sexta-feira, junho 15, 2007

Imagens de Portugal

Piódão, Arganil

O Piódão é sem duvida uma das mais bonitas aldeias de Portugal. Classificado como imóvel de interesse público a partir de 1978, beneficiou assim de alguma protecção.
Mas só a partir da sua integração no projecto das Aldeias Históricas de Portugal, o Piódão viu o seu conjunto urbanístico salvaguardado.


Ou seja, no âmbito desse programa todas as casas em cimento e telhados de telha deverão ser convertidas em paredes de xisto e telhados de lousa. Só assim se valoriza a riqueza arquitectónica do Piódão e a sua referência como património a preservar. O projecto está actualmente na fase final.

A aldeia tem um traçado e uma disposição típica de um povoamento de montanha. Abrigadas dos ventos dominantes, as casas trepam pela encosta acima. Os materiais de construção são aqueles que a serra oferece: xisto e madeira.

Pôr-do-sol em Portugal

Castelo de Santa Maria da Feira

O Castelo da Feira, também denominado como Castelo de Santa Maria ou Castelo de Santa Maria da Feira, localiza-se na cidade e freguesia da Feira, Concelho de Santa Maria da Feira, Distrito de Aveiro, em Portugal.

Outrora cabeça da Terra de Faria, ex-libris de Santa Maria da Feira, é considerado como um dos exemplos mais completos da arquitectura militar medieval portuguesa, uma vez que nele se encontra representada a vasta gama de elementos defensivos empregados no período.

Espelho no Tâmega

O rio Tâmega (Támega em espanhol) é um rio internacional, que nasce em Verín, Orense, Espanha e desagua em Entre-os-Rios no Rio Douro.

Ao longo do seu percurso, atravessa o centro de cidades como Chaves e Amarante.

Alcochete

Alcochete é uma vila portuguesa pertencente ao Distrito de Setúbal, região de Lisboa e sub-região da Península de Setúbal, com cerca de 14 900 habitantes (2004).

É sede de um pequeno município com 128 km2 de área, subdividido em 3 freguesias. O município é limitado a norte pelo município de Benavente, a leste e sul por Palmela, a sudoeste pelo Montijo e a noroeste tem uma pequena faixa ribeirinha ao estuário do Tejo. É sede do Parque Natural do Estuário do Tejo. Possui várias salinas ainda activas e onde nidifica uma importante colónia de flamingos.

Praia de Miramar

Tapetes de Outono

Campos da Golegã

A Golegã é conhecida pela sua feira e pelos seus cavalos.

Os Açores são um paraíso para quem ama a natureza. Das formas fantásticas dos lagos e lagoas, às extasiantes vistas sobre o oceano; das profundezas das crateras de antigos vulcões, às paisagens que mantêm a pureza original; da harmonia bucólica à serenidade do silêncio. Com todo o seu explendor verdejante, os Açores são sinónimos de uma experiência inesquecível.

Adega Regional em Vinhais, Distrito de Bragança, Trás-os-Montes


O Alentejo é uma região portuguesa, que compreende integralmente os distritos de Portalegre, Évora e Beja, e as metades sul dos distritos de Setúbal e de Santarém. Limita a norte com a Região Centro a noroeste com a Região de Lisboa, a leste com a Espanha, a sul com o Algarve e a oeste com o Atlântico. Área: 31 152 km² (33% do Continente). População (2001): 766 339 (8% do Continente).

Amarante é uma cidade portuguesa pertencente ao Distrito do Porto, região Norte e sub-região do Tâmega, com cerca de 9 900 habitantes.

Anoitecer no Rio Cávado

O rio Cávado é um rio do norte de Portugal que nasce na Serra do Larouco, a uma altitude de cerca de 1520 metros, passa por Braga, Barcelos e desagua no Atlântico junto a Esposende, após um percurso de 135 quilómetros.

Buçaco

Chaves é uma cidade portuguesa no Distrito de Vila Real, Região Norte e sub-região do Alto Trás-os-Montes, com cerca de 19 300 habitantes.

