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terça-feira, julho 23, 2013

Vírus gigantes abrem caixa de Pandora

O organismo foi inicialmente chamado NLF, pois trata-se de uma "nova forma de vida" e foi descoberto por Jean-Michel Claverie e Chantal Abergel, biólogos evolucionistas da Universidade de Aix-Marseille, na França, que o encontraram numa amostra de água colhida na costa do Chile, onde parecia estar infectando e matando amebas. Sob o microscópio, apareceu como uma mancha escura grande, cerca do tamanho de uma pequena célula bacteriana.
Mais tarde, os pesquisadores descobriram um organismo similar numa lagoa, na Austrália, eles perceberam então que ambos são vírus - o maior já encontrado. Cada um tem cerca de um micrômetro de comprimento e 0,5 micrômetros de diâmetro, e seus respectivos genomas são superiores a 1,9 milhões e 2,5 milhões de bases - fazendo então que este vírus seja maior do que muitas bactérias e até mesmo algumas células eucarióticas.
Mas esses vírus, descritos hoje em Science1, são mais do que mero registro- eles também sugerem partes desconhecidas da árvore da vida. Apenas 7% dos seus genes coincidem com as bases de dados existentes.
"O que diabos está acontecendo com os outros genes?" Pergunta Claverie. "Isso abre uma caixa de Pandora. O que estará para vir ao estudar o seu conteúdo? Que novas descobertas surgirão? "Os pesquisadores chamam a esses gigantes Pandoraviroses.
"Esta é uma grande descoberta que amplia substancialmente a complexidade dos vírus gigantes e confirma que a diversidade viral ainda é pouco explorada em grande parte", diz Christelle Desnues, virologista no Centro Nacional Francês de Pesquisa Científica, em Marselha, que não esteve envolvido no estudo.

Histórias relacionadas
Claverie e Abergel têm ajudado a descobrir outros vírus gigantes - incluindo o first2, chamado Mimivírus, em 2003, e Megavirus chilensis, até agora o maior vírus known3, em 2011. Pandoravirus salinus veio da mesma amostra de água do Chile como M. chilensis. Claverie pegou o segundo Pandoravirus, P. dulcis, a partir de uma lagoa perto de Melbourne, onde ele estava participando de uma conferência.
A presença dos vírus em continentes separados ajudou a estabelecer que não eram artefactos de células conhecidas. Ele também sugere que os Pandoraviroses são generalizados, Claverie diz.
De facto, outros cientistas já os haviam confundido com bactérias ou parasitas simbióticos. Rolf Michel, um parasitologista do Instituto Central do Bundeswehr - Serviço Médico Alemão, a prestar serviço em Koblenz, na Alemanha, encontrou em 2008, uma ameba viva na lente de contacto de uma mulher com keratitis4. "Lendo este artigo impressionante, eu reconheci que tanto P. salinus e P. dulcis são quase idênticos ao que foi descrito há alguns anos atrás", diz ele. "Nós não tínhamos ideia de que esses organismos gigantes poderiam ser vírus em tudo!"
Os pesquisadores mostraram que nas Pandoraviroses faltam muitas das características dos organismos celulares, tais como bactérias. Eles não fazem suas próprias proteínas, produção de energia via ATP ou reproduzem dividindo-se.
Eles têm, no entanto, conter alguns dos genes principais que são comuns aos vírus gigantes, e eles têm um ciclo de vida viral. Sob um microscópio de electrões, os investigadores viram os vírus podem ser tomados por amibas hospedeiros, esvaziando suas proteínas e DNA para as células hospedeiras, comandando o núcleo da célula hospedeira, produzindo centenas de novas partículas virais e, finalmente, a separação das células hospedeiras aberta.
Os pesquisadores agora estão tentando determinar a origem dos vírus, caracterizando os genes desconhecidos e as proteínas que eles codificam. Eles já suspeitavam que os vírus gigantes evoluíram a partir de células, se eles estão certos, os ancestrais dos Pandoraviroses devem ter sido muito diferentes das bactérias, archaea e eucariotas que temos hoje. "Nós pensamos que, em algum momento, a dinastia na Terra era muito maior do que os três domínios", diz Abergel. Algumas células deram origem à vida moderna, e outros sobreviveram por parasitando-os e evoluir para vírus.
A descoberta sugere que os cientistas "podem ter de ​​rever o seu conceito do que é um vírus parece. "Depois de ler o artigo, muitas pessoas podem se perguntar se eles têm algo em suas prateleiras que pode ser um vírus gigante", diz Abergel. "Nós ainda temos coisas mais loucas na loja que esperamos poder publicar no próximo ano."


