sexta-feira, Maio 11, 2012

Cinema nacional em luta nas escadarias do Parlamento

 

As escadarias de São Bento transformaram-se na noite de ontem, numa plateia de cinema, uma maneira de apelar à aprovação de uma nova lei para o sector.
Numa parede em frente duas telas improvisavam um ecrã. Sentada escadaria acima uma plateia juntava-se para, frente a uma colagem de momentos celebres da história do cinema português, apelar pela aprovação de uma nova lei do sector. As imagens contaram por si uma história um dia depois de realizadores terem sido ouvidos por deputados.

 
A montagem abriu com Aniki Bobo, de Manoel de Oliveira, realizador de cuja obra outros momentos foram visitados - nomeadamente filmes como A Carta ou O Convento - e que ainda no dia anterior tinha enviado uma mensagem aos deputados da comissão parlamentar de Educação, Ciência e Cultura que então receberam também os realizadores João Salaviza, Miguel Gomes e Gonçalo Tocha. Em poucas palavras, Oliveira dizia: "parar é morrer". 

 
Perante uma multidão que enchia toda a escadaria frente à Assembleia da República, e todos os passeios ao redor, e depois de lido um manifesto que contextualizou a acção, as imagens passaram por mais de cem anos da história do cinema feito em Portugal, de memórias mais remotas dos tempos do mudo aos recentemente premiados Tabu de Miguel Gomes, Rafa de João Salaviza ou É Na Terra Não É Na Lua de Gonçalo Tocha passando por memórias como as de Pai Tirano de António Lopes Ribeiro ou Belarmino de Fernando Lopes e produções mais recentes como Sangue do Meu Sangue de João Canijo, Morrer Como Um Homem de João Pedro Rodrigues, Vai e Vem de João César Monteiro ou O Sangue, de Pedro Costa. 

 
Aplausos iam recebendo as imagens, celebrando o trabalho de realizadores, actores, animadores e restantes profissionais envolvidos nos filmes que passavam pelo ecrã. Muitos deles estavam na plateia. E com eles também estudantes das escolas de cinema e cinéfilos.

 
"Os cineastas, realizadores, autores, artistas, produtores, técnicos, prestadores de serviços, estúdios, laboratórios, pessoas e instituições que providenciam a continuidade do cinema português e o seu futuro, estão em luta pela preservação de algo maior, deste legado centenário e da sua continuidade e futuro. A responsabilidade última perante a sociedade portuguesa", podemos ler no texto/manifesto assinado por Fernando Vendrell que está publicado no blogue da Associação Portuguesa de Realizadores onde se defende ainda que "está em risco a capacidade dos portugueses, através dos filmes e do seu cinema, sonharem, se confrontarem com os seus fantasmas, fruindo na sua vida uma experiência mais rica e intensa, através das suas emoções e da projecção do seu imaginário".

 
Uma semana depois da apresentação, no Cinema São Jorge, de um "ultimato" ao governo e um dia depois da audição no parlamento aos três realizadores, esta acção foi mais uma forma de chamada de atenção para com o que os profissionais do sector entendem como a "urgente" aprovação da lei do cinema.
Fonte: DN




Acontece em Portugal…
Quase quarenta anos depois, o Fascismo regressou a Portugal, a austeridade tudo justifica, silenciando tudo e todos.
Em nome da União Europeia, do Banco Central Europeu e do Fundo Monetário Internacional. Tempos inquietantes que vivemos hoje!

1 comentário:

LUIS FERNANDES disse...

Concordo contigo, Mário. Tempos muito negros que estamos a viver. Eram impensáveis há meia dúzia de anos. Nem sei o que diga...
Abraço.

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