quarta-feira, agosto 22, 2012

EUA emitem alerta para tempestade solar do século




O Congresso dos Estados Unidos fez um alerta aos norte-americanos para estes se prepararem para aquilo que está a ser denominado como a "tempestade solar do século". Num documento elaborado pelos parlamentares, foi pedido às comunidades locais para se precaverem com os recursos necessários de modo a poderem abastecer as populações com um mínimo de energia, alimentos e água em caso de emergência. De igual modo, é destacada a importância de tomar medidas de prevenção adequadas a este tipo de fenómenos, articuladas entre as comunidades vizinhas, uma vez que é necessária uma boa coordenação entre todos.
Segundo avança o jornal espanhol "ABC", o texto do Congresso também cita várias informações elaboradas pela Protecção Civil, pelo regulador de energia eléctrica e pelo Departamento de Segurança Nacional dos Estados Unidos, explicando a forma de actuar perante estes fenómenos. O objectivo é incentivar as práticas preventivas, bem como definir a natureza da ameaça, de forma a que os cidadãos possam estar preparados.
Espanha, Alemanha, França e Reino Unido, são alguns dos países que, tal como os Estados Unidos, já estão a tomar "importantes medidas ao nível da prevenção".
Este mês a NASA alertou para que, em 2013, o Sol chegará a uma fase do seu ciclo onde grandes explosões e tempestades solares serão mais prováveis e deverão afectar o nosso planeta.
O Sol tem ciclos solares com média de 11 anos e actualmente estamos numa fase de aumento da actividade, o que se traduz em maior número de manchas na superfície da estrela. É possível que haja outros ciclos mais longos, mas só existem registos das manchas solares desde meados do século XVIII. Por isso, é difícil fazer previsões sobre a actividade da nossa estrela.
Teme-se sobretudo uma tempestade electromagnética semelhante à de 1859, conhecida por Evento Carrington. Essa erupção foi tão intensa, que os sistemas de telégrafo, na altura incipientes, foram seriamente afectados. Se houvesse redes eléctricas, elas teriam sido destruídas. As auroras boreais foram visíveis em latitudes muito a sul, nomeadamente em Roma.

Fonte: DN

Degelo recorde no Ártico


O recorde de degelo no Ártico deverá ocorrer durante a próxima semana, continuando a derreter a partir daí. Já em 2007, a cobertura de gelo tinha diminuído até pouco mais de quatro milhões de quilómetros quadrados, menos 39% da média entre os anos de 1979 a 2000.
A cobertura de gelo no Oceano Ártico deverá derreter, batendo o recorde de tamanho mais pequeno até aos dias de hoje. O recorde deverá ser batido na próxima semana, e a partir daí o gelo vai continuar a derreter, segundo o Centro Nacional de Dados sobre a Neve e o Gelo, nos EUA.
A quantidade de gelo marítimo no Ártico é muito importante para o planeta, já que esta zona influencia o clima mundial. Este ano já regista recordes de temperatura e de secas em grande parte da zona temperada do Hemisfério Norte.
Também este ano a perda de cobertura de gelo no Ártico já deu origem a uma possível abertura da Passagem do Noroeste, a norte do Canadá e do Alasca, e da Rota do Mar do Norte, entre a Europa e a Sibéria, passagens marítimas geralmente cobertas de gelo.
O recuo pode levar a que o gelo ocupe apenas quatro milhões de quilómetros quadrados, um número sem precedentes. O recorde anterior foi atingido em 2007, quando houve 4,28 milhões de quilómetros quadrados ocupados por gelo, menos 23 por cento que em 2005 e menos 39 por cento da média entre 1979 e 2000.

Novas pirâmides descobertas no Egipto


Os dois locais em causa estão a cerca de 145 quilómetros um do outro. Pelas imagens captadas pelos satélites, que estão agora a ser cuidadosamente examinadas por vários arqueólogos, parecem ter vários montes em forma de pirâmide. 
Mas, a confirmar-se, a descoberta poderá ser ainda mais relevante: é que uma das formações, triangular, tem uma base de cerca de 250 metros - quase três vezes o tamanho da Grande Pirâmide. No outro local, distinguem-se, aparentemente, formações de base quadrada e que, vistas de cima, parecem piramidais.
Segundo a Sky News, os especialistas estão a observar as imagens antes de se deslocarem ao local.
Em maio do ano passado, 17 pirâmides foram identificadas também via satélite.


segunda-feira, agosto 20, 2012

Sustos com aviões



Dois aviões da Virgin aterraram de emergência no mesmo dia, na semana passada, no aeroporto londrino de Stansted, por falta de combustível. Em Julho, três aviões da Ryanair aterraram de emergência em Valência, Espanha, pela mesma razão. Suspeita-se de contenção de despesas.
Será?
Entre portas sucedem-se os acidentes com avionetas e ultraleves, desde o princípio do ano (e quase todos eles com vítimas mortais e com pilotos experimentados, com milhares de horas de navegação).
Ou será que terá algo a ver com o geomagnetismo, com os instrumentos de navegação e orientação a bordo?
Dão-se alvissaras a quem encontrar a resposta…

sexta-feira, agosto 17, 2012

Liberdade para as Pussy Riot 2



O Tribunal de Moscovo considerou as três jovens do grupo punk russo culpadas, avança a Reuters. Nadejda, Ekaterina e Maria foram acusadas de crimes de vandalismo e incitação ao ódio religioso depois de participarem numa manifestação contra Putin dentro de uma igreja ortodoxa. 




Pussy Riot Vs Rússia
"As cantoras do grupo punk conspiraram com o propósito de violar a paz pública ofensivamente, num sinal de desrespeito flagrante para com os cidadãos", declarou o tribunal, segundo a agência de notícias Interfax, acrescentando que “as mulheres foram motivadas pela inimizade religiosa e pelo ódio, agindo de maneira provocante e insultuosa dentro de um edifício religioso e na presença de um grande número de crentes ", disse o tribunal.
Durante a leitura da sentença, a juíza Marina Syrova repetiu em parte os argumentos da acusação, que pede três anos de prisão para as jovens pelos crimes de “vandalismo” e “incitação ao ódio religioso”.
A juíza sublinhou que as acusadas não manifestaram arrependimento e que “violaram a ordem pública” e “ofenderam os sentimentos [religiosos] dos crentes”.



Os advogados de defesa pediram a absolvição das três jovens. A pena máxima por “vandalismo” é de sete anos de prisão.
À porta do tribunal vários apoiantes das Pussy Riot gritam palavras como "vergonha" e "escumalha Putin", protestando contra o veredicto.




