terça-feira, setembro 29, 2009

Salvem-nos senão vamos ao fundo!

Male, capital das Maldivas

«Terça-feira, 22.09.2009 - A sala da Assembleia Geral da ONU, repleta de presidentes e primeiros-ministros, tinha acabado de ouvir o chinês Hu Jintao e esperava pelo discurso de Barack Obama, quando Mohammed Nasheed subiu ao púlpito. "Uma ou duas vezes por ano somos convidados, para um evento importante sobre o clima, como este, para falarmos", começou o Presidente das Maldivas. "Contamos como as coisas vão mal. Avisamos que, se não fizerem nada, a nossa terra desaparecerá no mar antes do final do século. Nós, nas Maldivas, queremos desesperadamente acreditar que um dia estas palavras terão efeito. Por isso continuamos a dizê-las, mesmo sabendo que vocês não estão realmente a ouvir-nos."

Nasheed foi um dos oradores escolhidos pela Aliança dos Pequenos Estados Insulares (AOSIS) para repetir o alerta de que a subida do nível das águas está a fazer daqueles 42 países uma espécie em vias de extinção. A cem dias da Conferência de Copenhaga, onde se espera que seja assinado um acordo global para a redução de gases com efeito de estufa, a AOSIS reclamou o direito à sobrevivência exigindo ao mundo que impeça a temperatura da Terra de aumentar mais de 1,5 graus. Caso contrário, o gelo polar vai derreter, o mar subirá um metro e as ilhas ficarão debaixo de água.

"A minha filha tem sete anos, mas não poderá viver no seu país se a temperatura subir mais do que um grau e meio," disse Nasheed, que criou a campanha "Preciso de uma terra para o meu país", destinada a sensibilizar o mundo para os riscos do aquecimento global.

A temperatura média do planeta já aumentou 0,8% face à era pré-industrial. Nas Maldivas, no Índico, e em Quiribati, no Pacífico, essa mudança causou inundações, a erosão da costa e a destruição dos corais. Muitas pessoas mudaram-se já para as zonas altas ou emigraram.

O primeiro-ministro de Granada, Tillman Thomas, explicou que as alterações climáticas são vistas pelas pequenas ilhas como uma ameaça à sobrevivência e avisou o mundo que se não agir estará a cometer algo parecido com um "genocídio".

De acordo com o porta-voz da Aliança, cujos países estão, ironicamente, entre os que menos poluem o planeta, um aumento de um grau e meio é já considerado um compromisso. Mas os cientistas garantem que a meta é irrealista. Sem um acordo para reduzir a poluição, estima-se que a temperatura suba 6,4º até 2100.

Para travar o aumento no 1,5º - o que implicaria reduzir a concentração de dióxido de carbono para 350 partículas por milhão -, teríamos de atingir o nível máximo de emissões em 2015 e depois conseguir reduzi-las em 85%, até 2050.

Em Julho, os oito países mais industrializados do mundo e as 17 economias mais poluentes comprometeram-se a tomar medidas para limitar o aumento de temperatura a 2º. A meta guia os planos que China, Índia e Japão levaram à cimeira da ONU dando uma nova esperança para que seja alcançado um acordo em Copenhaga.

Yves de Boer, o alto responsável da ONU para o clima, que tem sido um dos mediadores do acordo, acentua: "Às vezes esquecemo-nos sobre aquilo que este debate significa: falamos de redução das emissões, do custo das reduções, das distorções à concorrência, das oportunidades das novas tecnologias... isso é formidável. Mas para estas pequenas ilhas sobreviver é a prioridade número um. Se deixarmos a temperatura aumentar dois graus podemos preparar-nos para anunciar a sua extinção." » in dn on line


1 comentário:

Adriano Crivelli disse...

Eles ainda falam em algumas décadas para acontecer algo realmente desastroso para a humanidade!...Seria ilário....se não fosse trágico!

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