É sede de um município com 590,42 km² de área e 44 186 habitantes (2006), subdividido em 51 freguesias. O município é limitado a norte pela Espanha, leste pelo município de Vinhais, a sueste por Valpaços, a sudoeste por Vila Pouca de Aguiar e a oeste por Boticas e Montalegre.

As legiões romanas, que há dois milénios, conquistaram aquelas terras instalaram-se de essencialmente no vale, fértil do Tâmega. Exactamente onde hoje se ergue a cidade e, construíram fortificações pela periferia, aproveitando alguns dos castros existentes.

Fotos de diversos autores enviadas por Paulo Andrade e por Antero Ferreira (e-mail a vogar na rede, destacando a beleza de Portugal)

domingo, junho 10, 2007

Iodo, do Mar para o Rock

O grupo emerge de dentro do mar, num velho tele disco de 1981, gravado na Costa da Caparica, numa soalheira tarde de verão, para o Viva Música de Jaime Fernandes.


Malta à Porta


(L.Cabral / A.Antunes / Topê / R.Madeira / J.Trindade)


Se pensas em andar pela rua à procura do amanhã

Podes ficar bem contigo, mas não és só tu

Não podes ficar preso a uma ilusão

Tens de ter amigos a quem dar a mão



Não queiras assinar documentos em papel molhado

Pois ao fim e ao cabo sais sempre lixado

Tens de fazer força pelo que há-de vir

Abre a tua mente e deixa-te ir


Deixa-te ir


Vejo malta à porta, vejo malta à porta

Há malta à porta, há malta à porta



Os Iodo eram:

  • Luís Cabral, teclados ARP, sintetizador Roland

  • Rui Madeira, vocalista e detentor de uma voz singular

  • Tó Pê, baixo Ibanez e amplificador HH

  • Alfredo Antunes, bateria irrepreensível

  • Rui Jorge Trindade, guitarras Gibson e Yamaha


Abre a tua mente...


Formados em Casal do Marco (Almada), uma das mais promissoras bandas do «Boom» do Rock Português dos anos 80, beberam influências nos Genesis, nos Supertramp e em Mike Oldfield e poderiam ter sido um caso sério da música portuguesa.


Conseguem finalmente um contracto discográfico com a Vadeca, subsidiária da Valentim de Carvalho e o seu primeiro registo fonográfico gravado em 1981, o single Malta à Porta, torna-se a música do momento.

Os Iodo correm o país, conquistam os tops, do Rock em Stock ao TNT da Comercial.

Lançam o segundo single «A Canção», com o lado B «Pedro e o Lobo».

Antes de Manicómio, a banda mudou de formação. Para os lugares de António Pedro e Alfredo Antunes entram José Luís e Raul Alcobia.


Apetece ouvir de novo aquelas teclas, a guitarra inebriante, o baixo e a batida diferente daquela bateria, um som inovador e da vanguarda dos anos 80, injustamente apoiados pela sua editora, em especial, após a saída do seu álbum de originais, denominado «Manicómio», um dos melhores álbuns em vinil de 80, injustamente esquecido por tudo e por todos.

Uma verdadeira viagem ou trip.


E sempre aqueles teclados estonteantes...


«(...) Amor à vida que às vezes passa

Para não falar de Ceby, boneca de cera,

Compras ácidos por amor(...)»

Onde todos os sonhos e ilusões ainda eram permitidos.

A crítica da altura deitou abaixo injustamente um dos melhores álbuns e projectos dos anos 80, comparado com outros projectos da mesma altura.


Expiração de um louco, uma verdadeira viagem aos infernos...

Os Iodo eram uma mais valia e tinham um som inovador.


«(...) Não gosto do ruído que doí e magoa

Não gosto do Sol que ri e zomba

Não gosto do movimento que nos obriga e enerva

Só quero para mim um monte de erva(...)»

In Manicómio


As editoras e os empresários vampiros espremeram o fenómeno do rock português até à exaustão e até ao tutano... Não o deixaram amadurecer!

E o meu sonho vai seguindo... Pelos ventos do além....



Algumas das canções que fizeram parte do Manicómio eram: Ceby, Boneca de Cera; Lendas; As Novas das Tesouras Velhas; Foz de um Beijo; Introdução para o Lado B; Ventos do Além; Expiração de um Louco e Deixo-me Ir?


