quinta-feira, Novembro 12, 2009

O Jovem Cinema Português - Jorge Pelicano

«Jorge Pelicano é um homem por trás da câmera. A câmera que lhe permite mostrar ao Mundo o que os seus olhos vêem, o que o seu coração sente quando capta as imagens. Jorge Pelicano é jovem mas é já um sénior em termos de trabalhos premiados. Hoje venceu mais três prémios, em Seia, com um trabalho sobre o abandono a que está votada a linha do Tua. Foi o Jorge Pelicano que nos mostrou como é ainda a vida dos últimos pastores na Serra da Estrela. Para além disto, a SIC passou há uma semana atrás uma reportagem sobre os órfãos da SIDA em Moçambique, com a assinatura dele e da Cândida Pinto.»

In http://vekikiprojects.blogspot.com




«"Ainda há Pastores?" é a sua primeira incursão no cinema documental. O que o impulsionou a retratar a vida dos últimos e genuínos pastores da Serra da Estrela?
Estudei no Instituto Politécnico da Guarda o que permitiu uma familiarização com a região. Depois, sempre me fascinou aquilo que chamo de sub-mundos, lugares "escondidos" da nossa sociedade. Retratar a vida dos pastores é retratar esse sub-mundo. E, em "Ainda há pastores?", entra-se num vale isolado e escondido nas montanhas da Serra da Estrela, um lugar que poucos conhecem. Entrar neste sub-mundo foi recuar no tempo, viver aquilo que os meus avós e bisavós viveram. Com certeza que a maioria das pessoas, sobretudo as gerações mais novas, nunca viveram sem luz eléctrica, sem um frigorífico, sem água canalizada ou sequer imaginaram dormir numa cabana debaixo do frio da serra ou dormir nos montes. Foi essa descoberta que me impulsionou fazer o documentário durante 5 anos.

Partiu em 2001 à descoberta de outros mundos, outras vidas. Em Julho de 2006 terminou essa busca. Encontrou a resposta? Afinal, em Portugal, ainda há pastores?
Se respondesse a essa pergunta estaria a desvendar o final do filme! Portanto...aquilo que apenas posso dizer é que existe uma resposta. Mas só as pessoas que visionarem o filme é que vão saber qual é.



Encontrou dificuldades para que o seu trabalho fosse realizado?
Tendo em conta que este é o meu primeiro filme, é óbvio que existiram muitas dificuldades. Em primeiro lugar, parti apenas com uma jornalista para o terreno, munidos de um microfone, um tripé e uma câmara de filmar. No final tínhamos cerca de 80 horas de gravação. Mas sempre que existiam dificuldades tentava contorná-las. No fundo, entendi este filme como um processo de aprendizagem, superando até alguns erros. O modo fantástico como os pastores me receberam ajudou, muitas vezes, a ultrapassar as dificuldades.

Sente-se satisfeito com o resultado final?

Demorei cerca de 6 meses para montar o filme. Ao quarto mês disse aos meus colegas de produção que tinha o filme acabado. Mas...surgiram sempre pormenores a limar. E só dois meses depois é que, finalmente, comuniquei que estava satisfeito com o resultado final. Foi um trabalho muito perfeccionista.


O passo seguinte passa pela apresentação do filme no 12ª edição do Cine'Eco - Festival de Cinema e Vídeo de Ambiente da Serra da Estrela. Ansioso por ver a reacção do público?
Penso nisso todos os dias. Em casa, no carro, no trabalho. Mas vai ser imprevisível. Acredito que as pessoas que forem ver o filme não se vão arrepender. É - digo isto com muita convicção - a última oportunidade para ver a vida dos pastores mais genuínos da Serra da Estrela. Apesar de ser um filme longo (aproximadamente 80 minutos), as pessoas que já o viram, não ficaram indiferentes. Espero que no final do filme as pessoas não fiquem indiferentes, mas sim que fiquem apensar nele, esse é o meu grande objectivo. O filme tem uma mensagem de alerta relativamente ao desaparecimento dos pastores.


Depois do Festival como pensa difundir o filme?

Vou participar noutros festivais em Portugal e no Estrangeiro. O problema é que, em Portugal, a maioria dos Festivais só aceitam filmes que sejam estreias absolutas. Ou seja, sendo a estreia no CINE’ECO, não posso mostrar o filme noutros festivais à posteriori, pois já estreou anteriormente. Ou seja, dediquei-me durante cinco anos para fazer um filme para mostrar uma ou duas vezes ao público. Faço filmes para mostrar às pessoas e não para colocar na estante. Mas estamos em Portugal...

Independentemente disso, vou tentar chegar ao maior número pessoas pelo país fora...em associações, escolas, universidades, entre outros.



Como é ser um jovem realizador no panorama actual português?

Sinceramente, ainda não me considero um jovem realizador. Quero sê-lo Para já sou apenas um tipo que pegou nas suas coisinhas e foi filmar estórias de pastores que, infelizmente, estão a desaparecer. Fiz o que me competia. Não me queixo do panorama. Trabalhei, dediquei-me com muita paixão e dedicação. Faço aquilo que gosto. O que resto vem sempre por acréscimo.»

In http://oceanodepalavras.blogspot.com



Acompanhe ainda a entrevista concedida, aquando da Estreia no Cinema Londres no Doc Lisboa, por Jorge Pelicano sobre o Documentário dedicado à Linha do Tua "Páre, Escute, Olhe", para a webrails.tv.


Entrevista conduzida por Nuno Morão e imagem de Rui Ribeiro.

http://www.youtube.com/user/mcnuno#p/a/u/1/F_ZSvU86LEQ

http://www.youtube.com/user/mcnuno#p/a/u/0/-9gmjjOc7-Y

http://www.webrails.tv/


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