O protesto
Com as caras cobertas por balaclavas, máscaras que tapam todo o rosto excepto olhos e boca, as jovens entraram, a 21 de Fevereiro, numa catedral ortodoxa de Moscovo e cantaram uma canção de protesto contra o Presidente russo Vladimir Putin.
Nadejda Tolokonnikova, de 22 anos, Ekaterina Samoutsevitch, de 29, e Maria Alekhina, de 24 foram detidas em Março e estiveram desde então sob custódia policial.
O julgamento começou a 30 de Julho e, enquanto a acusação pedia uma condenação de três anos de cadeia, a defesa queixou-se de ter o trabalho dificultado, pela impossibilidade de chamar testemunhas ou por ver as suas perguntas permanentemente rejeitadas pela juíza.
A presidente do tribunal Khamovnitcheski de Moscovo, Marina Syrova, responsável pelo julgamento dos três elementos do grupo ‘punk’ feminino Pussy Riot, foi colocada sobre protecção estatal na véspera da leitura da sentença devido a ameaças feitas por apoiantes da banda, indicou ontem uma porta-voz da instância judicial.





Figuras de peso defendem as Pussy Riot
O caso das Pussy Riot está a provocar várias divisões na sociedade russa, além de ter alcançado um grande mediatismo internacional. Madonna, Peaches, Sting, Red Hot Chilli Peppers, Yoko Ono e Paul McCartney são algumas das personalidades que já se manifestaram em defesa das jovens.
A Amnistia Internacional entregou ontem uma petição em favor do grupo punk com cerca de 10 mil assinaturas, segundo a organização, a um guarda através do gradeamento da embaixada russa em Londres, que estava encerrada.
Do universo político, as mensagens de apoio chegaram de 120 deputados do Parlamento alemão e do ministro checo dos Negócios Estrangeiros.
Face ao mediatismo que este caso angariou, até o Presidente russo Vladimir Putin se manifestou, pedindo “clemência” no julgamento das jovens.
O marido de Nadezhda Tolokonnikova, uma das três músicas da banda Pussy Riot que foram condenadas nesta sexta-feira a dois anos de prisão por vandalismo motivado por ódio religioso, reagiu à sentença com um apelo ao derrube do regime. "A única coisa que pode salvar a minha mulher e a minha fílha é uma revolução. Vamos fazê-la", terá dito, segundo a edição online do 'Wall Street Journal'.

Liberdade para as Pussy Riot



“As Pussy Riot são - e tomando momentaneamente de empréstimo um dos lemas dos Clash - a única banda que realmente interessa. Quase não importa o que diz o tribunal. As três mulheres das Pussy Riot - um explosivo e irritante cruzamento entre um grupo musical e um anónimo movimento de dissidentes russos - já conseguiram, de uma maneira muito significativa, vencer a farsa de julgamento a que estão a ser sujeitas em Moscovo (e cuja sentença foi conhecida hoje dia 17). Cada dia do seu julgamento por "vandalismo motivado por ódio religioso" chamou a atenção da comunidade internacional para a repressão paranóica na Rússia de Vladimir Putin.
As Pussy Riot entalaram Putin nos cornos de um dilema: ou o seu Governo condena a banda e aumenta ainda mais o seu estatuto de mártires, ou recua e reconhece que acusar o trio mascarado devido a um cacofónico protesto musical na Catedral de Cristo Salvador que chamou a atenção da aliança da Igreja russa com o regime de Putin terá sido sempre um erro. Três dos cinco membros da banda enfrentam agora a possibilidade de passar sete anos na prisão, o que está a causar um inesperado repúdio internacional. Na semana passada, antes de um encontro com o primeiro-ministro britânico David Cameron, Putin terá admitido que preferia recuar.
Isto é algo que não era suposto acontecer. Para começar, os dissidentes não se dão bem na Rússia "putinista"; depois, o punk rock - o filho ilegítimo, mais sujo, mais esperto e mais irritante do rock"n"roll - normalmente não vence. O movimento punk tem um longo historial de aspirações a rebentar com governos corruptos e autoritários, multinacionais e outras estruturas de poder internacional. Mas não tem um longo historial de sucessos.

Assim, o punk rock decidiu-se por objectivos políticos mais atingíveis, menos globais: normalmente, protestos localizados e atrair atenções e despertar consciências. As Pussy Riot, que ainda há poucos meses eram um grupo obscuro, são agora um fenómeno internacional: as três detidas foram consideradas prisioneiras de consciência pela Amnistia Internacional e a banda tornou-se o ai-jesus dos intelectuais russos, que há tanto tempo sofrem e que agora se juntaram em defesa das três artistas. E se bem que ninguém fale do grupo pela sua música, uma olhadela para a história dos anteriores sucessos geopolíticos do punk rock mostra que as Pussy Riot já os ultrapassaram - e talvez tenham dado ao punk rock um futuro como uma força global para a justiça e a liberdade.
Não demorou muito até o que o punk se afastasse do niilismo sem futuro dos Sex Pistols, o lendário grupo inglês da segunda metade dos anos 70 que basicamente iniciou o punk rock. Os Clash rapidamente viraram a atenção do punk para lutas globais. Joe Strummer, uma das forças criativas dos Clash, colocou o punk rock a cantar acerca da Guerra Civil de Espanha, as classes exploradas da Jamaica, o martírio do poeta de esquerda chileno Victor Jara, e mesmo, num disco intitulado Sandinista!, sobre as vítimas do comunismo soviético e chinês.
Na Irlanda do Norte, os seus contemporâneos Stiff Little Fingers cantaram o aparecimento de um tipo diferente de revolta - a banda chamou-lhe uma "força anti-segurança", dado que o grupo se opunha às milícias locais que apoiavam os britânicos - em Alternative Ulster. O punk fracturou-se em incontáveis subgéneros obscuros e espalhou-se a nível mundial, mas um tema comum manteve-se: resistência face ao poder global arbitrário e brutal, algo que pode ser percebido em todo o lado, desde o punk "crust" dos britânicos Discharge ao hardcore melódico dos canadianos Propagandhi e ao folk abrasivo dos Against Me!, da Florida. O punk canalizou a angústia juvenil para um catecismo antiguerra, antigoverno e anticapitalismo.

Mas essas ambições não alcançaram resultados geopolíticos palpáveis. Talvez o ponto alto da importância geopolítica do punk tenha vindo de uma banda britânica que já tinha deixado para trás o seu período mais criativo de finais da década de 70. Pioneiros de um tipo de punk particularmente agressivo - reconhecível pela militante e imparável batida da bateria -, os Crass definiam-se pela anarquia, pelo pacifismo e pelo humor (por vezes de forma totalmente isenta de humor). Mas foi necessária uma guerra a sério, nas ilhas Falkland, para que os Crass, então já longe do seu período áureo, se metessem em acção.
Um single, tipicamente cáustico, perguntava à primeira-ministra Margaret Thatcher, no título, How does it feel (to be the mother of a thousand dead? [Qual é a sensação (de ser a mãe de mil mortos)?] Contra todas as expectativas, chegou ao primeiro lugar do top independente, e levou o deputado conservador Tim Eggar a tentar levar os Crass a tribunal, sob a alçada de uma lei antiobscenidade. Escapando às autoridades, os Crass engendraram uma partida que prenunciava o sucesso das Pussy Riot. Em 1983, a banda, de forma secreta, cedeu a jornalistas crédulos uma cassete que supostamente revelava uma conversa entre Thatcher e o Presidente norte-americano Ronald Reagan. Parecia confirmar a paranóia esquerdista acerca de ambos os líderes conservadores: discutindo a situação nas Falkland, Reagan parecia aconselhar moderação a uma Thatcher sedenta de sangue; Thatcher punha Reagan a divagar sobre sacrificar a Europa numa disputa nuclear com os soviéticos.