O mercado português é pequeno, mas a nossa língua é a 5ª ou a 6ª falada em todo o mundo e nunca houve uma visão comercial para lançar algumas das nossas bandas na estrada: No Brasil, em Angola ou Moçambique.

É caso para dizer gente de vistas curtas, que tudo fazem para espremer até nada deitar...


E o mais curioso muitos dos trabalhos destes artistas só se encontram em vinil, nalgum site mais manhoso, porque em CD não há!


Na década de 80, se existisse internet, a história do rock português poderia ter sido outra...

E por último, para quando a edição de Manicómio em CD?

«(...) Os Iodo puxavam para as teclas, vestiam fatos de plástico, por causa da plastificação da sociedade e encontraram no Manicómio a mais eficaz metáfora, para a realidade social envolvente (...)

in Miguel Cunha, Blitz 425, 22.12.1992


Discografia

  • Malta à Porta/Aqueles Dias, single, Vadeca, 1981

  • A Canção/Pedro e o Lobo, single, Vadeca, 1981

  • Manicómio, LP, Vadeca, 1982

Para lá dos tops , a boa música dos Iodo continuará para sempre presente...


Referências:

Ele e sempre ele,

(http://rockemportugal.blogspot.com),

a bíblia, a fonte, a história incontornável do Rock Português, Aristides Duarte, cronista, prossegue um trabalho ímpar e único no panorama musical português.


A visitar ainda:

http://rockemportugal.blogspot.com

http://ruijorgetrindademusico.blogspot.com

http://atrompa.blogspot.com

http://anos80.no.sapo.pt


Texto: Mário Nunes

Fotos: Rock em Portugal e Rui Jorge Trindade

sexta-feira, junho 08, 2007

Sonic, da Sega, Histórias de um Ouriço Azul


Em 3 D e a uma velocidade estonteante, o Sonic e os seus amigos: Tails, Knuckles, Amy Rose, Big The Cats e E 102 Gemma foram lançados no Japão em 1998 e a nível internacional em 1999.

Conquistaram todas as plataformas e consolas de jogos, tendo passado da Nintendo, para a Play Station e daí para o PC, num ápice.

Sendo a alegria da criançada desta aldeia global, do Japão ao resto da Ásia, à Europa e à América do Norte, o Sonic está presente em todos os PC e consolas de jogo.

A correr, a pular, sempre a saltar pelo espaço, atravessando o ar, numa atmosfera irreal, de ilha em ilha, de prédio em prédio, colhendo aros de metal, a toda a bolina...

A diversão e a adrenalina estão sempre presentes num jogo diferente do habitual e longe de ser violento.

Na retina ficam a qualidade dos gráficos e a imaginação de quem lançou semelhantes personagens no mundo dos videojogos.



As Aventuras:




Links :



Texto: Mário Nunes

quarta-feira, junho 06, 2007

Millau, Milagre da Engenharia



Millau, a ponte mais elevada do mundo encontra-se a 245 metros do solo, pesa 400.000 toneladas, opõem-se a ventos de 210 quilómetros por hora e custou quase 300 milhões de Euros. A construção do viaduto de Millau, no sudeste da França, é uma colossal obra de engenharia que supera em altura a célebre Torre Eiffel. Desafiando as leis da física, ultrapassando os obstáculos orográficos do vale do rio Tarn, a ponte prolonga em 2.460 metros a auto-estrada A-75 para descongestionar o tráfego e encurtar em mais de 100 quilómetros a estrada que liga Paris ao Mar Mediterrâneo. Sete países europeus, entre eles a Espanha, tomaram parte na sua construção, enquanto a concepção foi obra do arquitecto britânico Norman Foster.








O arquitecto de Manchester tinha razões para maravilhar-se. A ponte apoia-se sobre sete grandes pilares, tem um comprimento de 2.460 metros e encontra-se no seu ponto mais elevado a 245 metros do solo. A altura atinge os 336 metros com a soma do pilar superior e a amplitude da plataforma, que é de 4.20 metros. Resultado, a obra excede em 16 metros a Torre Eiffel. Para materializar esta infra-estrutura faraónica, empregou-se mais de 350.000 toneladas de betão e 40.000 outras toneladas de aço.






