
Tardou, mas... a revolta parece que chegou a Luanda.
A polícia angolana dispersou duramente, no passado sábado, dia 3 de Setembro de 2011, os protestos contra José Eduardo dos Santos e clique do MPLA, com a violência desproporcional de sempre.
O que começou por ser uma manifestação pacífica organizada por jovens angolanos, em Luanda, terminou com vários feridos, detenções e agressões, incluindo jornalistas que ficaram sem câmaras de filmar e com as máquinas fotográficas partidas.
Este protesto era o maior de sempre realizado nos últimos anos e terá contado com pelo menos 400 participantes que se juntaram no Largo da Independência, em Luanda.
A manifestação descambou em violência, quando os activistas se preparavam para marchar sobre o Palácio Presidencial.
Relatos dão conta da presença de agentes provocadores, policia à paisana e cargas a cavalo, que resultaram inúmeros feridos, após violentas agressões.
Após o espancamento houve jovens que foram arrastados, espancados e abandonados na praia. Houve detenções sumárias, para apresentação a julgamento sumário dos manifestantes. Estão desaparecidos sem deixar rasto, cerca de 30 jovens…
Entretanto, os protestos prosseguem à porta da Embaixada dos EUA, onde já houve tiros para o ar e ainda à porta do Tribunal de Luanda, onde o povo se juntou.
Quero ver se agora (em Portugal) haverá tantos jovens a cantar pelos seus semelhantes (em Angola), à semelhança do que se passou em Timor?
É que há tantos interesses em jogo…
Sobre Luanda gostaria ainda de escrever umas breves linhas…
Luanda, é uma cidade com seis milhões de habitantes, onde co-existem dois mundos, dum lado, uma minoria endinheirada, ligada ao Presidente José Eduardo dos Santos e sua família, clique governamental e o MPLA, esses tem tudo (petróleo, ouro, diamantes, armas), alguns até vão ao fim de semana fazer compras a Lisboa, Rio de Janeiro, Paris, Nova Iorque,…
Esses, tem acesso, ao melhor que poderá haver à superfície da terra…
Do outro lado, é a miséria absurda, que vive em bairros da lata (sem estradas, cuidados básicos de saúde ou educação, condições sanitárias, alimentos e vestuário), aqui não há lugar para a classe média.
E que dizer dos esquemas de corrupção transversais na sociedade angolana, contaram-me que começam dentro do aeroporto e mais grave ainda com a bênção sacramental das autoridades. A extorsão é uma constante para todos aqueles que viajam até aquelas terras, se não tiverem aquele conhecimento, estão feitos.
Triste herança deixada por nós portugueses, em terras de África…