A cassete rapidamente se elevou a incidente internacional. O Departamento de Estado e a CIA afirmaram que era uma manobra de desinformação soviética: "Este tipo de actividade encaixa-se no padrão de falsificações que o KGB soviético faz circular, apesar de normalmente envolverem documentos falsos e não fitas magnéticas", podia-se ler numa declaração oficial do Departamento de Estado. O jornal inglês Sunday Times publicou um artigo intitulado Como o KGB enganou a imprensa ocidental. Após terem marcado a sua posição e os governos terem ficado embaraçados, membros dos Crass admitiram à agência Associated Press que tinham sido eles, e não os soviéticos, os arquitectos do embuste.
Quase 30 anos depois, a agitação já foi esquecida. Os Crass são mais recordados pelos seus dois primeiros álbuns, The Feeding of the 5000 e Stations of the Crass, do que pelas chamadas "cassetes do Thatchergate". Para pessoas como eu, que continuam a levar a sua música demasiado a sério, isso infelizmente diz muito acerca da relevância geopolítica do punk rock.

Desde então, e partindo do princípio que o punk tem objectivos políticos - e tem havido sempre dentro da cena punk um contingente considerável que discorda dessa proposição -, eles têm-se manifestado de duas formas: protesto e desafio local. A lendária cena punk hardcore de Washington nos anos 80 simboliza a primeira forma. No Verão de 1985, um ano que os punks ao longo dos Estados Unidos relembram como o "Verão da Revolução" da capital, punks locais como Guy Picciotto da banda Rites of Spring levaram percussões para a porta da embaixada da África do Sul para incomodar os representantes do regime do apartheid. "Pensámos em injectar alguma espontaneidade", recorda Picciotto, que se sentia insatisfeito com os protestos habituais e repetidos de então.
Jeff Nelson, co-fundador da seminal editora hardcore de Washington Dischord Records, encheu paredes da zona no Natal de 1987 com posters a ridicularizar o procurador-geral Ed Meese. O Ministério da Justiça declarou que a propaganda pública era "ofensiva", a sua origem desorientou o jornal Washington Post. Pouco depois, os Fugazi - a banda seguinte de Picciotto e principal nome da Dischord - dariam concertos no National Mall, parque entre o Capitólio e o Monumento de Washington, denunciando a Guerra do Golfo.

A outra opção tem sido a acção localizada - quer para mudar comunidades locais ou para alterar a forma como as pessoas que são expostas ao punk rock vêem o mundo. Em cada cidade americana que tem uma cena punk - ou seja, em todas as cidades americanas - pode-se encontrar os seus membros em parques, normalmente nos fins-de-semana, a cozinhar comida vegetariana para distribuir grátis a quem vier, ao que juntam panfletos contra a guerra, num ritual político denominado Food Not Bombs. Em alternativa, outras bandas têm trabalhado para dessacralizar o próprio punk, uma subcultura esmagadoramente branca, masculina e heterossexual. Uma das melhores bandas dos anos 90, Los Crudos, de Chicago, era composta apenas por elementos de ascendência latina e cantavam exclusivamente em castelhano, provocando assim a juventude branca e levando-a a questionar o que é ser um outsider cultural; o seu vocalista, Martin Sorrondeguy, mais tarde fundou os Limp Wrist, um caso raro: uma banda hardcore assumidamente homossexual.
Todos estes esforços significam imenso para os milhões de pessoas cujas vidas têm sido enriquecidas pelo punk, que, no seu melhor, instila uma ética de responsabilidade pessoal e auto-suficiência que os de fora podem achar difícil de conciliar com a estética caótica do punk. (Afinal de contas, quando salas grandes não aceitam que a nossa banda toque, temos nós que construir uma rede de caves e sofás para a digressão.)
Mas não têm significado muito para os temas internacionais - reconheçamos, um objectivo quase impossível para algo que continua a ser um movimento de jovens. Os protestos punk têm-se tornado uma espécie de fim em si mesmos - Protest and Survive, como cantavam ironicamente os Discharge -, uma medalha de mérito para ganhar ou um ritual para os punks protegerem. Nas suas letras, o punk ainda afronta a guerra e as injustiças - Asesinos, dos Crudos, é sobre o apoio dos Estados Unidos aos ditadores da América Central, e continua a impressionar -, mas, como acontece com a maioria dos artistas, o seu impacto geopolítico é marginal. O lema da veterana editora anarco-punk de Minneapolis Profane Existence é - de forma reveladora e de algum modo patética - Making Punk a Threat Again (Tornar novamente o punk ameaçador).
As Pussy Riot poderão não inverter esta tendência. O punk continua a ser essencialmente um fenómeno do mundo ocidental, o que significa, tal como os Propagandhi diziam, que "reconheço a ironia de que o sistema a que me oponho me permite o luxo de morder a mão que me dá de comer". Os punks que na realidade não vivem sob governos autoritários não enfrentam os mesmos riscos que os membros das Pussy Riot. Se o punk rock se mobilizou em força contra a Guerra do Iraque em 2003, editando álbuns para angariar fundos para organizações de activistas e organizando concertos contra a guerra no National Mall, não atraiu a atenção de George W. Bush, as Pussy Riot, pelo contrário, claramente atraíram a atenção de Putin.

Mas talvez seja necessário um punk visionário para efectivamente reconhecer o potencial das Pussy Riot. Na revista de cultura alternativa Dazed & Confused, Tobi Vail disse sobre a banda russa: "O seu método de protesto depende do anonimato. Elas criaram um método de protesto cheio de possibilidades e que pode ser utilizado a nível global, ultrapassando as fronteiras internacionais. Putin pode encarcerar membros do colectivo, mas como pode ele impedir a possibilidade de novos membros se juntarem ou impedir que o movimento se propague para além da Rússia?"
Se há alguém que sabe acerca da criação de um método de protesto repleto de possibilidades e aplicável para além das fronteiras internacionais, esse alguém é Vail, uma das figuras mais inspiradoras que o punk rock já produziu. A banda em que tocava bateria, Bikini Kill, transcendeu as suas raízes punk para se tornar naquele que pode ser considerado o grupo de rock feminista mais importante de sempre. O movimento "riot grrrl" que as Bikini Kill ajudaram a forjar representou uma linha de demarcação para as mulheres que exigiam representação numa cultura underground exageradamente masculina, e rapidamente se expandiu a nível global. As cáusticas apresentações ao vivo das Bikini Kill eram eventos políticos em miniatura. Elas instigaram as mulheres a que ousassem ser quem elas quisessem ser, e exigiram que os homens se confrontassem com os seus privilégios, mais do que se congratularem por serem suficientemente abertos para irem ao espectáculo.De facto, consideremos aquilo que Vail percebeu. As Pussy Riot actuaram de forma anónima numa igreja de Moscovo, as caras cobertas com balaclavas coloridas. Podiam ser qualquer pessoa, e isso poderá ser a inspiração para as próximas Pussy Riot. Por coincidência, quando o seu julgamento começou, o fanzineMaximumrocknroll, a publicação mais influente do punk, publicou a sua edição de trigésimo aniversário.
O único artigo acerca do impacto que o punk continua a ter a nível internacional debruçava-se sobre as Pussy Riot - um implícito reconhecimento que aquelas três mulheres não apenas envergonharam Putin e apontaram para o seu banditismo, mas também redimiram as aspirações de uma cultura de protesto global.”