Construída com a precisão de um relógio suíço, este gigante foi concebido para opor-se a ventos de 210 quilómetros por hora e para ter uma vida útil longa. O termómetro não foi obstáculo.





Uma palavra - Impressionante.

Texto: Mário Nunes

domingo, junho 03, 2007

A Vingança de Gaia, James Lovelock

A Vingança de Gaia, de James Lovelock

Gradiva

Durante milénios, a humanidade explorou a Terra sem ter em conta o preço a pagar. Agora, com o mundo a aquecer e os padrões climáticos a alterarem-se drasticamente, a Terra começa a retaliar.

James Lovelock, um dos gigantes do pensamento ambientalista, argumenta apaixonada e poeticamente que, apesar do aquecimento global ser agora inevitável, ainda estamos a tempo de salvar, pelo menos em parte, a civilização humana. Este livro, escrito aos 86 anos e depois de uma vida inteira dedicada à ciência da Terra, constitui o seu testamento.

Preço Editor: 18,50 €


A Hipótese de Gaia, também denominada como Teoria de Gaia, é uma tese que sustenta ser o planeta Terra um ser vivo. A hipótese foi apresentada em 1969 pelo investigador britânico James E. Lovelock, afirmando que a biosfera do planeta é capaz de gerar, manter e regular as suas próprias condições de meio ambiente. Para chegar a essas conclusões, o cientista britânico, juntamente com a bióloga americana Lynn Margulis analisaram pesquisas que comparavam a atmosfera da Terra com a de outros planetas, vindo a propor que é a vida da Terra que cria as condições para a sua própria sobrevivência, e não o contrário, como as teorias tradicionais sugerem. O nome Gaia é uma homenagem à deusa grega Gaia, da Terra. Vista com descrédito pela comunidade científica internacional, a Teoria de Gaia encontra simpatizantes entre grupos ecológicos, místicos e alguns pesquisadores.

Nascido em 26 de Julho de 1919, James Ephraim Lovelock é um pesquisador independente e ambientalista que vive na Cornualha (oeste da Inglaterra).

Após estudar química na Universidade de Manchester obteve um cargo no Medical Research Council do Institute for Medical Research em Londres.

Em 1948 obteve um Ph.D. em medicina no London Scholl of Hygiene and Tropical Medicine. Tem conduzido pesquisas em Yale, Baylor University College of Medicine, e Harvard University.

Lovelock inventou muitos instrumentos científicos utilizados pela NASA para análise de atmosferas extraterrestres e superfície de planetas. Para Lovelock o contraste entre o equilíbrio estático da atmosfera de Marte (muito dióxido de carbono com pouquíssimo oxigénio, metano e hidrogénio) e a mistura dinâmica da atmosfera da Terra é forte indício da ausência de vida naquele planeta.

Em 1958 inventou o Detector de Captura de Electrões, que auxiliou nas descobertas sobre a persistência do CFC e seu papel no empobrecimento da camada de ozono.

Em 2004 surpreendeu ambientalistas ao afirmar que "Só a energia nuclear pode deter o aquecimento global". Para ele apenas a energia nuclear é uma alternativa realista aos combustíveis fósseis para suprir a enorme necessidade de energia da humanidade sem aumentar a emissão de gases causadores do efeito estufa.

Escrevendo no jornal britânico "The Independent" em Janeiro de 2004, Lovelock afirma que como resultado do aquecimento global no final do século 21:

"Biliões de nós morrerão e os poucos casais férteis de pessoas que sobreviverão estarão no Árctico, onde o clima continuará tolerável"

Ele afirma que, pelo final do século, a temperatura média nas regiões temperadas aumentarão 8°C e nos trópicos até 5°C, tornando a maior parte das terras agrícolas do mundo inabitáveis e impróprias para a produção de alimentos.