Fonte: Nature

terça-feira, julho 09, 2013

Afinal há vida no Lago Vostok



Uma variedade incrível de bactérias e outros organismos sobrevivem e reproduzem-se no lago de Vostok, na Antárctida, o mais extremo dos ambientes, numa completa escuridão e frio intenso.
Devido às extremas condições meteorológicas, cientistas e investigadores acreditavam que nada poderia ter vida no lago de Vostok. No entanto, descobriu-se neste lago profundo, frio e escuro, uma surpreende variedade de formas de vida. A investigação, publicada na revista científica PLOS ONE, revela mais de 3500 espécies identificadas através da análise genética.
"Os limites do que é habitável e não é, estão a mudar", afirma o responsável pelo estudo Scott Rogers da Bowling Green State University.
O lago Vostok é o quarto lago mais profundo da Terra e o maior dos mais de 400 lagos subglaciais conhecidos na Antárctida. O gelo que cobriu o lago durante os últimos 15 milhões de anos apresenta mais de três quilómetros de profundidade, o que cria uma enorme pressão. Há poucos nutrientes disponíveis e o tempo é tão duro e imprevisível que os cientistas para o visitar tem que ter equipamento especial e fazer treinos de sobrevivência antes.
Com estas condições, a maioria dos cientistas acreditava que Vostok fosse estéril. Contudo, a equipa responsável pelo estudo, ao trabalhar em secções retiradas do gelo profundo, identificou milhares de bactérias, algumas encontram-se no sistema digestivo de peixes, crustáceos e vermes anelídeos. Identificou-se também fungos e duas espécies de archaeas, organismos unicelulares que tendem a viver em ambientes extremos. As outras espécies identificadas estão relacionadas com os habitats dos sedimentos do lago ou oceano.
Encontraram-se psicrófilos, organismos que vivem no frio extremo, juntos com termófilos, organismos que podem suportar condições extremas de temperatura, o que sugere a presença de fontes hidrotermais no fundo do lago. De acordo com Rogers, a presença das espécies marinhas de água doce aponta para a hipótese de que o lado teve outrora conectado com o oceano, e que a água doce foi depositada no lago por um glaciar principal.

"Encontramos muito mais complexidade do que se pensava" - referiu Rogers. "Realmente mostra a tenacidade da vida, e como os organismos podem sobreviver em lugares onde há um par de dezenas de anos, pensávamos que não poderia existir nada."

terça-feira, agosto 07, 2012

Bióloga descobre invertebrados a uma profundidade nunca vista


Na viagem de Júlio Verne, o centro da Terra tem dinossauros e plantas exuberantes. É maravilhoso mas é ficção, ao contrário dos pequenos invertebrados que Sofia Reboleira descobriu na gruta mais funda do mundo, que, contra todas as expectativas, tem uma comunidade de espécies a uma profundidade sem precedentes. A expedição descobriu cinco espécies novas, algumas delas a viverem a mais de 2000 metros de profundidade, revela um artigo na edição deste mês da revista International Journal of Speleology.
A entrada da gruta de Krubera-Vorónia fica a 2240 metros de altitude e a 15 quilómetros do mar Negro, na Abkházia, república independente de facto da Geórgia. No Verão de 2010, Sofia Reboleira participou numa expedição organizada pela CAVEX, a equipa ibero-russa de espeleólogos que em 2007 tinha atingido a parte mais profunda da gruta, a 2191 metros. A bióloga está a fazer o doutoramento nas universidades de Aveiro e de La Laguna, em Espanha, e é especialista em insectos cavernícolas. Em Krubera, Sofia Reboleira ficou responsável pela inventariação da vida com o cientista espanhol Alberto Sendra, co-autor do artigo.
"Toda a actividade era dedicada à exploração espeleológica e investigação geológica. Não se conhecia absolutamente nada a nível biológico", diz a bióloga. A partir de uma certa profundidade, a escuridão na gruta é absoluta, não há vegetação e a vida torna-se limitada. "O que pensávamos é que só havia vida nas primeiras partes", explica Sofia Reboleira. Mas estavam enganados.
Como é que se procura vida na gruta? A maioria das galerias era vertical, por isso Sofia Reboleira ficou várias vezes suspensa por uma corda, à cata de bichos até aos 1400 metros de profundidade. A partir dos 1600 metros a gruta está submersa.
"O mais difícil foi o frio. Os animais são pequenos e de tamanho muito reduzido e precisamos de tempo para os procurar", explica-nos. Para se aquecerem durante descidas que podiam durar dois dias, tomavam chá quente com água da gruta fervida, que está constantemente a escorrer e forma cataratas nalgumas regiões.
A equipa encontrou 16 espécies de invertebrados, pelo menos cinco são novas para a ciência. "Ficámos muito surpreendidos", conta a cientista. Estas espécies estão distribuídas ao longo da gruta, dos 60 até aos 2140 metros. Há um pseudoescorpião - o predador de topo da gruta, parente do escorpião -, há um escaravelho, uma aranha, dois crustáceos que vão a nadar até aos 2140 metros, e outras três espécies que vivem abaixo dos 2000 metros, e que foram recolhidas por mergulhadores. Até agora, a espécie cavernícola conhecida a maior profundidade estava a 1980 metros.