Spencer Ackerman, (Wired.com)

quinta-feira, agosto 16, 2012

O absurdo sul-africano



Uma só palavra: Inqualificável.
Bárbaro e hediondo, eis o meu comentário à actuação da policia sul-africana quando confrontada com uma greve de mineiros, seguida duma manifestação na maior mina de platina do mundo.
Quando estão em causa nos mercados a cotação do ouro, da platina e dos diamantes, vale tudo, até tirar vidas.
Aos paus, pedras e catanas respondeu desproporcionalmente a polícia sul-africana com tiros de metralhadora…
Resultado: 18 mortos!
Um massacre.
Será que a polícia da África do Sul não tinha escudos, capacetes, cassetetes, bastões eléctricos, tasers, canhões de água, balas de borracha ou gás lacrimogénio para dispersar manifestantes?
Meu Deus!
Em que mundo estamos nós…

quarta-feira, agosto 15, 2012

Seca também afecta Rússia


A seca destruiu 5,5 milhões de hectares de culturas na Rússia e os prejuízos ascendem a mais de mil milhões de dólares, disse hoje o ministro da Agricultura, Nikolái Fiódorov.
A superfície destruída, que se encontra concentrada em 21 das regiões e repúblicas do país, representa 7,3 por cento do total (quase sete mil explorações agrícolas), acrescentou o ministro, citado pelas agências locais.
O estado de emergência continua em vigor em 17 entidades federadas, das quais dez se dirigiram ao Governo central em busca de assistência financeira para os produtores.
O Ministério da Agricultura destinará as ajudas estatais para a compra de ração para as explorações de aves, vacas e porcos.
As regiões mais afectadas pela seca são as meridionais e as banhadas pelo rio Volga, tradicional celeiro deste país.
Antes da seca, Fiódorov havia cifrado em 85 milhões de toneladas as previsões para a colheita de 2012, face às 94,2 milhões de toneladas no ano passado.
Segundo a imprensa local, a seca, que também afecta outros países como os Estados Unidos, provocará no próximo ano um aumento dos preços do pão e da farinha em todo o mundo, incluindo a Rússia.
Em 2010 a seca causada pela onda de calor mais abrasadora conhecida no país destruiu mais de 11 milhões de hectares de culturas, ou seja, 26 por cento do total da colheita.

Fonte: Lusa

terça-feira, agosto 14, 2012

Seca nos EUA pode levar a uma crise global




A pior seca dos últimos 50 anos nos Estados Unidos pode provocar uma crise de alimentos de proporções globais. O alerta está numa reportagem do passado dia 19 de Julho no jornal britânico 'Financial.
Barack Obama alertou o país que o abastecimento alimentar está ameaçado pelo agravamento da seca que atinge mais da metade do país. Obama pediu ainda para o Congresso reactivar programas extintos de ajuda em situações de calamidade. Por outro lado Obama prepara ainda um novo pacote de leis sobre a produção de alimentos, que estão a incomodar seriamente os agricultores norte-americanos.
O presidente americano reavaliou ainda a situação preocupante do país com o secretário da Agricultura, Tom Vilsack. "Eu me ajoelho todos os dias, e faço uma oração extra", disse Vilsack aos jornalistas na Casa Branca, depois de discutir a situação com o presidente. "Se soubesse uma oração da chuva ou uma dança da chuva, eu poderia fazê-la", afirmou. Vilsack disse ao NYT que em 1.297 condados, cerca de um terço dos condados do país, foram classificados como áreas de desastre. Ele disse também que outros 39 foram incluídos esta semana na fatídica lista.
Mais de três quartos da safra de milho e soja do país estão em áreas atingidas pela seca, e mais de um terço dessas safras estão agora classificadas como muito fracas, disse o secretário. O preço do milho subiu 38% nas últimas semanas, e o da soja, 24%.
O país ainda poderá ter a terceira maior safra de milho da história porque o tempo bom anterior encorajou a sementeira, mas Vilsack disse que a seca elevaria os preços dos alimentos em 2013.
De acordo com o FT, os preços do milho e da soja subiram a níveis recordes, superando os picos da crise de 2007-08, que provocou motins em mais de 30 países. Já os preços do trigo ainda não estariam em níveis recordes, mas subiram mais de 50% em cinco semanas, superando os preços alcançados após a proibição de exportação da Rússia de 2010.
Ainda segundo o jornal britânico, a seca nos Estados Unidos, responsáveis por quase metade das exportações mundiais de milho e boa parte da soja e do trigo, deve repercutir-se em todo o mundo, atingindo os consumidores do Egipto à China.
O custo da carne bovina, suína e de aves poderá cair no curto prazo porque os rebanhos estão sendo liquidados, levando mais carne ao mercado, segundo Vilsack. Mas esses preços provavelmente subirão mais para o fim deste ano ou no começo do próximo. Ele não quis especular sobre a possibilidade de a seca estar relacionada à mudança climática.
"Tudo que sabemos é que nesse momento há muitos agricultores e criadores em dificuldade", disse Vilsack. Segundo ele, a prioridade deve ser "o que nós podemos fazer para ajudá-los".
O governo dos EUA baixou a taxa de juros para empréstimos de emergência e tem trabalhado para acelerar programas de ajuda. Vilsack disse que o Congresso poderia ajudar recuperando programas para desastres que expiraram no ano passado ou fornecendo outra ajuda pela legislação de apoio à agricultura.