"Temos que ter em mente o assustador ritmo da mudança e nos darmos conta de quão pouco tempo resta para agir, e então cada comunidade e nação deve achar o melhor uso dos recursos que possuem para sustentar a civilização o máximo de tempo que puderem".

Em Janeiro de 2006 afirmou no "The Independent" que "o mundo já ultrapassou o ponto de não retorno quanto às mudanças climáticas e a civilização como a conhecemos dificilmente irá sobreviver". Ele acredita que os esforços para conter o aquecimento global já não podem obter sucesso completo e a vida na Terra nunca mais será a mesma.

Mas a noção de que há terras sobrando para plantar bio combustíveis ou para abrigar usinas eólicas é ridícula. Nós faremos o possível para sobreviver, mas infelizmente eu não consigo ver os EUA ou as economias emergentes da China e da Índia voltando no tempo e eles são as maiores fontes de emissões. O pior vai acontecer, e os sobreviventes terão de se adaptar a um clima infernal.

Talvez o mais triste seja que Gaia perderá tanto quanto ou mais do que nós. Não só a vida selvagem e ecossistemas inteiros serão extintos, mas na civilização humana o planeta tem um recurso precioso. Não somos meramente uma doença; somos, por meio da nossa inteligência e comunicação, o sistema nervoso do planeta. Através de nós, Gaia se viu do espaço, e começa a descobrir seu lugar no Universo.

Nós deveríamos ser o coração e a mente da Terra, não sua moléstia. Então, sejamos corajosos e paremos de pensar somente nos direitos e necessidades da humanidade, e enxerguemos que nós ferimos a Terra e precisamos fazer as pazes com Gaia. Precisamos fazer isso enquanto somos fortes o bastante para negociar, e não uma turba esfacelada liderada por senhores da guerra brutais. Acima de tudo, precisamos lembrar que somos parte dela, e que ela é de fato nosso lar.

Vingança de Gaia - Entrevista com James Lovelock - VEJA - NOV.2006



O cientista inglês que considera a Terra um organismo vivo diz que só a energia nuclear pode adiar o desastre. O aquecimento global já passou do ponto sem volta. A situação se tornará insuportável lá por 2040. O inglês James Lovelock é um cientista com contribuições a áreas tão distintas do conhecimento que é difícil classificá-lo em uma única especialidade. É também um dos mais controvertidos. Sucesso entre os ambientalistas, sua criação mais conhecida, a Hipótese Gaia, é criticada pelos cientistas.



Segundo essa teoria, que Lovelock desenvolveu quando trabalhava para a Nasa, nos anos 60, a Terra é um organismo dotado da capacidade de se manter saudável e tem compromisso com todas as formas de vida – e não necessariamente com apenas uma delas, o homem. Lovelock é o inventor do aparelho que permitiu detectar o cúmulo do pesticida DDT nos seres vivos, razão pela qual se interrompeu o uso da substância. O aparelho também ajudou a identificar o CFC, gás utilizado em aerossóis, como o responsável pela destruição da camada de ozono, o que levou a sua proibição. Lovelock acredita que o equilíbrio natural foi rompido pelo aquecimento global, tese desenvolvida no livro A Vingança de Gaia, publicado neste ano em seu país. O cientista concedeu esta entrevista a VEJA de sua casa em Devon, na Inglaterra, onde, aos 87 anos, faz pesquisas em um laboratório particular.



Veja - Quando o aquecimento global chegará a um ponto sem volta?

Lovelock - Já passamos desse ponto há muito tempo. Os efeitos visíveis da mudança climática, no entanto, só agora estão aparecendo para a maioria das pessoas. Pelas minhas estimativas, a situação se tornará insuportável antes mesmo da metade do século, lá pelo ano 2040.

Veja - O que o faz pensar que já não há mais volta?

