segunda-feira, julho 09, 2007

Jean Giraud, Gir ou aliás Moebius…


Jean Giraud nasceu em Paris, no dia 8 de Maio de 1938. Seus pais divorciaram-se três anos depois e Giraud (mais tarde também conhecido como Gir ou Moebius) foi morar com os avós maternos, com quem passa a sua infância em Fontenay-sous-Bois, no subúrbio Leste de Paris.

Cedo, Giraud teve contacto com os grandes ilustradores da década de cinquenta, como Gustave Dore e, também, com as histórias em quadradinhos publicadas nos jornais.


Tenente Blueberry


Aos 16 anos, iniciou o curso técnico na Escola de Artes Aplicadas de Paris. Nesse mesmo ano produziu a sua primeira tira de quadradinhos: uma cowboiada denominada «Les Aventures de Franck et Jéremie», para a revista Far West, uma das muitas revistas editada pela Marijac e conheceu Jean-Claude Mézières, outro fã de histórias em quadradinhos, que lhe abriu as portas para a publicação católica «Coeurs Vaillants», onde ele ilustrou várias histórias didácticas e realistas. Dois anos depois foi convocado pelo exército, onde continuou a desenhar para a revista militar 5/5.

Dispensado em 1960, Giraud tornou-se assistente de Joseph Gillain (Jijé) na série de cowboys, Jerry Spring. Como ele mesmo admite, esta provou ser a melhor escola de arte que já frequentou. Em 1961, parou de trabalhar com Jijé e começou a ilustrar a História das Civilizações, uma publicação do Estúdio Hachette, onde ficou até 1963, quando criou (com o roteirista Jean-Michel Charlier) uma série de cowboys chamada Fort Navajo, publicada na revista Pilote, que, no seguinte, mudou de título: Lieutenant Blueberry – Tenente Blueberry.

Em 1963, colabora na revista de humor Hara-Kiri, onde publicou as suas primeiras histórias com o pseudónimo de Moebius. Estas tiras foram publicadas em Portugal, pela revista Tintim, reunidos pela Bertrand, em 28 saudosos volumes. Pronuncia-o ele mesmo "Mo-bi-u-sse". Este pseudónimo é inspirado provavelmente pelo nome do matemático August Ferdinand Möbius e pelo seu famoso anel.

Nessa época, usando outro pseudónimo ("Gir"), Giraud criou outras histórias a quadradinhos, num estilo experimental. Em Janeiro de 1973, os alter-egos de Giraud cruzaram-se quando a revista Pilote publicou "La Deviation", uma história surreal, a preto e branco assinada por Gir, retratando as férias de... Jean Giraud!

Em 1975, com Jean-Pierre Dionet, Philippe Druilet e Bernard Farkas, fundou a Humanoïdes Associés e criou a revista Métal Hurlant, onde publicou as suas inovadoras histórias de fantasia e ficção científica, entre elas Arzach e a Garagem Hermética e os Olhos do Gato.

Os universos de Moebius são centrados essencialmente na ficção científica fantasmagórica e delirante e numa poesia matizada de metafísica.

Ao Ciclo do Major segue-se o ciclo de Edena…

A obra de Moebius é a escrita de um inconsciente gráfico, em permanente evolução.

Nesse mesmo ano, Giraud foi contratado por Alexandro Jodorowsky, para fazer o desenho de produção da adaptação cinematográfica do romance de Frank Herbert: «Dune». Projecto que só veria as luzes do dia, através de David Lynch, em 1984.

Seguiu-se a produção do filme «Alien, O 8º Passageiro», com Ridley Scott.

Em 1980, desenhou o story-board de Tron, produção dos estúdios Walt Disney.

Em 1981, novamente com Jodorowsky, iniciou a saga de O Incal, Uma Aventura de John Difool.

Ainda, nos anos 80, mudou-se para Los Angeles e no período "americano" publicou os seus trabalhos mais antigos, numa série de álbuns editados pela Epic Comics.


Dune, de David Lynch

Em 1985, foi para Tóquio e fez o roteiro, os cenários e os figurinos da longa-metragem de animação Little Nemo, adaptação da obra de Winsor McCay. Em 1989, ilustrou uma história do Surfista Prateado escrita por Stan Lee e também produziu uma popular série de posteres de super-heróis para a Marvel Comics. Em 1990, colaborou na edição especial da Dark Horse Concrete Celebrates Earth Day. Em 1997, junto com Jean-Claude Mézières, foi responsável pela concepção visual do filme "O Quinto Elemento", de Luc Besson, cujo roteiro é visivelmente inspirado na série «O Incal».

Jean Giraud ilustrou ainda inúmeros romances e histórias de ficção científica e bem recentemente foi o responsável pela edição ilustrada do livro «O Alquimista», do escritor brasileiro Paulo Coelho.

Jean Giraud, aliás Moebius

É reconhecido ampla e justamente como um dos melhores artistas de histórias em quadradinhos na Europa e no mundo, tendo recebido inúmeros prémios durante a sua carreira.

«O 5º Elemento», com Luc Besson e ... Moebius (cenários)

Entre nós, as suas obras foram sucessivamente publicadas pela Bertrand, pela Futura, pela Meriberica/Liber, pela Devir, pelas Edições Asa. Mas, muito mal tem tratado as editoras nacionais, a Banda Desenhada...

Porque as séries não tem sido publicadas na íntegra, por vezes ficam a meio, não chegando ao fim...

Assim sendo, é melhor procurar na FNAC, as edições originais, da Casterman, em francês!

Texto: Mário Nunes

http://castera.net/Moeb/

3 comentários:

Clavis disse...

Um dos autores que sempre me acompanhou!... O que seria da minha memória e imaginação se não fosse... Giraud/Moebius?

marginalia disse...

excelente post. eu não faria melhor...

Mário Nunes disse...

Moebius, Enki Bilal e muitos outros animaram a BD.
Conforme referi em cima relativamente à Ficção Científica, o mesmo acontece à BD, porque há em Portugal, quem as considere géneros menores.
E ainda, porque o mercado é pequeno, aliás somos só 10 milhões de portugueses - Contrapõem os editores.
Homens e mulheres de vista curta, digo eu!
E Angola, Brasil, Moçambique, Guiné Bissau, S. Tomé, Cabo Verde, Macau e Timor? E os emigrantes? Sem uma perspectiva neo-colonial, mas com uma perspectiva comercial, aberta ao mundo...
Arrisquem, pode ser que colham frutos.
Aprendam alguma coisa com os os editores e livreiros franceses, pois não é encerrar serviços e livrarias (virou moda neste país os encerramentos), que se ganha alguma coisa. Eu se fosse P.M. ficaria preocupado com a agressividade francesa na Guiné e com a agressividade anglófona em Moçambique, abram os olhos enquanto é tempo e depois não digam que é tarde demais!
Volto a dizer pessoas de vistas curtas.
Há que investir para colher amanhã.
Fomentar a criatividade e a produtividade.
Aí sim, mudar-se-à um país.
Acabem com os subsídios.

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