Dentre eles destaca-se um jovem David Cameron e um, também imberbe, Boris Johnson.

Acontece que hoje Cameron é o primeiro-ministro conservador e Johnson é presidente conservador da Grande Londres. E que tanto um como outro trovejam contra os vândalos que destroem as propriedades privadas. Tanto um como outro defendem a linha dura, a mão de ferro. Cameron quer recorrer ao exército e censurar as redes sociais; Johnson quer aumentar os efectivos da polícia. Sem sequer a menor compreensão por quem não faz outra coisa, no fundo, senão emular os seus gestos de outrora.

Mas, evidentemente, é característico da mentalidade de um filho do papá considerar que os outros não podem – e não devem – permitir-se aquilo que lhes foi permitido, a eles, por direito de nascimento e de extracção social.

David Cameron. David Cameron nasceu em 1966, filho de um pai agente da bolsa e de uma mãe filha de um baronete: o actual primeiro-ministro gosta de divulgar que é o descendente ilegítimo do rei Guilherme IV e da sua amante Dorotéia, e portanto que é um parente longínquo da rainha Elisabeth II. Snob típico, Cameron foi enviado aos sete anos para Heatherdown, escola elementar frequentada também pelos príncipes Andrew e Edward, escola cuja atitude de classe era sem equívocos: nos dias de excursão, as toilettes portáveis eram designadas por "Ladies", "Gentlemen" e "Chauffeurs". E quando Margaret Thatcher foi eleita primeira-ministra, a escola celebra isso com uma partida de cricket improvisada de alunos contra professores. No liceu, Cameron foi enviado à mais prestigiosa escola privada da Inglaterra, Eton (despesas anuais de escolaridade: 27 mil libras esterlinas, cerca de 31 mil euros), o cadinho da classe dominante (Boris Johnson também foi seu colega de classe em Eton): é divertido que na Grã-Bretanha as escolas privadas sejam chamadas de escolas públicas (public schools). Ali o jovem Cameron foi surpreendido em vias de colar e, como punição, teve de copiar 500 linhas de latim. Depois de Eton seguiu-se, naturalmente, a Universidade de Oxford e seu clube, o Bullington. Como perfeito snob, Cameron casou-se depois com Samantha Gwendoline Sheffield, cujo pai é um baronete proprietário de terras e cujo padrinho é visconde. Samantha Gwendolina trabalha na célebre casa de produtos de luxo Smyrne, da Bond Street, e recebeu o prémio de Melhor Desenhadora de Acessórios concedido pelo British Glamour Magazine.

Quando se recuperam das suas asneiras estudantis, os filhos do papá geralmente fazem uma bela carreira: Boris Johnson tornou-se director do Spectator (ainda que a sua carreira cambaleie com as suas aventuras de mulherengo inveterado, apesar de casado). Cameron tornou-se director de Assuntos Corporativos na Carlton Communication, uma sociedade de media absorvida a seguir pela Granada plc para constituir a ITV plc.

Em 2006, quando Cameron vence o congresso Tory e torna-se líder do partido conservador, tem apenas 38 anos. E é muito naturalmente que, no governo sombra que forma (o primeiro-ministro na época era Tony Blair), três dos membros são antigos alunos de Eton (Old Etonians). Mas no grupo dos seus colaboradores mais próximos, pelo menos 15 são Old Etonians. E passa-se o mesmo quando, em Maio de 2010, Cameron ganha (pela metade) as eleições e torna-se primeiro-ministro à testa de uma coligação com os neoliberais dirigidos por Nick Clegg: também aqui o núcleo duro do governo é constituído por aristocratas, etonianos ou oxfordianos, como o actual o ministro da Economia George Gideon Osborne, também ele nobre, herdeiro do baronato Osborne, também ele diplomado em Oxford, e também ele, é claro, antigo membro do Club Bullington.

Como se dizia outrora: o bom sangue não mente. A classe (social) tão pouco”.

12/Agosto/2011

O original encontra-se em www.ilmanifesto.it/... , a versão em francês em

http://www.legrandsoir.info/quand-david-cassait-les-vitrines-il-manifesto.html

Este artigo encontra-se em http://resistir.info/.



sábado, agosto 13, 2011

Motins em Inglaterra (2)


Longe vai a fúria de há uma semana nas ruas da velha albion. É tempo de arrumar a casa e a polícia prossegue o seu trabalho inglório invadindo agora residências para prender pessoas relacionadas com os motins em Londres e outras cidades.