Lovelock - Por modelos matemáticos, descobre-se que o clima está a ponto de fazer um salto abrupto para um novo estágio de aquecimento. Mudanças geológicas normalmente levam milhares de anos para acontecer. As transformações actuais estão ocorrendo em intervalos de poucos anos. É um erro acreditar que podemos evitar o fenómeno apenas reduzindo a queima de combustíveis fósseis. O maior vilão do aquecimento é o uso de uma grande porção do planeta para produzir comida. As áreas de cultivo e de criação de gado ocupam o lugar da cobertura florestal que antes tinha a tarefa de regular o clima, mantendo a Terra em uma temperatura confortável. Essa substituição serviu para alimentar o crescimento populacional. Se houvesse 1 bilhão de pessoas no mundo, e não 6 biliões, como temos hoje, a situação seria outra. Agora não há mais volta.

Veja - Um estudo recente concluiu que a temperatura média da Terra vai aumentar 2 graus até o fim do século. O senhor concorda?


Lovelock - Os cientistas que fazem essas previsões baixas estudam a atmosfera como se ela fosse algo inerte. É um cálculo estanque, baseado na crença de que o aquecimento é directamente proporcional à quantidade de gás carbónico jogada na atmosfera. A realidade é bem mais complexa. Todos os seres vivos do planeta reagem às mudanças que provocamos e as amplificam. Há previsões mais confiáveis de um aumento de até 6 graus até o fim do século. Essa vai ser a média global. Em algumas regiões, o aumento de temperatura será ainda maior.

Veja - O senhor vê o aquecimento global como a comprovação de que sua teoria está certa?

Lovelock - O aquecimento global pode ser analisado com base na Hipótese Gaia, e, por isso, muitos cientistas agora estão se vendo obrigados a aceitar minha teoria. Ela diz que todos os organismos, agindo em conjunto, formam um sistema activo cujo objectivo é manter a Terra habitável. Nos oceanos, algumas algas utilizam o carbono do ar no seu crescimento e liberam outros gases que formam nuvens sobre a atmosfera. As nuvens ajudam a deflectir os raios solares. Sem elas, a Terra seria um lugar muito mais quente e seco. Essas algas estão morrendo com o aumento da temperatura dos oceanos. Esse é apenas um exemplo de como a capacidade auto-reguladora do sistema Gaia está sendo rompida.

Veja - O aquecimento global vai levar a uma nova fase da selecção natural da espécie humana?


Lovelock - Sim. Pela Hipótese Gaia, qualquer organismo que afecta o ambiente de maneira negativa acabará por ser eliminado. Como o aquecimento global foi provocado pelo homem, está claro que corremos o risco de ser extintos. Até o fim do século, é provável que cerca de 80% da população humana desapareça. Os 20% restantes vão viver no Árctico e em alguns poucos oásis em outros continentes, onde as temperaturas forem mais baixas e houver um pouco de chuva. Na América Latina, por exemplo, esses refúgios vão se concentrar na
Cordilheira dos Andes e em outros lugares altos. O Canadá, a Sibéria, o Japão, a Noruega e a Suécia provavelmente continuarão habitáveis. A maioria das regiões tropicais, incluindo praticamente todo o território brasileiro, será demasiadamente quente e seca para ser habitada. O mesmo ocorrerá na maior parte dos Estados Unidos, da China, da Austrália e da Europa. Não será um mundo agradável. As condições de sobrevivência no futuro serão muito difíceis. Essa é a vingança de Gaia, uma expressão que uso apenas como metáfora, não como argumento científico.

Veja - O que vai acontecer com quem permanecer nesses lugares?


Lovelock - A maioria vai morrer de fome. Não é só uma questão de aumento de temperatura. Com a mudança climática, será impossível cultivar alimentos ou criar animais de abate, porque simplesmente não haverá chuva ou água para a irrigação. O Rio Ganges, na Índia, por exemplo, está tendo seu volume reduzido e logo irá desaparecer. Quem conseguir migrar para os poucos oásis que sobrarem ou para as regiões mais frias ao norte do globo viverá em condições semelhantes às de muitos africanos hoje: haverá escassez de comida e pouca água. As guerras do futuro serão uma consequência do aquecimento global. Quando a China se tornar inabitável, seus moradores não vão simplesmente sentar e esperar a morte. Eles vão migrar para a Rússia. Há espaço para essas pessoas na Sibéria, mas duvido que essa migração aconteça pacificamente.


Veja - Será possível se recuperar dessa situação?

