domingo, janeiro 10, 2010

No Enclave de Cabinda, Selecção Nacional de Futebol do Togo paga elevada factura

«Vimos a morte a poucos metros»

O treinador adjunto Hamelet Abulo, um jornalista e o motorista de autocarro do Togo não sobreviveram aos ferimentos. O guarda redes Obilalé e o defesa Serge Akapko ficaram feridos com gravidade. Obilalé seria transportado para a África do Sul, onde foi operado a uma lesão neurológica, na região lombar, causada alegadamente, por um tiro num rim.

O autocarro onde seguiam viagem foi atingido na passada sexta-feira, dia 8 de Janeiro de 2010 por várias rajadas de metralhadora, perto da fronteira entre o Congo e Angola (Enclave de Cabinda), província onde têm decorrido conflitos entre o Exército Angolano e os separatistas.

Entretanto a Federação Togolesa queria a equipa a disputar a CAN e o Governo do Togo, a equipa no Togo.

Portugal ao proceder a uma descolonização apressada esqueceu-se de resolver o problema do Enclave de Cabinda.

Em 1974 ou em 1975, alguém perguntou aos cabindas se queriam fazer parte de Portugal?

Ou se queriam integrar o Congo?

Ou serem angolanos?

Ou se queriam a independência?

Trinta e quatro anos depois e pelas piores razões – o ataque terrorista da FLEC-FAC, à Selecção Nacional de Futebol do Togo, quando esta iria participar na CAN 2010, trouxe de novo esta questão para a ribalta e para a primeira página dos jornais e noticiários.

A mim repugna-me a violência e custa-me que inocentes (3 togoleses), que nada tinham a ver com esta questão paguem com a vida. Por outro lado, o regime angolano tem sufocado o Enclave de Cabinda, aliás esta questão é tabu entre os governos portugueses e angolanos e depois há muitos interesses em jogo, entre eles, o do petróleo.

Não deixa contudo de ser caricato, num país que organiza a CAN 2010, que o guarda-redes da selecção do Togo, ferido no atentado tenha de ser transportado para a África do Sul, para ser operado.

Há pouco tempo, uma pessoa amiga teve que deixar apressadamente Angola e vir para Portugal para efectuar um tratamento do foro oncológico, isto porque hospitais a sério em Angola não há, nem privados, nem públicos.

Perguntei-lhe então e as pessoas que precisam de tratamento como fazem?

- Olha estas deslocam-se para a Namíbia ou para a África do Sul, para serem tratadas.

Retorqui-lhe é uma tristeza deixamos em Angola e em Moçambique Unidades Hospitalares do mais moderno que havia em 1975, custa-me volvidos estes anos todos, elas terem desaparecido ou se degradado. Informação confirmada por licenciados em Medicina, Enfermagem e Farmácia, que por mais que uma vez me disseram, que é uma vergonha falta tudo, inclusive as coisas mais elementares, como umas simples luvas…

E os ricos não querem saber, porque se metem no avião e vão receber tratamentos médicos ao Brasil, a Portugal e à África do Sul.

PS: Voltando a Cabinda o que representa Cabinda para Angola?

Cabinda representa mais de metade dos dois milhões de barris diários de petróleo extraídos por Angola. Só uma ínfima parte dessa riqueza reverte para a região!



1 comentário:

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