sábado, agosto 11, 2012

Olímpicos presságios

 
Ultimamente não sei o que se passa, parece que o medo tomou conta de toda uma sociedade e da vida actual. As pessoas estão apáticas de todo, parecem anestesiadas e que deixaram de lutar e de acreditar e que ainda é possível dar a volta.
Todo o mundo recolheu-se em casa, talvez fruto da crise que parece sacudir toda a Europa e uma velha nação (Portugal). O desemprego e a incerteza no amanhã tornaram-se uma constante e uma certeza nos tempos que correm.
E que dizer das notícias que pincelaram o mundo de negro?
Tudo virou notícia ruim…
Tudo não, tirando o Europeu de Futebol, eis os Jogos que poderiam ser do nosso contentamento.
Contentamento ou descontentamento?
Tudo é permitido em nome da segurança colectiva, nem que seja retirar direitos há muito tidos por adquiridos. A pouco e pouco, o garrote vai asfixiando as sociedades modernas. O papão dos novos tempos é o terrorismo.
Longe vai Munique e o ano de 1972, em que o espectro do Terrorismo se abateu sobre a capital da Baviera. No entanto, em nome da segurança, a insegurança tomou conta de Londres, para que os jogos pudessem correr com normalidade. Prolifera o medo do desconhecido, da ameaça terrorista, e das suas ameaças: nuclear, biológica e química.
Policias, soldados, agentes secretos, aviões, navios de guerra e baterias antimísseis, tomaram conta do quotidiano da velha Albion, perturbando o sossego dos fleumáticos súbitos de sua majestade, transformando a sua vida num inferno.
Antes dos jogos terem lugar os boatos tomaram conta da rede, falava-se duma estranha profecia de Benjamin Solari Parravicini e duns escritos perdidos da Fundação Rockefeller que relatavam 13.000 mortos.
Porque é que se quer que a mensagem de paz que os Jogos Olimpicos encerram e levada até nós pela Antiga Grécia se perca?
Há mais de dois milénios todas as guerras paravam enquanto durassem os jogos. No entanto hoje em dia combate-se em Damasco, em Aleppo e em tantos outros lugares. Porquê?
Será possível a Humanidade dar um salto em frente de 4 em 4 anos?
E ir mais longe … Citius, Altius e Fortius…


Sol brilha no meio de matéria escura


Poderia pensar-se num erro estatístico qualquer, mas o facto é que os astrofísicos não conseguem encontrá-lo e por isso afirmam - e publicaram agora na revista Monthly Notices of the Royal Astronomical Society - que estão "99% seguros de que existe matéria escura em torno Sol". É assim que Silvia Garbari, a coordenadora da equipa que fez o estudo, na Universidade de Zurique, resume a questão, citada num comunicado da sua universidade.
A matéria escura é um verdadeiro mistério. Proposta pelo astrónomo suíço Fritz Zwicky, na década de 1930, para explicar o motivo por que as galáxias não se desagregam - ela seria essa massa agregadora - a matéria escura nunca foi vista por nenhum cientista, apesar de vários observatórios no mundo estarem há anos à sua procura.
Apesar de nunca ter sido encontrada, a matéria escura é um dado adquirido para os físicos. Para além das observações que levaram Fritz Zwicky a pensar nela, há quase 80 anos, um holandês chamado Jan Oort descobriu por volta da mesma época que a densidade da matéria em torno do Sol era praticamente o dobro da que era possível observar. A ideia de matéria escura vinha mesmo a calhar.
Os cientistas pensam actualmente que 23% do universo é feito de matéria escura, porque observam nas galáxias e estrelas distantes efeitos que sugerem a existência de uma maior densidade de matéria do que aquela que encontram.
Tem sido assim até agora, embora contas dos últimos anos aplicadas ao Sol tenham chegado sistematicamente a valores de matéria escura inferiores ao que se esperava. Ou seja, havia um duplo mistério: o universo estava cheio dela e o Sol nem por isso.
A equipa de Silvia Garbari diz ter dado um passo mais na determinação dessa misteriosa matéria que ninguém vê, ao conciliar as duas coisas: afinal não falta a tal matéria escura em torno do Sol.
Para chegar a esta conclusão, os astrofísicos de Zurique desenvolveram uma nova técnica de medição. Aplicaram as suas contas à Via Láctea, usando os dados mais recentes sobre ela, e depois voltaram-se para Sol e com as equações corrigidas, encontraram a matéria escura que faltava junto ao Sol segundo as contas das duas últimas décadas.
Resta agora o mistério da matéria escura, que está lá, mas que nunca ninguém viu. Uma ideia que anda agora no ar é que ela é constituída por partículas que interagem de forma muito fraca com a matéria "normal". A maior certeza é a de que os estudos vão prosseguir.

quinta-feira, agosto 09, 2012

Um passado desconhecido no Alentejo

 
São de marfim, cabem na palma da mão e têm pormenores delicados, que surpreendem. António Valera, o arqueólogo que dirige as escavações na Herdade dos Perdigões, em Reguengos de Monsaraz, fala com entusiasmo das estatuetas de marfim que ontem apresentou aos jornalistas como "descoberta única" em Portugal.
"Difunde-se muito a ideia de que o homem pré-histórico era rude, um brutamontes, graças ao cinema", diz Valera. "Mas o que povoados como o dos Perdigões mostram, com toda a sua simbiose com o mundo natural, é algo que estas esculturas vêm reforçar - nesta Pré-História havia um grande grau de sofisticação que está muito longe do preconceito."
Com 4500 anos, as 20 esculturas em miniatura (com tamanho entre os 12 e os 15 centímetros), "pelo menos nove das quais muito realistas", começaram a ser encontradas no ano passado, quando os arqueólogos escavavam um fosso onde, depois de cremados, foram depositados vários corpos. Para os investigadores da Era, a empresa que há 15 anos trabalha nos Perdigões, a herdade que a Finagra (actual Esporão S.A.) comprou para plantar vinha, mas que acabou por transformar num campo arqueológico com 16 hectares, encontrar representações humanas de marfim, "com grande qualidade estética e de execução", foi "emocionante", embora não tenha sido uma surpresa completa.
Estatuetas semelhantes são relativamente frequentes na Andaluzia, região com a qual o Sul do país forma uma unidade territorial na Pré-História. Como escavaram apenas uma área muito reduzida deste complexo arqueológico em que descobriram já mais de 500 peças e fragmentos de marfim, entre elas algumas representações de animais muito pormenorizadas, Valera e a sua equipa acreditavam que, mais cedo ou mais tarde, poderiam vir a dar com esculturas antropomórficas. "O que surpreendeu foi o rigor realista de algumas das figuras, que terá exigido grande capacidade técnica", explica.
Para Vítor Gonçalves, catedrático da Faculdade de Letras de Lisboa, especialista em Pré-História, a grande singularidade das estatuetas humanas dos Perdigões é simplesmente o facto de terem sobrevivido milhares de anos às agressões do solo alentejano. "Temos poucas figurações antropomórficas de marfim na Pré-História portuguesa, mas ainda menos no Alentejo, porque lá a terra é tão ácida que destrói tudo", explicou ao PÚBLICO pelo telefone, não tendo visto ainda ao vivo as peças da herdade. A descoberta, que considera "impressionante", é para este arqueólogo mais uma das originalidades dos Perdigões, a juntar ao facto de ser um "complexo mágico-religioso alentejano em que os sepulcros não são antas".
Conhecido desde 1983, o sítio dos Perdigões só começou a ser escavado em 1997, depois de um estudo geofísico, que fez uma espécie de radiografia à paisagem, ter identificado uma série de fossos concêntricos, mais ou menos circulares, e outras estruturas: possíveis cabanas, silos e sepulturas.
O que os trabalhos têm revelado nos últimos anos, explica Valera, é que o povoado, que começou por ser construído por comunidades neolíticas (com 5500 anos), teria grande importância na região, tendo sido, possivelmente, lugar de festas cerimoniais e de rituais associados ao culto dos mortos. O cromeleque perto da necrópole, já fora dos limites do povoado, reforça esta teoria.
"Estas povoações, das antigas sociedades camponesas, eram já capazes de construir obras públicas de envergadura, como estes fossos. Identificámos 12 e fizemos sondagens em quatro. Para fazer estes quatro estimamos que terão sido retiradas 60 mil toneladas de rocha, impressionante para as ferramentas rudimentares da época", diz Valera.
Em seguida, os arqueólogos vão aprofundar os estudos dos materiais nas valas e nas sepulturas com a ajuda de antropólogos da Universidade de Coimbra e fazer sondagens nos fossos para determinar a idade de cada um e a dinâmica de ocupação do povoado. Pelo meio, há que continuar a analisar as "mini-esculturas". Para já as perguntas são muitas e as certezas quase nulas. Porque são tão realistas numa altura em que a representação da figura humana é essencialmente estilizada, como prova a maioria das 20 estatuetas? Serão deuses? Porque têm algumas o género tão bem definido e outras são assexuadas?
Têm o corpo esguio, com as nádegas e o tronco bem delineados, nariz e orelhas definidas, tatuagens faciais, cabelos a cobrirem as costas, olhos grandes que poderiam ter incrustações e as mãos sobre a barriga, segurando o que parece ser um bastão. "Nesta fase só podemos lançar hipóteses, especular", reconhece Valera. "São todas muito parecidas e o facto de serem realistas faz-nos pensar que podem querer comunicar uma ideia muito específica. A própria postura do corpo pode ter um significado, como quando nos ajoelhamos na igreja. Podem representar um estatuto social, um grupo dentro da comunidade ou até mesmo uma família." Mas também podem ser divindades, teoria que parece mais provável a Vítor Gonçalves, que conhece as estatuetas da Andaluzia. "Muitas das representações humanas neste período, como as das placas de xisto portuguesas, estão ligadas à deusa-mãe. Depois, progressivamente, chegamos a outras de um deus jovem."
Os arqueólogos dos Perdigões vão também estudar o marfim de que são feitas. Dos 500 fragmentos encontrados nos Perdigões analisaram apenas 15 e concluíram que se trata de marfim de elefante africano, o que prova que o povoado mantinha contactos com regiões distantes. Mas entre os restantes pode haver elefante asiático, marfim fóssil (de quando havia elefantes na Península) e até osso de outros animais, explica Valera. Na península de Lisboa, acrescenta Gonçalves, já foram encontrados fragmentos de cachalote.
Muitos dos enigmas das esculturas dos Perdigões vão ficar por decifrar, diz o director das escavações, mas os problemas que elas colocam, associados às práticas funerárias, sobre a concepção do corpo são só por si fascinantes. E se para o homem que viveu no Alentejo pré-histórico o corpo não fosse uma unidade? "É difícil saber o que vai na cabeça das pessoas de há 5000 anos." Mas vale a pena pensar nisso.