Lovelock - A Terra vai se recuperar. Há 55 milhões de anos ocorreu um evento muito parecido com o que está acontecendo agora. Naquele tempo, houve uma emissão acidental de uma quantidade de dióxido de carbono equivalente à que está sendo produzida hoje pela acção humana. A temperatura da Terra elevou-se em 8 graus nas regiões temperadas e em 5 graus nos trópicos. Os seres vivos migraram para as regiões polares e ficaram centenas de milhares de anos por lá. Quando a temperatura global voltou a cair, eles migraram de volta. O sistema Gaia, portanto, não está ameaçado, mas vai levar 200 000 anos para voltar a ser como é. Para nós, humanos, isso é muito tempo.


Veja - Muitos cientistas estão preocupados com a diminuição da biodiversidade. O senhor também está?

Lovelock - Não. A perda de biodiversidade é apenas um sintoma das mudanças climáticas. Os biólogos se preocupam com isso porque eles adoram coleccionar espécies. Na verdade, os ecossistemas mais saudáveis são aqueles com pouca biodiversidade. Muito mais grave é o risco de quase extinção enfrentado pela humanidade.

Veja - Não há nada que se possa fazer?


Lovelock - A única opção é substituir as fontes de energia mais comuns por centrais nucleares, mais limpas do que hidroeléctricas ou termo eléctricas. O gás carbónico vai nos matar se não fizermos nada a respeito. As pessoas têm medo do lixo atómico, mas isso é um mito. A quantidade de resíduos produzida pelas usinas nucleares é irrisória e não causa grandes problemas ambientais. A energia nuclear, no entanto, não é uma solução, e sim uma medida para ganharmos tempo. A roda do aquecimento global já está em movimento, e não há como para-la.


Veja - É mais fácil se livrar de lixo atómico do que de gás carbónico?


Lovelock - Infinitamente mais. Cem gramas de urânio equivalem a 200 toneladas de carvão, em termos de energia gerada. Com 100 gramas de urânio não se produzem mais do que 100 gramas de lixo atómico, enquanto a poluição emitida pela queima de 200 toneladas de carvão é de 600 toneladas de dióxido de carbono. Entre 100 gramas e 600 toneladas de resíduos, é óbvio que o carbono é um problema maior.



Veja - E quanto aos riscos de acidentes nucleares, como o da central nuclear de Chernobyl, em 1986?



Lovelock - Chernobyl é uma grande mentira. A ONU enviou três equipes de cientistas a Chernobyl para ver quantas pessoas realmente morreram em consequência do acidente. A resposta é 56 mortos, no máximo. Foi o tipo de acidente nuclear que apenas podia acontecer naqueles velhos tempos da União Soviética, em que as usinas eram administradas de maneira irresponsável. As estatísticas das usinas nucleares ao redor do mundo são impressionantes. Elas produzem energia com uma segurança maior do que qualquer outra indústria energética. O perigo de acidentes não é nada comparado aos efeitos do aquecimento global. As pessoas estão perdendo o contacto com o mundo natural e por isso há saudosismo, um desejo inconsciente de volta à natureza. A ciência e a tecnologia passaram a ser rejeitadas e classificadas como ruins para o ambiente. É o que acontece com as plantas geneticamente modificadas e com a energia atómica. Vivemos em uma sociedade hipocondríaca.


Veja - No Brasil, a maioria dos carros novos funciona com álcool combustível. O bio combustível é uma boa forma de reduzir a emissão de gases do efeito estufa?


Lovelock - Essa provavelmente é das coisas menos sábias a fazer. Para produzir a cana-de-açúcar para o bio combustível, é preciso ocupar o espaço dedicado à produção de alimentos ou derrubar florestas, que ajudam a regular o clima. Isso é contra produtivo. É mais inteligente usar a energia nuclear para produzir hidrogénio como combustível para os carros. Alguns anos atrás, muitos cientistas achavam que o bio combustível era o caminho certo a seguir. Agora que sabemos quão sério é o problema do aquecimento global, percebemos que essa não é a melhor solução. Nós, cientistas, devemos pedir desculpas ao povo brasileiro.

