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sexta-feira, setembro 09, 2011

Luanda e se as vozes se calassem!


Tardou, mas... a revolta parece que chegou a Luanda.

A polícia angolana dispersou duramente, no passado sábado, dia 3 de Setembro de 2011, os protestos contra José Eduardo dos Santos e clique do MPLA, com a violência desproporcional de sempre.

O que começou por ser uma manifestação pacífica organizada por jovens angolanos, em Luanda, terminou com vários feridos, detenções e agressões, incluindo jornalistas que ficaram sem câmaras de filmar e com as máquinas fotográficas partidas.

Este protesto era o maior de sempre realizado nos últimos anos e terá contado com pelo menos 400 participantes que se juntaram no Largo da Independência, em Luanda.

A manifestação descambou em violência, quando os activistas se preparavam para marchar sobre o Palácio Presidencial.

Relatos dão conta da presença de agentes provocadores, policia à paisana e cargas a cavalo, que resultaram inúmeros feridos, após violentas agressões.

Após o espancamento houve jovens que foram arrastados, espancados e abandonados na praia. Houve detenções sumárias, para apresentação a julgamento sumário dos manifestantes. Estão desaparecidos sem deixar rasto, cerca de 30 jovens…

Entretanto, os protestos prosseguem à porta da Embaixada dos EUA, onde já houve tiros para o ar e ainda à porta do Tribunal de Luanda, onde o povo se juntou.

Quero ver se agora (em Portugal) haverá tantos jovens a cantar pelos seus semelhantes (em Angola), à semelhança do que se passou em Timor?

É que há tantos interesses em jogo…

Sobre Luanda gostaria ainda de escrever umas breves linhas…

Luanda, é uma cidade com seis milhões de habitantes, onde co-existem dois mundos, dum lado, uma minoria endinheirada, ligada ao Presidente José Eduardo dos Santos e sua família, clique governamental e o MPLA, esses tem tudo (petróleo, ouro, diamantes, armas), alguns até vão ao fim de semana fazer compras a Lisboa, Rio de Janeiro, Paris, Nova Iorque,…

Esses, tem acesso, ao melhor que poderá haver à superfície da terra…

Do outro lado, é a miséria absurda, que vive em bairros da lata (sem estradas, cuidados básicos de saúde ou educação, condições sanitárias, alimentos e vestuário), aqui não há lugar para a classe média.

E que dizer dos esquemas de corrupção transversais na sociedade angolana, contaram-me que começam dentro do aeroporto e mais grave ainda com a bênção sacramental das autoridades. A extorsão é uma constante para todos aqueles que viajam até aquelas terras, se não tiverem aquele conhecimento, estão feitos.

Triste herança deixada por nós portugueses, em terras de África…

segunda-feira, novembro 01, 2010

Ultramar, sepultados no esquecimento

Dia 1 de Novembro, dia de finados.

Um dia de romagem aos cemitérios e de recordar os entes queridos que já partiram e desencarnaram…

Um dia triste e quase sempre chuvoso.

No entanto, quantos de nós pensamos nos soldados que tombaram em terras do Ultramar?

Ou nos portugueses que jazem há muito nos cemitérios de Angola e Moçambique?

Recordo-me que havia famílias portuguesas em Moçambique há várias gerações. Muitos ainda lá permanecem, não regressaram a Portugal depois da independência, ficaram sepultados no esquecimento e na indiferença dum país que nega o seu passado.

Porquê?

Temos alguma coisa que nos envergonhar?

E em que estado se encontram os cemitérios de Angola e Moçambique?

E as campas onde jazem portugueses?

Muitos encontram-se pejados de mato e de lixo.

Uma absoluta tristeza… face a tanta indiferença.

quarta-feira, janeiro 13, 2010

CAN 2010 Angola, pão e circo

Na Roma Antiga, os Imperadores Romanos entretinham o povo, com pão e circo (jogos mortais).

Dois mil anos depois, pouco se alterou os governantes proporcionam ao povo, jogos de futebol em modernos estádios.

No Euro 2004, que decorreu em Portugal, Portugal brindou a UEFA, com 8 estádios novinhos em folha, apesar de meses mais tarde em nome da poupança encerrar escolas, tribunais, hospitais, maternidades, linhas de caminho de ferro, postos da GNR e esquadras da policia, tudo em nome do progresso e para satisfação de interesses poucos claros e em nome das negociatas.

Volvidos cinco anos só metade dos oito estádios construídos para o Europeu de Futebol são devidamente utilizados, enquanto os restantes permanecem às moscas durante boa parte do ano e as despesas são superiores às receitas, havendo autarquias que já os ponderem demolir.


Em Angola, terra de oportunidades mil, o exemplo português foi copiado pela clique governamental, enquanto o povo definha e míngua à fome, sem uma habitação condigna ou rede de saneamento básico. Onde tudo falta nesta terra de abundância e do ouro negro. Não há escolas, hospitais, estradas e transportes dignos desse nome e a corrupção grassa nos serviços públicos. E que tal uns estádios de futebol, para o povo se entreter durante a CAN 2010?


Estádio de Cabinda


Estádio de Lubango



Estádio de Benguela


Hum, vá lá não digam que foi mal pensado?

Gostamos tanto do Europeu de Futebol em Portugal, que agora resolvemos trazer a Copa de África para o nosso país…

Que esperto que é o nosso engenheiro!



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