Fonte: Público

terça-feira, agosto 07, 2012

Bióloga descobre invertebrados a uma profundidade nunca vista


Na viagem de Júlio Verne, o centro da Terra tem dinossauros e plantas exuberantes. É maravilhoso mas é ficção, ao contrário dos pequenos invertebrados que Sofia Reboleira descobriu na gruta mais funda do mundo, que, contra todas as expectativas, tem uma comunidade de espécies a uma profundidade sem precedentes. A expedição descobriu cinco espécies novas, algumas delas a viverem a mais de 2000 metros de profundidade, revela um artigo na edição deste mês da revista International Journal of Speleology.
A entrada da gruta de Krubera-Vorónia fica a 2240 metros de altitude e a 15 quilómetros do mar Negro, na Abkházia, república independente de facto da Geórgia. No Verão de 2010, Sofia Reboleira participou numa expedição organizada pela CAVEX, a equipa ibero-russa de espeleólogos que em 2007 tinha atingido a parte mais profunda da gruta, a 2191 metros. A bióloga está a fazer o doutoramento nas universidades de Aveiro e de La Laguna, em Espanha, e é especialista em insectos cavernícolas. Em Krubera, Sofia Reboleira ficou responsável pela inventariação da vida com o cientista espanhol Alberto Sendra, co-autor do artigo.
"Toda a actividade era dedicada à exploração espeleológica e investigação geológica. Não se conhecia absolutamente nada a nível biológico", diz a bióloga. A partir de uma certa profundidade, a escuridão na gruta é absoluta, não há vegetação e a vida torna-se limitada. "O que pensávamos é que só havia vida nas primeiras partes", explica Sofia Reboleira. Mas estavam enganados.
Como é que se procura vida na gruta? A maioria das galerias era vertical, por isso Sofia Reboleira ficou várias vezes suspensa por uma corda, à cata de bichos até aos 1400 metros de profundidade. A partir dos 1600 metros a gruta está submersa.
"O mais difícil foi o frio. Os animais são pequenos e de tamanho muito reduzido e precisamos de tempo para os procurar", explica-nos. Para se aquecerem durante descidas que podiam durar dois dias, tomavam chá quente com água da gruta fervida, que está constantemente a escorrer e forma cataratas nalgumas regiões.
A equipa encontrou 16 espécies de invertebrados, pelo menos cinco são novas para a ciência. "Ficámos muito surpreendidos", conta a cientista. Estas espécies estão distribuídas ao longo da gruta, dos 60 até aos 2140 metros. Há um pseudoescorpião - o predador de topo da gruta, parente do escorpião -, há um escaravelho, uma aranha, dois crustáceos que vão a nadar até aos 2140 metros, e outras três espécies que vivem abaixo dos 2000 metros, e que foram recolhidas por mergulhadores. Até agora, a espécie cavernícola conhecida a maior profundidade estava a 1980 metros.

Não se sabe como funciona a cadeia alimentar da comunidade. "Poderá ser suportada pela matéria orgânica transportada pela água", especula Sofia Reboleira. Em 2013, a bióloga voltará à gruta. A inventariação vai continuar, mas não é tudo: "Vamos tentar perceber o significado de estes animais estarem ali."
E o que mais haverá lá no fundo?

sábado, agosto 04, 2012

Ataque Zombie em Nova Iorque


Uma campanha publicitária do canal norte americano AMC Tv "soltou" zombies na cidade de Nova Iorque. O empresa dona do canal é também a produtora da série sobre zombies 'Walking Dead". O vídeo tornou-se viral e já tem mais de 2 milhões e meio de visualizações em apenas quatro dias.
Veja as reações dos nova iorquinos à invasão zombie:
A intenção da campanha chamada 'Put Zombied Back on TV' (Ponham os zombies de novo na televisão) foi protestar contra a encerramento do canal AMC e o fim da série pela emissora por satélite Dish Network.
O ataque responde à pergunta 'Os zombies poderiam viver entre nós?' e mostra as reacções dos nova iorquinos aos atores caracterizados para parecerem os seres morto vivos. No fim pode ler-se a mensagem 'Os zombies não pertencem aqui. Ponham-nos de volta na televisão'.
A emissora anunciou a 4 de maio que iria deixar de emitir os canais da AMC. Segundo a Dish Network, a AMC cobrava um valor excessivo pela emissão.
O vídeo que se tornou viral no Youtube é mais uma das provas de que os zombies entraram na cultura da geração.