Veja - Qual sua opinião sobre o conceito de desenvolvimento sustentado, pelo qual se explora o ambiente sem lhe provocar danos?


Lovelock - Acho uma ideia adorável. Se a tivéssemos aplicado 200 anos atrás, quando havia apenas 1 bilião de pessoas no mundo, talvez não estivéssemos na situação em que estamos hoje. Agora é tarde demais. Não há mais espaço para nenhum tipo de desenvolvimento. A humanidade tem de regredir. Em algumas décadas, quem conseguir se mudar para regiões melhores, com temperaturas mais amenas, terá uma chance de sobreviver.

Veja - Qual sua opinião sobre a proposta de colocar um escudo solar em órbita, para devolver ao espaço os raios de sol?


Lovelock - Não é uma má ideia. Esse escudo ficaria entre o Sol e a Terra e poderia desviar 3% dos raios solares e, dessa forma, reduzir o calor na atmosfera. Trata-se de uma medida relativamente rápida de ser implementada e custaria menos que a Estação Espacial Internacional. O escudo solar poderia nos dar um pouco mais de tempo, mas não seria a cura para o problema do aquecimento global.


Veja - A destruição da Amazónia é a maior vilã do aquecimento global?


Lovelock - Não. O sudeste da Ásia está sofrendo uma destruição comparável à da Amazónia. A Indonésia tem provocado tanto dano às florestas quanto o Brasil. Uma medição feita no passado mostrou que as queimadas indonésias liberaram 40% de todo o gás carbónico produzido no mundo em um ano. Os brasileiros não devem se sentir os únicos culpados pelo desastre que estamos prestes a viver. Temos todos uma parcela igual de culpa.


Veja - Por que a ciência levou tanto tempo para perceber a gravidade da mudança climática?


Lovelock - A comunidade científica estava muito engajada em um outro problema: a destruição da camada de ozono. Era uma questão fácil de resolver, porque os produtos industriais que estavam provocando o buraco na camada podiam ser substituídos por outros, inofensivos. Só em 2001, em uma convenção em Amesterdão, na Holanda, os pesquisadores concordaram que o aquecimento é um fenómeno global. Naquele ano, eles finalmente aceitaram a tese de que a Terra é um sistema que se auto regula, indirectamente concordando com a minha Hipótese Gaia.

Veja - Alguns cientistas dizem que suas opiniões são apocalípticas e por isso não podem ser levadas a sério. O que o senhor diz a eles?


Lovelock - Não há nenhum dado no meu livro diferente daqueles contidos no relatório do Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas, da ONU. A diferença é que eu apresentei os fatos de uma forma compreensível para os leigos. Os cientistas estudam o aquecimento global de maneira fragmentada e acabam tendo dificuldade de desenvolver uma visão geral do fenómeno.

Mas a noção de que há terras sobrando para plantar bio combustíveis ou para abrigar usinas eólicas é ridícula. Nós faremos o possível para sobreviver, mas infelizmente eu não consigo ver os EUA ou as economias emergentes da China e da Índia voltando no tempo e eles são as maiores fontes de emissões. O pior vai acontecer, e os sobreviventes terão de se adaptar a um clima infernal.

Talvez o mais triste seja que Gaia perderá tanto quanto ou mais do que nós. Não só a vida selvagem e ecossistemas inteiros serão extintos, mas na civilização humana o planeta tem um recurso precioso. Não somos meramente uma doença; somos, por meio da nossa inteligência e comunicação, o sistema nervoso do planeta. Através de nós, Gaia se viu do espaço, e começa a descobrir seu lugar no Universo.

Nós deveríamos ser o coração e a mente da Terra, não sua moléstia. Então, sejamos corajosos e paremos de pensar somente nos direitos e necessidades da humanidade, e enxerguemos que nós ferimos a Terra e precisamos fazer as pazes com Gaia. Precisamos fazer isso enquanto somos fortes o bastante para negociar, e não uma turba esfacelada liderada por senhores da guerra brutais. Acima de tudo, precisamos lembrar que somos parte dela, e que ela é de fato nosso lar.


http://www.ecolo.org/lovelock/lovebiopo.htm

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