Mil e quinhentos acusados e algumas surpresas, tais como: o professor primário Alex Bailley que foi acusado de assalto a uma loja de electrodomésticos, passando por uma aluna de 11 anos que não foi identificada por causa da sua idade que destruiu montras à pedrada, ou a filha de um milionário Laura Johnson, de 19 anos, menina rica que roubou duas TV, um microondas e telemóveis, a um miúdo de 12 anos que admitiu em Tribunal ter assaltado uma loja na área de Manchester e ainda a embaixadora olímpica Chelsea Ives, que apedrejou a policia (isto segundo o jornal Correio da Manhã de 12.08.2011, fls. 27).

No entanto, ninguém fala da insegurança que os motins demonstraram ou ainda o desinvestimento do estado britânico, que cortou no número de policiais reduzindo estes em trinta mil efectivos. Tão confiantes que eles estavam nas câmaras de vigilância. Contudo os ingleses não compreendem muito bem as opções do Governo de Cameron, ao nomear como Superintendente de todas as polícias, o antigo responsável pela policia de Los Angeles.

Mas, em nome da crise, depois dos motins David Cameron prometeu não ficar por aqui, pois planeia mais despedimentos na polícia britânica e mais cortes, tudo isto segundo ele, em prol do cidadão…

Estranhas opções…

Para a próxima, o Primeiro-ministro inglês dará luz verde ao Exército, caso os distúrbios se repitam. Pondera bloquear as redes sociais e até mesmo a internet, para evitar a mobilização dos delinquentes.

Está bom de ver que tudo isto cheira a esturro. Foi uma espécie de balão de ensaio, até à próxima que será a doer, com os blindados na rua, a Lei Marcial instaurada e a Nova Ordem no poleiro, com luz verde para a matança.

Dêem-lhes mais um pretexto…

“Vamos localizar-vos, acusar-vos e punir-vos”

David Cameron, primeiro-ministro inglês


quinta-feira, agosto 11, 2011

Londres quer bloquear redes sociais

Londres está a estudar um bloqueio do sistema de redes sociais, como o ‘Twitter’ ou ‘Blackberry Messenger’ em alturas de distúrbios civis.

"Estamos a trabalhar com a polícia, os serviços secretos e a indústria para estudar se não seria correcto impedir as pessoas de comunicarem através destes ‘sites' e serviços quando sabemos que estão a planear actos de violência, desordem e criminalidade", disse hoje Cameron ao Parlamento, durante a sessão de emergência convocada para debater os motins que tiveram lugar entre sábado e terça-feira.

O curso de acção estudado pelo executivo britânico foi condenado como ‘repressivo' pelas democracias ocidentais quando foi usado por outros países. No Egipto, as autoridades encerraram os serviços de comunicações móveis e da Internet em Janeiro durante os protestos massivos contra o regime do presidente Hosni Mubarak, enquanto que, na Líbia o regime de Kadhafi procurou bloquear os acessos à Internet dos seus cidadãos quando começou a guerra civil, em Fevereiro. Já a China encerra rapidamente todos os meios de comunicação online que considera como "subversivos".

A polícia britânica afirma que as redes sociais da Internet, em particular o sistema de mensagens da Blackberry (BBM) têm sido usadas pelos saqueadores dos últimos dias para coordenar as suas actividades nos motins desta semana. O sistema BBM é aliás preferido em relação ao ‘Twitter' ou o ‘Facebook' devido ao facto das suas mensagens serem codificadas e impossíveis de decifrar pelas autoridades.

"O uso dos media sociais nos distúrbios parece ter mudado as regras do jogo. Mas qualquer tentativa de impor controlos por parte do Estado sobre estes media parece condenado ao fracasso", afirmou à Reuters John Bassett, antigo especialista a agência de comunicações dos serviços secretos e actual investigador do Royal United Services Institute.

Fonte: Diário Económico

“Está bom de ver que os fins justificam os meios.”

Lá dizia o velho ditado, no entanto ninguém questiona e castiga os instigadores nas redes sociais, que provocaram os motins em Londres e em Inglaterra.

É lastimável que, em muitas redes sociais estejam infiltradas pessoas que nada tem a ver com o contexto e que servem outros propósitos e desígnios, tais como, por exemplo: extremistas e maçons.

Não é por nada, mas estou com o pé atrás em relação a Primaveras Árabes, Anonymous e Revoluções Globais.

Estou céptico em relação a tudo isto. Não acredito nestes motins. Nada tem a ver com o Maio de 68 ou com a Revolução dos Cravos de 74. Em relação ao que se passou em Londres, condeno a selvajaria e a barbárie de meninos que buscavam uma playstation e um computador, até mesmo um monitor de TV. Alguns pareciam estranhas marionetas, que andam arredados da vida, quais zombies após visionarem mais um filme da Disney ou uma manga japonesa.

Perguntei a mim mesmo o que eles tinham tomado, que água tinham eles bebido é que as vítimas eram aqueles que menos culpas tinham no cartório. Enquanto os verdadeiros culpados esses sim, estão bem guardados e rodeados por altos muros e polícias e segurança até mais não.