sexta-feira, agosto 03, 2012

A Invasão do Mar, de Júlio Verne


No centenário da morte de Júlio Verne, a Antígona lança um romance que não se encontra certamente entre os mais conhecidos. A Invasão do Mar, editado em 1905, é, no entanto, a última obra que o escritor reviu antes de morrer, no dia 24 de Março do mesmo ano. Na realidade, o manuscrito denominava-se O Mar Sariano e o título pelo qual Verne premonitoriamente optou evoca a catástrofe a devastação a morte colocando assim a narrativa sob o signo de uma fatalidade anunciada. Numa primeira abordagem, o que despertará o interesse do leitor é o facto de ser um exótico romance «tunisino» e consagrado a um sonho ou a uma utopia que deve tanto aos sortilégios da mitologia quanto aos cálculos dos geógrafos e dos economistas. Trata-se, por um lado, de um romance dúplice na medida em que o herói da liberdade, Hadjar, e o campeão dos empreendimentos tecnológicos audaciosos, De Schaller, são colocados no mesmo plano e, por outro, de um romance trágico, pois a tragédia, pelo menos segundo Pierre Corneille, reside na encenação de um dilema cuja insolubilidade só pode ser resolvida através do sofrimento e da morte do herói. Este pode ser considerado um texto-testamento um texto-confissão onde, através do subterfúgio da ironia, Verne põe em causa a presunção do capitalismo e do colonialismo em mudar o mundo impondo as suas leis aos povos cujo direito à terra usurpam em nome do bem futuro deles e no qual é notório que Verne viveu dividido entre a sua admiração pelos heróis modernos da ciência e da tecnologia ocidentais e a sua vocação sempre juvenil e irreprimível de tomar parte no heroísmo libertário.

“Parece-me que estou a ouvi-los: "Quê?! Júlio Verne?!"
Sim, Júlio Verne, e depois? É um dos grandes clássicos da Ficção Científica, mesmo que aquilo que escreveu tenha sido na sua maior parte reciclado para literatura juvenil. Escreveu romances e contos da FC mais "hard" do seu tempo, ainda que, em retrospectiva, a fantasia pareça por vezes delirante. O cinismo sabichão do século XXI pode rir-se, por exemplo, da ideia de viajar até ao centro da Terra e lá encontrar um ecossistema mesozóico, mas no século XIX tudo isso estava bem dentro do reino do possível. Parece que o bom velho Verne fazia questão nisso. E aqueles que, mesmo que não o saibam, são seus seguidores, continuam a fazê-la.
Quanto a este livro, A Invasão do Mar, está longe do melhor Verne. Um grupo de engenheiros da França colonial embarca num projecto megalómano que pretende, através de canais que façam comunicação com o Mediterrâneo, criar um mar interior na cadeia de chotts (Djerid e Melrir) que atravessam a zona central da Tunísia e entram pela Argélia. O projecto é contrariado pelos tuaregues locais, que vêem o seu estilo de vida ameaçado. E eis o conflito gerado.
O livro desenvolve-se à boa maneira dos romances de aventuras, género em que Verne era exímio. São 200 páginas de peripécias e perigos de que os heróis têm de escapar, sejam naturais (o meio ambiente é bastante adverso), sejam artificiais (os inimigos são ardilosos e conhecem melhor a zona que os heróis). Tudo isto é coroado por um deus ex-machina que encerra a história e põe fim ao suspense num capítulo de 9 páginas intitulado "Desfecho" e onde, à boa maneira das telenovelas, tudo acontece ao mesmo tempo. Obviamente não vou falar mais dele - o livro perde interesse se se conhecer a sua chave de antemão. Mas tenho de dizer que é fundamentalmente devido a esse desfecho e a uma certa atmosfera que hoje lembra o steampunk, que o romance se pode enquadrar dentro da literatura fantástica.
Os deus ex-machina, quando aparecem, são sinal seguro de que algo não correu lá muito bem com a história. É o caso. Não só dá por vezes a ideia de que Verne perde o fio à meada, como os personagens estão muito longe da riqueza de um Nemo ou de um Phileas Fogg, e o respeito que o senhor francês costumava demonstrar pelas culturas indígenas, mesmo que temperado pelos preconceitos típicos da época, custa a ver-se neste livro.
A Invasão do Mar é dos livros mais desconhecidos de Jules Verne. Merecidamente.
Quanto à tradução, de Joaquim dos Anjos, é regular. Notam-se aqui e ali algumas falhas, mas nada de gritante, e o tradutor respeita bem a simplicidade da prosa do autor.
Em resumo: três estrelas.”

Governo Mexicano vai contar toda a verdade sobre as pirâmides maias


A verdade começa a aparecer, finalmente!
O governo mexicano vai contar toda a verdade sobre os segredos relacionados com o fim do calendário maia, dando conta dos incríveis achados arqueológicos. Para o efeito vai abrir as câmaras secretas duma pirâmide maia, para os produtores de um documentário, "Revelações do Mayans 2012 and Beyond".
A informação - protegida há mais de 80 anos - é esperada para revelar crenças maias em catástrofes passadas e futuras, revelando conhecimentos e sabedorias escondidas há milhares de anos, caracterizou tudo isto como como "chocante", revelou o produtor Raul Julia-Levy, filho do actor Raul Julia.

O fim do calendário maia em Dezembro de 2012 já deu origem a várias teorias e especulações sobre o fim do mundo.

O acordo permitirá que Raul Julia-Levy filme em locais nunca antes vistos.
"Os Maias deixaram-nos um legado incrível que o Mundo tem de conhecer", revelou o ministro do Turismo do estado mexicano de Campeche, Luis Augusto Garcia Rosado. "Em Calakmul, os trabalhadores do INAH [Instituto Nacional de Antropologia e História] descobriram quartos no interior duma pirâmide que nunca tinha sido vista ou explorada antes.
"E estamos deixando filmar lá este documentário, para ver o que foi descoberto dentro da pirâmide."

Raul Julia-Levy disse que tinha tido conhecimento da informação secreta maia pelo ex-presidente mexicano Vicente Fox - um amigo de sua família – tendo levado quatro anos em telefonemas para finalmente obter o OK do actual presidente Felipe Calderón, para as filmagens.
"Isso é muito importante para a humanidade, não apenas para o México", disse Julia-Levy. "Esta informação foi protegida durante 80 anos, e agora é importante para as pessoas entenderem a série de eventos que estão chegando, e as consequências para todos nós."

O documentário será rodado em inglês e dirigido por Juan Carlos Ruflo (cujos outros filmes incluem o vencedor de Sundance 2006 , e vai começar a filmar ainda este ano. Elbert disse que os cineastas estão conversando com investidores e espera pela luz verde do governo do México que está empenhado que toda a verdade se saiba.