Não se sabe como funciona a cadeia alimentar da comunidade. "Poderá ser suportada pela matéria orgânica transportada pela água", especula Sofia Reboleira. Em 2013, a bióloga voltará à gruta. A inventariação vai continuar, mas não é tudo: "Vamos tentar perceber o significado de estes animais estarem ali."
E o que mais haverá lá no fundo?

segunda-feira, janeiro 03, 2011

Estranha mortandade

Cerca de três mil pássaros mortos foram recolhidos ao longo de mais de dez horas de uma operação de limpeza em Beebe, depois de uma misteriosa “chuva” de aves que caíram do céu na noite da passagem de ano.

Na noite da passagem de ano, cerca das 23h30 locais, o Departamento da Polícia de Beebe recebeu várias queixas relativas a aves mortas - pássaros-pretos-da-asa-vermelha (Agelaius phoeniceus) - que estavam a cair do céu para cima de telhados e quintais.

Mike Robertson, “mayor” de Beebe, contou ao jornal “Arkansas online” que participaram na operação de limpeza 15 funcionários dos Serviços Ambientais norte-americanos, funcionários da autarquia e até moradores. O primeiro balanço deu conta de mil aves mortas, mas ao longo do tempo, o número subiu para perto dos três mil.

Segundo a Comissão para a Caça e Pesca no Arkansas (AGFC, sigla em inglês), a maioria das aves estava morta quando os funcionários chegaram ao local. “Pouco depois de ter chegado ainda estavam aves a cair do céu”, contou Robby King, responsável pela vida selvagem naquela comissão. King recolheu 65 aves que foram enviadas para um laboratório em Madison, Wisconsin.

A época festiva não tem sido simpática para com a fauna do Arkansas, nos EUA. Depois da chuva de pássaros mortos na cidade de Beebe, mais de 100 mil peixes apareceram mortos no Rio Arkansas, a 200 km, perto de Ozark.


Por enquanto, ainda não se conhecem as causas desta mortandade.

sábado, julho 11, 2009

Home, de Yann Arthus-Bertrand


No passado dia 5 de Junho, foi apresentado mundialmente o filme “HOME”. A autoria é do famoso fotógrafo, ambientalista e jornalista francês Yann Arthus-Bertrand e a produção ficou nas mãos de Luc Besson (realizador de “Joana d’Arc” e de “Artur e os Minimeus”). O filme é constituído por paisagens aéreas do mundo inteiro e pretende sensibilizar a opinião pública mundial sobre a necessidade de alterar modos e hábitos de vida a fim de evitar uma catástrofe ecológica planetária.

A partir de filmagens feitas em cerca de 50 países, o propósito do filme é lançar a primeira pedra para a reconstrução deste edifício que é a nossa casa: a Terra.

Para ver o filme com locução em português, no You Tube clique em:

http://www.youtube.com/watch?v=tCVqx2b-c7U

Mais em:

http://www.home-2009.com/us/index.html


domingo, março 02, 2008

Encyclopedia of Life - Enciclopédia da Vida


Já podem ser consultadas online as primeiras 30 mil páginas da enciclopédia que tem o ambicioso objectivo de catalogar os 1,8 milhões de espécies conhecidas no planeta Terra.

As primeiras 30 mil páginas foram realizadas por cientistas, mas dentro de alguns meses a enciclopédia começará a aceitar as contribuições dos utilizadores, à semelhança do que faz a Wikipedia.


Estima-se que demore uma década até o compêndio digital ficar totalmente completo com informações sobre todas as espécies vivas documentadas nos últimos 250 anos.


A Enciclopédia da Vida será actualizada constantemente, de forma a reflectir todas as descobertas de novas espécies, ou a extinção de outras.



De acordo com o director do projecto, Jim Edwards, ao agrupar num único local os 1,8 milhões de espécies conhecidas, esta será uma ferramenta valiosa para os cientistas de todas as áreas, desde os que se dedicam ao estudo da transmissão de doenças aos que se debruçam sobre a protecção de espécies ameaçadas.

O lançamento foi um sucesso: em apenas cinco horas e meia, incluindo as duas em que o site esteve em baixo, foram registados 11,5 milhões de "hits".

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