É que a verdade anda algures por aí…



terça-feira, agosto 09, 2011

Motins em Inglaterra

O que motivou os motins?

Tem havido muita especulação sobre as razões do protesto - serão o sintoma de uma sociedade com altos níveis de desemprego, tensões raciais e uma visão da polícia como uma entidade racista?

O que se tem mais a certeza é que o rastilho foi a morte de Mark Duggan (um criminoso local), morto pela polícia na última quinta-feira, depois de ser abordado num táxi por uma unidade que investiga crimes com armas de fogo no bairro. A família garante que Duggan não estava armado. Está a ser conduzido um inquérito que poderá responder à questão: quem disparou o primeiro tiro?

Como começaram os motins?

O que se sabe é que os motins começaram horas depois de uma manifestação pacífica em Tottenham, no norte de Londres, contra a actuação da polícia no alegado tiroteio que terminou com a morte de Mark Duggan. O protesto aconteceu no sábado à tarde e juntou cerca de 120 pessoas, incluindo familiares de Duggan. Segundo os relatos disponíveis, a marcha de protesto correu pacificamente, mas, duas horas depois, gangues tomaram conta das ruas de Tottenham, atacando carros da polícia, lojas, bancos e outros edifícios. A polícia acredita "que alguns elementos que não estavam envolvidos na vigília aproveitaram a oportunidade para cometer desordens e atacar fisicamente agentes da polícia, insultar bombeiros e destruir veículos e edifícios".

Para onde se espalharam os motins?

Se no sábado, a violência estava circunscrita a Tottenham, no domingo chegou outras zonas de Londres – desde Brixton até à central Oxford Street, a principal zona comercial da capital britânica. Ontem, foi a vez de outras cidades serem palco do mesmo tipo de violência urbana.

Como se organizam os jovens nas ruas?

A polícia afirma que as redes sociais, nomeadamente o Twitter, tem sido uma das formas de coordenar os motins. Mas há quem, como o jornal "Guardian", tenha outra tese: a polícia devia ter estado antes atenta ao Blackberry Messenger, uma aplicação que funciona apenas em smartphones Blackberry, sendo, por isso, mais "invisível".

Na origem da onda de violência e vandalismo que se estende já pelo terceiro dia consecutivo em Londres têm sido erguidas várias justificações. Duas jovens britânicas que têm participado nos motins explicaram: «Estamos a mostrar aos ricos que fazemos o que nos apetece».


«Se queres ganhar dinheiro, estamos prestes a atacar no leste de Londres». Este foi o texto de um sms enviado por um participante nas pilhagens, antes de a violência se ter disseminado.

Outras mensagems encaminhavam os saqueadores para áreas de riquezas inexploradas - como lojas de aparelhagens de som, roupas de luxo, álcool e bicicletas.

Aliás, muitos dos jovens com lenços ou capuzes que estão no centro dos desacatos foram fotografados a enviar sms ao mesmo tempo que as chamas engoliam carros e prédios.

Os tumultos no Reino Unido recomeçaram esta noite (9 de Agosto de 2011) em Birmingham, Liverpool, West Bromwich, Wolverhampton, Manchester e Salford enquanto 16 mil polícias tentavam blindar a capital Londres para evitar novos incidentes, noticia a cadeia de televisão britânica Sky News.

A polícia perdeu nos dias anteriores, o controle das ruas, as inúmeras imagens que visualizei durante o dia eram reflexo disso. Eram centenas de jovens contra vinte ou trinta polícias, acabando estes na maior parte das vezes por retirar. Vi pessoas a abandonar as suas casas, os seus haveres, as suas lojas e os seus automóveis, acabando estes pilhados e incendiados. Eram quarteirões inteiros a arder na capital e noutras cidades inglesas.



O que me chocou mais foi por vezes, a tenra idade dos saqueadores, os repórteres de imagem falam que viram miúdos de 12 a 14 anos a participarem nos saques.

Repugna-me a selvajaria e a violência patente nestes actos.

No entanto, gostaria de terminar este texto com uma reflexão:

Quem está por detrás destes motins? Quem fez a convocatória através das redes sociais? Que grupos ou interesses estão por detrás disto tudo? Não estará a Maçonaria (um polvo silencioso) por detrás desta fantochada?

Outro dado curioso, os blackberrys são conhecidos em toda a parte como os telemóveis dos ricos e das minorias endinheiradas…

Há já quem fale que a internet deveria ter sido suspensa, que o Exército deveria estar a patrulhar as ruas, com o recolher obrigatório e a declaração imediata da Lei Marcial.

Certo, certo é que a esta hora já há mais de 650 detidos e 1 morto (provavelmente estes números não ficarão por aqui)…

Mais outra falsa bandeira…


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