Uma condição grande do governo mexicano é que o filme ter uma versão inicial teatral, que está prevista para o próximo outono, disse Ed Elbert, que é co-produtor juntamente com Julia-Levy e M. Sheila McCarthy e produtor executivo Eduardo Vertiz.

"Tem que ser mostrado ao público antes do fim do calendário maia, que é 21 de Dezembro de 2012, para que toda a verdade se saiba", disse Julia-Levy.

Essa é a data que o calendário maia - que alguns acreditam que prevê um cataclismo mundial - chega ao fim de um ciclo de 5.126 anos, e redefine para outro ciclo.

Num ponto, Rosado foi citado num comunicado à imprensa falando sobre o contacto entre os maias e os extraterrestres.

"No momento, a conversa dos maias é uma grande coisa", disse Rosado. "Temos contado mais de 3 milhões de sites falando sobre o fim do calendário maia, e fomos contactados por um monte de produtores que querem vir e filme nos nossos sites."

O projecto é similar ao romance que Raul Julia-Levy estava escrevendo, intitulado "Secrets of the Time Machine maia."

Questionado sobre se o filme vai envolver alienígenas, elementos místicos ou cenários apocalípticos que têm alimentado a imaginação popular, Raul Julia-Levy se recusou a falar.

"Eu não estou autorizado a falar sobre isso", disse ele. "Tudo vai sair a seu tempo, mas eu não posso comentar sobre aliens ou sobre 2012. Uma só palavra chocante tudo aquilo que nos pretendiam esconder.

"Posso apenas dizer que o governo mexicano está se preparando para contar à humanidade, as coisas do mundo que são fundamentais para nós, para a maneira como vivemos, para o caminho que temos vindo a percorrer, bem como toda a movimentação futura neste planeta."

quinta-feira, agosto 02, 2012

Vírus da gripe descoberto em focas!


Um grupo de cientistas identificou uma nova estirpe do vírus da gripe que já matou mais de 160 focas bebés ao largo da costa Nordeste dos Estados Unidos e que se teme que venha a ter também consequências nos humanos.
A nova estirpe do vírus H3N8, segundo os investigadores da Escola de Saúde Pública de Mailman da Universidade de Columbia, parece derivar de uma outra forma que circulava nas aves, mas que agora atingiu estes mamíferos marinhos em Nova Inglaterra. As análises aos corpos que deram à costa permitiu perceber que as focas – quase todas com menos de seis meses – tinham pneumonias graves.

A investigação, publicada no mBio, uma revista científica da Sociedade Americana de Microbiologia, explica que as autoridades começaram a ficar preocupadas ainda em Setembro de 2011, quando várias focas apareceram mortas. Autópsias a cinco corpos permitiram detectar pneumonias e lesões em todas elas compatíveis com uma infecção por um vírus da gripe, que veio a identificar-se como uma nova estirpe do H3N8.

“Quando os testes iniciais revelaram a presença de um vírus da gripe aviária, fizemos uma pergunta óbvia: como é que este tipo de vírus saltou das aves para as focas?”, explicou Simon Anthony, autor principal do estudo. O grupo sequenciou o genoma desta estirpe e percebeu que o vírus em causa descende de uma forma que circulava nas aves da América do Norte desde 2002 e que sofreu agora mutações, conseguindo atingir o sistema respiratório das focas.

Por isso, e tendo em consideração a recente histórica da gripe das aves (H5N1) e da gripe A (H1N1), os cientistas temem que agora chamada gripe das focas (H3N8) venha a representar um perigo para a saúde pública se sofrer alguma mutação que lhe permita infectar pessoas. O H5N1 continua a ser raro, mas já matou quase metade das pessoas infectadas desde a primeira pandemia, que surgiu em Hong Kong em 1997. A Organização Mundial de Saúde contabilizou 606 casos humanos de gripe aviária desde 2003, dos quais 357 foram mortais, de acordo com um relatório de Junho.

“As nossas descobertas reforçam a importância de vigiar a vida selvagem para prever e prevenir pandemias”, acrescentou, num comunicado, W. Ian Lipkin, da mesma universidade. “O vírus da sida, a síndrome respiratória aguda, o vírus do Nilo Ocidental e da gripe são exemplos de infecções emergentes que tiveram origem em animais.”

Não há quem explique as estranhas mutações do vírus da gripe?

Panela de pressão

A Península Ibérica parece estar a ferver em lume brando. Até quando aguentaremos a pressão?

Afinal parece ser mesmo o Bosão de Higgs


As duas equipas que anunciaram, a 4 de Julho, a descoberta de uma partícula que podia ser o bosão de Higgs publicaram agora os artigos científicos com os resultados – dizem mesmo ter reunido provas ainda mais fortes dessa detecção. Se é o bosão de Higgs, a partícula que confere massa às outras, tal como foi proposto pelo físico britânico Peter Higgs há quase 50 anos, ou se é um bosão de Higgs diferente é uma questão que continua em aberto.
Os artigos já estão disponíveis nos Archives da Universidade de Cornell, nos Estados Unidos, um repositório online de trabalhos científicos de acesso livre. E esta quarta-feira foram submetidos para publicação na revista Physics Letters B, pelas equipas que têm trabalhado nas duas grandes experiências de caça ao bosão de Higgs no acelerador LHC, no Laboratório Europeu de Física de Partículas (CERN), na Suíça.

No LHC, num túnel subterrâneo, aceleraram-se partículas quase à velocidade da luz e, das colisões entre elas, pretendia criar-se o bosão de Higgs, que existiria só durante umas fracções de segundo, antes de dar origem a outras partículas – e essas, sim, era o que os cientistas queriam detectar para chegar, de forma indirecta, ao tão procurado bosão. Segundo o modelo-padrão, actualmente a melhor descrição das partículas elementares e das forças entre elas, tem de haver uma partícula que dá massa às outras e que permite que as coisas, tal como as conhecemos, existam.

Há quase um mês, as equipas das experiências ATLAS e CMS, que procuraram o bosão de Higgs e onde participam investigadores portugueses, anunciaram que a nova partícula tinha uma massa de cerca de 125 GeV (gigaelectrão-volts). “As equipas relatam ter provas ainda mais fortes da presença de um novo bosão de Higgs anunciado a 4 de Julho”, diz agora um comunicado do CERN.

Na escala utilizada pelos físicos para descrever a certeza com que interpretam os dados, um sigma significa que os resultados podem não passar de flutuações estatísticas, três sigma considera-se que se fez uma observação e cinco é uma descoberta. No início de Julho, a equipa da ATLAS falava de cinco sigma para os seus resultados e a CMS em 4,9 a 5 sigma.

Entretanto, diz o CERN, o nível de certeza de ter sido encontrada uma partícula com a massa de 125 GeV subiu para 5,8 sigma na experiência CMS e 5,9 na ATLAS. “Este valor corresponde a uma hipótese em 550 milhões de ter sido registado um sinal de um Higgs que não existia.”


O que acontecerá se fizerem chocar um bosão contra outro bosão? - Eis uma inocente pergunta.
Provavelmente não ficará ninguém para contar a História, uma vez que se suspeita que o Big Bang principiou assim...
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